Como é que o Michael Jackson assoa o nariz? Como é que a Ciccolina se consegue sentar? Como é que se faz a coca cola? Como é que o Fernando Aguiar joga no Benfica? Como é que o Durão Barroso é Primeiro Ministro? Como é que joga cartas sem fazer um bocadinho de batota? Como é que o Emplastro aparece na televisão? Como é que o Big Brother é um fenómeno? Como é que se escreve Mafagafinhos? ( é assim ? ) Como é que se morre à fome num país tão rico? ( Angola ). Como é Marte? Como é que a vida se vai embora? ....
Porque é que a salada russa é russa e não com o nome de outro país qualquer? Porque é que se dá o nome de tutti frutti a um sumo ou iogurte com muitos frutos e não se dá o nome de p.ex all the fruits? Porque é que o ovo a cavalo é a cavalo e não a égua? Porque é que tudo junto se escreve separado, e separado se escreve tudo junto? São perguntas estúpidas mas atrofiam-me a cabeça à mesma, acreditem! Porque é que as bifanas se chamam bifanas e os bitoques bitoques? Porque é que Butterfly ( borboleta em inglês ) é butter ( manteiga ) + fly ( mosca ) ? Mosca amanteigada? Não compreendo.. :( Porque é que os russos além de terem uma salada com o seu nome, também têm as montanhas? Alguma alma caridosa me sabe explicar?
Mais, porque é que os anúncios do ferrero rocher são quase sempre iguais? E os do Mon Cherri? Porque é que Bueno é bom? :)
Foi um desvario saudável. Compreendam-me :) Abraços
Mais umas quantas para alegrar o espírito.. :)
Como diria Adolf Hitler: A taça do mundo é nossa!
Como diria Castro Alves: Quem semeia vento colhe sangue, suor e cerveja.
Vamos transformar a cozinha em um território neutro, tipo uma faixa de gases.
Vamos nos aspirar em madre Teresa de Corumbá.
E eu tive que deixar minhas impressões digitais na delegacia. Agora, quando precisar, vou ter que ir lá buscar!
Inclua-me fora dessa.
O pior cego é aquele que não quer andar.
Eu estou tendo uma idéia... mãe! vem logo antes que passe.
Depois da tempestade, vêm as vacas loucas.
Eu tenho um certo sentimento feeling.
Você acredita em vida após a vida?
Mãe, a senhora me pegou de chupetão!
Vou tomar uma atitude gástrica.
Odeio filme suspensório.
Quem conta fere, com conta será ferido.
É nos melhores fracassos que se encontram os melhores perfumes.
Você está escorregando no lavabo?
Não seja Hipócrates.
Não estou com hepatite sexual.
Sou admirador confesso desta magnífica série de humor, com actores simplesmente estrondosos, e que muito me faz rir. Como tal, e ainda por cima sendo a Magda a minha personagem favorita, aqui ficam algumas das suas famosas pérolas, retiradas de http://www.terravista.pt/meco/5879/fra_mag.html
Chupar o pau na barraca.
Assustar um cheque.
Estou lendo um livro de Milk Shakespeare, Julieu e Romiseta.
Depressão genital.
Abrir a janela para farejar o ambiente.
Há malas que vêm para o bem.
Quero ser a próxima contrabandista da novela das oito.
Quem com ferro fere, tanto bate até que fura.
Matar dois coelhos com uma caixa d’água só.
Tu te tornas eternamente responsável pela "canabis que sativas".
Eu sou bem adestrada.
Obrigada, são seus ovos. (respondendo a um elogio)
Eu sou uma mulher sempre livre e O.B. saudações.
Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo.
O bipop vai subir que é uma loucura!
Cada peça que a vida nos martela.
Mortal, posto que é chama, que seja infinito enquanto duro.
Como diria Vinícius de Moraes: liberdade para as roletas!
Eu vou ser como a Marta Rocha, a espiã nua que incendiou Paris.
Não sou mais conjugada, agora posso falar tudo que me der no tijolo.
