Não resisto a deixar aqui outra letra de Ryan Adams, esta do álbum Gold, da música Wild Flowers. É belíssima, mas extremamente depressiva. Se conseguirem e quiserem, ouçam por vocês! :)
Ryan Adams - Wild Flowers - Álbum Gold
Poor girl, no Ma
Nothing much to speak of but a rough diamond
Sleep now and your angels will come, dear
Poor Matilda
Handcuffed to the wheel
And steering wildly
Through love's fields, so blindly
Forever only takes its toll on some
But, tonight you're sleeping alone without him
Tonight you're sleeping alone without him
And everything went up in smoke like wildflowers
Wildflowers, dear
Poor girl, lonely
Shuffles through the parade
Of a sleepless circus serenade
Hold on, dear
Poor girl, no Ma
Sister steals her a coat
For the windless breezes
Sleep now and Jesus will come, dear
Forever only takes it's toll on some
But, tonight you're sleeping alone without him
Tonight you're sleeping alone without him
And everything went up in smoke like wild flowers
Wildflowers, dear
E de repente, lembrei-me de uma comparação que não posso, nem consigo evitar. Pete Yorn, outro dos músicos recentes que gosto de ouvir, teve uma experiência semelhante, não em termos de recusa da editora, ou de censura do seu trabalho, mas na aceitação do seu segundo álbum de originais. Depois do grande sucesso da sua estreia discográfica , Musicforthemorningafter, só o muito bom era aceite como percurso normal da sua carreira. Musicforthemorningafter é um exercício que funde pop com rock, embebido em voz "Bob Vedder Dylan ", que singrou principalmente pela voz espectacular do cantor, e também da capacidade musical do mesmo, pautada na criação de todos os acordes das suas melodias. Músico excelente, Pete Yorn consegue tocar bateria, piano, guitarra, harmónica, e canta também. Todos esperavam um segundo álbum explosivo. O que não acabou por acontecer.
Até eu, um acérrimo defensor de todas as suas músicas, versões acústicas, concertos ao vivo, etc e tal, não consegui esconder alguma revolta, quando, ao ouvir o segundo álbum, encontrei "pérolas" como "Burrito" ou "Carlos". Se não fosse pela sua voz, garanto que nunca ouviria as duas músicas citadas, porque são francamente, muito más. De vez em quando o álbum mostra-nos o que já sabíamos ( que é um grande cantor e consegue criar melodias que ficam no ouvido ), mas depois caí um conjunto de embrulhos bomba. Não soube o que pensar. Hoje, depois de algum tempo a digerir o álbum, ainda não consigo ouvir aquelas duas músicas, mas as outras já conseguiram cativar o meu gosto. É um álbum diferente, mas manifestamente inferior ao primeiro. Para quem conhece, concerteza sabe do que estou a falar. A ouvir, apreciar e , se quiserem, comparar. :)
Se bem que, o recente álbum de Ryan Adams, não pode ser considerado um lançamento "pacífico". É triste quando se mastiga a criatividade de um artista, ao ponto de vetar um trabalho ( que eu pessoalmente considero um dos seus melhores ), e pedir novo trabalho de estúdio. Os (depois ) ep´s Love is Hell, eram para ser um todo, o "verdadeiro" novo álbum de Ryan Adams. Por ser considerado demasiado depressivo por parte da editora, o artista teve que preparar outras canções e consequentemente, um novo álbum. O resultado final está à espreita, para completo deleite da editora, com singles a passarem em rádios. Só se compreende esta atitude em termos de expansão de mercado ( corrijo, só assim é que a compreendo ). Um cantor que é conhecido, já mantém uma certa reputação e marca de autor no seu país de origem, é obrigado a abdicar de um seu trabalho em benefício de outro.
Rock N´Roll não é um grande trabalho. Nem perto disso. É um exercício consciente e prático de música comercial sem o ser realmente. A espaços o verdadeiro Ryan Adams surge. Mas para quem aprecia a sua verdadeira música e se reconhece em álbuns como Gold e Demolition, os ep´s Love is Hell são uma saudável continuação de um percurso, um caminho intimista com músicas lentas, mas saudávelmente harmoniosas e concisas. Mais importante do que a alegria numa melodia, é a verdadeira raíz e ventre gerador da mesma. Quando algo é vazio, o seu eco transmite-se a bom som.
Love is Hell é um trabalho fabuloso. Rock N´Roll não. É tão simples como isto.
Esta música é simplesmente espantosa. Não, não me entendam mal. Nada tem a ver com as recentes músicas caramelizadas do Ryan Adams, que, pasme-se! até passam com regularidade em algumas rádios portuguesas. É pena coisas magníficas como os ep´s Love is Hell, ficarem completamente atolados na penumbra.
Mas, regressando à música, ela é assustadoramente simples, e na sua simplicidade cativa quase à primeira audição. Além disso a letra, aliada à voz "alienada" do cantor, formam uma simbiose perfeita. É uma composição que invade agora cada pequeno momento de todos os meus dias.
Aqui fica a letra para aguçar um pouco o apetite :)
Jesus ( Don´t touch my baby ) - Ryan Adams - Álbum Demolition
In California
Forever summer and hot
Into the ocean
You're smiling a lot
On sandy beaches
And the blankets are hot
You're in my arms
And I kiss your heart
Jesus, don't touch my baby
Jesus, don't touch my baby
Jesus, don't touch my baby
She's all that I got
Reflections coming
In through the sheets
You love your baby
are sweet
Out on the highway
We ride tonight
Jesus don't know you
He was just saying 'Hi'
Don't touch my baby
Jesus, don't touch my baby
A história escreve-se da tua boca
Entre o canto de uma doce vida
Num trapézio ondulante que desliza
Numa folha escrita de memórias.