Pete Yorn é um daqueles casos singulares. Comecei por odiá-lo mesmo antes de conhecer a sua obra ( nunca mais me esqueço daquele dia em que na sic radical emitiram o videoclip da "For Nancy", acentuando a comparação por parte dos media, dele e de Jeff Buckley). Envenenou-me essa comparação, e o pobre do Pete Yorn é que pagou, por algum período de tempo. Mais tarde, surgiu outra situação caricata ( enganei-me a sacar uma música e apareceu-me uma dele, "Just another" ). A verdade é que adorei a música, o que me fez interessar um pouco mais pelo seu trabalho e pelas suas composições. Hoje não passo um dia sem os seus acordes e a sua música, e posso afirmar que sou um cadito para o fã. :) As voltas que a vida dá!
Aqui vai então mais uma listita, desta vez das minhas músicas preferidas do Pete.
1º - Just another ( Musicforthemorningafter )
2º - Sense ( Musicforthemorningafter )
3º - Strange Condition ( Musicforthemorningafter )
4º - Turn of the Century ( Day I forgot )
5º - Life on a chain ( Musicforthemorningafter )
6º - Man In Uniform ( Day I forgot )
7º - Commited ( Day I forgot )
8º - Undercover ( Banda sonora do filme "Homem Aranha" )
9º Dancing in the dark ( Bruce Springsteen´s cover - Musicforthemorningafter ( Edição limitada - 2cd´s
10º - Simonize ( Musicforthemorningafter )
Confesso que, a princípio, tal como no caso do Ryan Adams ( nos Whiskeytown era o leading man ), não fiquei parcialmente motivado para descobrir as suas músicas. No entanto, depois de ter ouvido Ryan Adams a solo, resolvi dar uma oportunidade ao grupo. E se se trata de por vezes, músicas basicamente Country, num estilo saudavelmente alternativo ( o que se verifica perfeitamente nas letras e em acordes ), surgem algumas músicas que vão mais além, parecendo verdadeiras invocações de um sentir. Existem algumas músicas com as quais necessito de "conviver" diariamente, pois são melodias simplesmente fascinantes para mim. E assim, surgem mais duas listinhas, desta vez de músicas dos Whiskeytown, primeiramente, e depois de músicas a solo do Ryan Adams.
Whiskeytown
1º - Easy hearts
2º - Empty baseball park
3º - Ballad of Carol Lynn
4º - Crazy about you
5º - Don´t wanna know why
6º - Avenues
7º - Houses on the hill
8º - Under your breath
9º - Don´t be sad
10º - 16 days ( esta música a início chateia, mas depois conseguiu-me agarrar.. )
Ryan Adams -
1º - La Cienga just smiled ( álbum Gold )
2º - Wild flowers ( Gold )
3º - Harder now that it´s over ( Gold )
4º - Memories of you ( Demolition )
5º - Oh My sweet Carolina ( Heartbreaker )
6º - My Winding wheel ( Heartbreaker )
7º - Blue ( Nuclear single )
8º - Desire ( Demolition )
9º - When the Stars go blue ( Gold )
10º - Sylvia Plath ( Gold )
A melodia beija o rosto esquecido
Na sala que engole a felicidade de um sorriso
E as cores góticas escorrem nas paredes
Com a lágrima cortando o vazio...
Soluçar de sonhos... de uma desistência.
Percorre a face o aroma salgado
Bebendo do mar a sua pureza e sedução
Dando as mãos ao coração despedaçado.
Fragmentos abandonados ao vento
Ondulando sobre a vida e a esperança.
Respirar ofegante e ternurento...
Ecos na habitação envelhecida
Pelos tons cinzentos de uma alma
No passado voando sobre o céu celeste
Fragrância azul de amor primaveril...
Mas agora apenas a memória cruel
Uma fotografia gasta num álbum
Que dói abrir... redescobrir.
E o espelho sussurra ao ouvido
Mentiras esquartejando o espírito.
Na cinza de uma paixão...
Encontra-se o nome tatuado
Para sempre no coração.
In Retalhos de Sentir - Pequeno livro
O céu parece imensamente infinito...
Como quando olho para os teus olhos lindos..
E me perco apaixonadamente no sonho..
De te amar intensamente... num suspirar...
Inundado de sentimento incessante
Libertado sobre a luz porcelânica da lua
Que chama as suas filhas brilhantes...