O teu corpo desenha doces sabores
Estalando na doce praia de um destino
Acariciando as rochas que te esculpem
Desenhando na areia o museu de sentir.
Abraço que rompe qualquer silêncio
Desejo que desnuda os corpos inertes
Choro que bebe da felicidade deslizante
A sua razão e verdadeira invocação.
Nos teus olhos ondula uma fragrância
Que reconheço perdurar na minha alma
É a doce melodia deslizando suave
Retracto de uma pintura de amor..
O sonho onde o acordar não existe
Memória de um momento incessante
Cores abraçando o horizonte desfolhado
Em mil destinos e imensidão de caminhos.
Todos eles reclamando a tua voz
A doce eloquência de duas almas
O perfume que banha um sentir
Uma carta despindo todo um amor.
As palavras não desaparecem
São musculadas e não desistem
Nos teus lábios recolho a eternidade
Na minha boca ecoa a divindade...
Amo-te, e nunca será uma miragem,
O sabor que sinto no sussurrar do mundo.
Ele é imagem de um olhar que é só teu,
Tatuado numa doce viagem infinita.
No recanto de sóis que queimam a alma
Invade o suspiro de uma terna invocação
Escapando do Mundo, voando sem rumo
Querendo abraçar um pequeno passo.
Sei que sabes a cor das minhas palavras
Tacteando o espaço que molda a tua face
Imagino a tua voz rasgando o silêncio
Reclamando a certeza da tua presença.
Sei que reconheces o sabor de um sonho
Cujo autor adormece na penumbra.
Mas o ciclo vicioso que te corrompe
Bebe das tuas orações a sua razão.
O acordar de hoje não é diferente
Apenas se veste de noite febril
Troca de olhares, dançar de dias
Num acorde sentido tatuado na rua.
Querias que fosse o eterno viajante
Nos teus braços caminhando sem rumo
Mas sei que a minha voz também sente
Como um coração lindo inocente.
Pilotas a tua razão no desfiar de um sentir
Navegante mimada de contradições lógicas
Bebo a água salgada, filha do desespero
Mergulho no enlamear de uma triste fuga.
Estás longe, onde o sol não te avista
Onde a água não te sente o sabor
Onde a chama se apaga na vil desistência
Queres ser alguém numa febril inconstância.
És quem sentes e queres agora sozinha?
Será a inocência perdida o teu desejo,
Quando a saudade nada te diz agora
E perdes o brilho dos teus doces olhos...
Despes as cartas do teu destino
Comandas um desejado caminho
Fui embora, sem contemplação
Não pretendo nenhuma justificação.
Querias que fosse o eterno viajante
Nos teus braços caminhando sem rumo
Mas sei que a minha voz também sente
Como um coração lindo inocente.
Querias encontrar-me no final do teu destino
Na tristeza de um grito derramado no escuro
Ao invés olhaste para o choro de um sino
Reclamando o abandonar tatuado num muro.
A história que reclamaste como nosso rebento
Era afinal a demonstração do teu amargo sabor
Deixaste-me absorto, minado, sedento...
Pincelando caminhos, reclamando um amor...
Viveste sonhos sozinha, empolgada pela névoa
Aquela que nunca te desenhou o nosso respirar
E o retracto que imaginaste, com a tua régua
Esquartejou o canto, o recriar, o saber voar..
Desconfiaste de quem te ajudou no sofrimento
Perdeste a inocência que te vestia o rosto
A mágoa de sentir o amargo desalento
Suspirou naquele febril dia de Agosto...
A palma de mil destinos perdia toda a sua glória
Quando nas tuas palavras se despiam fragrâncias
Espelhando a verdade, envenenando a memória
Museu de falsos milagres, vagas intolerâncias...
Agora estás onde queres, trapezista do teu circo
Onde não habito jamais, nem sequer em sonhos
A pintura que guardo, é doce, perdão.. minto.
É um acordar que sussurra paladares risonhos.
O monte que engole o meu choro em silêncio
Pincela o pairar do sol sobre o teu mundo
Aquele que rasgas perante o ofegante dispersar..
Papel engolindo lágrimas e caracteres abandonados.
E quando a recordação ganha o poder da realidade
É invocado o triste e pesar som da obscuridade
Na lua que invade outro interregno de um sofrer
Em que a alma se inunda de silêncio, para não morrer...
Se te falo da notícia estalando no desejo de um futuro
Dizes-me que sabes a contradição de um pensamento
Se te digo que a certeza nasce no peito para não morrer
Falas-me da tristeza de um beijo que anseia por outro amor.
A mão que embala o sabor de sonhos e fragrâncias...
Escreve o vale que desenhas, na tua infinita meditação
E o céu encarrega-se de o traduzir numa canção
Aquela que resguarda a essência, quando reconheço o chão.
Bola de futebol, fiel namorada da doce infância
Abraça o escurecer tatuado na memória estacionada.
Um tempo que morreu, onde as palavras secam..
Onde o rosto se escreve de uma palavra, de um sentir.
O coração enlameado do teu vício, não descansa
O álcool destila os sentimentos reprimidos num choro...
Que teima em ser teu filho, sangue de um destino
Não desaparece, é eterno e febril servo..