Caminham ondulando no céu gótico..
Soltando as lágrimas puras e divinas..
De um amor que não tem palavras e se sente..
Como o fio de água que cresce no lago...
E corre o mundo ao acaso... sem ilusões...
O sonho alimenta o meu corpo adormecido..
Entregue aos teus braços suavemente desenhados...
A alma transforma o sonho no desenho mágico...
Onde te vejo brilhar... Onde inundas o espaço..
Repousas nos meus braços... e choro...
Porque amo o sentimento... Porque estou...
Pertinho de ti...
Assim como as estrelas derramam as suas lágrimas..
Quando desviam o olhar para a cidade...
E não te vêm...
Não te sentem...
O vento acaricia a folha envelhecida...
Dança sobre a luz .. sobre o horizonte..
Parece soar nos êcos da memória...
A tua voz sussurrando a melodia...
Que enfeitiça e faz voar...
Não te deixo cair...
Dar-te ei a minha última gota de sangue...
Se dela depender...
A tua vida... O teu amor..
Para ti Márcia, mulher da minha vida...
Se na alma ecoa a lágrima
Que beija o rosto esquecido,
E na rua são tatuadas as memórias
De um doce amor perdido...
Porque não aceitar o destino
Olhar para o céu e pactuar no sonho
De querer acreditar que a estrela que brilha
Será aquela que me irá guiar...
Esquecer o receio que suspira com o vento
Parecendo vasculhar os recantos do espírito
E o retracto pintado de fresco dilacerante
Escorre tinta encarnada brilhante.
Memórias de sangue... sem perdão.
Sussurram vozes sobre o horizonte
E nada importa ou tem valor
Quando prostrada no chão,
Usada e posta ao esquecimento
Encontramos a razão...
Da nossa existência.
O manto escuro envolve a cidade
Despe a pele de cor e saudade
Robe nocturno de recordações.
Pareço ver um rosto no céu
Orla majestosa de paixões.
Repousando o corpo na mágoa de não pensar
Querendo apenas ignorar
A dor de viver olhando para o vazio...
Outrora repleto de esperança.
O que dizer quando estás sozinho
E à tua frente não vês nada...
Senão a pessoa que nunca serias
E que agora te engole sem cessar.
Mas és tu a solução necessária
Tens asas de sonho e de esperança.
Voa sobre a dor e a maldade
E quando caíres não temas nada...
Porque lá atrás estará a lembrança
Que nada foi em vão e não se esquece.
Querer lutar e viver por essa luta
Do amor, da saudade...
E dentro de mim está tudo isto
Mas parecendo impossível de invocar
Porque no veneno do passado
Encontra-se o presente
Mergulhado.
Espaços livres rareavam na penumbra da cidade. Sonhos fumegantes ondulavam imensos no céu envelhecido, doente cativo de uma acção opressora e a ele extremamente nociva, resultado da ignorância e obsessão do espírito humano. Os sonhos procuravam quem um dia os amou e mais tarde cedeu aos infortúnios da existência, derramando toda a força outrora revigorante, despedaçando réstias de divindade que lhe acariciavam a alma. E agora voavam sem rumo, observando a crueldade humana, tentando perceber porque é que um dia foram tão desejados, e agora suspiravam ao sabor do vento, dançando sobre tempos e destinos, sobre canções e invocações. O céu adoentado espelhava a essência espessa desses sonhos, conversava com eles e mostrava-lhes toda a beleza que ainda continham, que seria sempre parte indistinta dos mesmos. Um dia, os sonhos tiveram sido vida para aqueles que os desejavam. Agora eram morte e odiados, vítimas do envenenamento cada vez mais gritante, da espécie humana. Os sonhos são agora sombras disformes. Algo que não existe, algo que não é real. Mas não, os sonhos são vida, são amor, são esperança. Os sonhos são diamantes espelhados na pintura lindíssima em que consiste o Mundo. O Mundo é um sonho...
Mas tudo parece soar a falso, a disforme e cruel mentira pincelada na alma de quem crê na beleza interior das coisas e dos seres, quando se encontra a tristeza gemer na cidade, fundindo com a cor adoentada das ruas, o seu sofrimento opressor, trespassando o espaço e o horizonte, agoniante apatia generalizada fumegando nas chaminés existenciais...
In Retalhos de Sentir - Pequeno livro
A tatuagem que nos guia e beija a alma não é a mesma para todos nós. Não a podemos trocar mesmo se quisermos. É isso que nos faz ser únicos. A nossa essência, o nosso coração. O aroma que nos beija o corpo constituí o nosso poema. Somos todos poemas acariciando o mundo. O mundo é um soneto, um almanaque extenso de lírica suspirante. Poemas falando de tristezas, poemas irradiando amor. Outros ditando a morte e o sofrimento. Outros libertando mágoas e doença. As letras que escorrem na folha outrora virgem de papel constituem a chave da nossa vida, o nosso destino. A nossa vida é um grande poema. Temos a possibilidade de fazer dele o mais lindo de sempre. Onde o sonho nasça e viva eternamente. Onde o amor respire ofegante, apaixonado desfile sedutor de almas e esperança.
In Retalhos de Sentir - Um pequeno livro
Existem alturas em que tudo parece um simulacro do passado. Onde tudo faz a sua aparição com sombras, ténue nevoeiro engolindo o espaço envolvente, capturando e mantendo cativas almas e seres, sem compaixão ou arrependimento. Caímos aos pés da realidade, completamente prostrados na nossa ceguez pretérita, não conseguindo guiar a essência novamente por entre o vale de dor e sofrimento. Entregamos a espada da luz que outrora ostentamos com tanto orgulho e dedicação, criando um fim inglório e triste para uma luta leal e destemida, uma luta que ditava a nossa essência e o caminho da nossa alma, do nosso coração e espírito. Ditamos o final da jornada que nos propusemos caminhar, cedendo a uma realidade que agora nos diz o quão inocentes fomos.
Mas existem poemas que mantemos dentro de nós que tudo saram, tudo combatem com uma maravilhosa força interior e divindade. As palavras engolem a tristeza, chamuscam sombras e vales soturnos, despedaçando o desconhecido, desmembrando focos de dor e opressão faíscante. Temos dentro de nós, nas pessoas que nos cercam e que vivem na nossa essência, toda a força de que necessitamos para lutar pelo que realmente desejamos e queremos. Luta por um amor, pelo sentimento que nos invade num beijo suavemente polvilhado no corpo, irradiando sedução e paixão indestrutíveis.
A vida é um poema, canção irresistível de existência. Poema de amor, de felicidade, de esperança. Poema de dor, de sofrimento, de lágrimas salgadas de voos despedaçados. Mas se assim não fosse tudo era tão linear. Tão simples.”
In Retalhos de Sentir - Pequeno livro da minha autoria não publicado
O Amor. Significado de uma Vida... de uma existência. Justificação para percorrer e desbravar o Mundo. Saciar o desejo nos seus mantos belíssimos. O Amor é paz, é vida, é essência. O Amor é tudo. Tudo é Amor.
O tal. Aquele que se esconde por entre vidas e destinos, sob densas camadas bebendo incógnita e devir estonteante. O amor que define essências e lutas, confere significado a uma vida completamente ofuscada na eminência de dor e sofrimento. A total apatia generalizada ganhando expressão nos contornos gastos e eclipsais de faces dispostas ao vazio de sentir, ocultando dentro de si as suas verdadeiras realidades, representações e acontecimentos guardados religiosamente, esperando ansiosamente por se despedaçarem em fragmentos de vida, em mosaicos de esperança e divindade.
Encontrar a tal, a essência que nos define, que nos completa na nossa constante indefinição e incerteza. A alma que abraça os nossos sentidos, mantendo cativo e apaixonado um espírito anteriormente despedaçado por dúvidas trucidantes, por mares tempestuosos atiçando lágrimas cruéis de destruição e sofrimento. Mensagem simples, bebendo da ternura e da pureza de palavras sentidas e vividas, a sua completa e majestosa significação. Deixar soltar um sorriso enfeitiçado, não temer o desconhecido e o desbravar de novas etapas e caminhos anteriormente mantidos na dúvida.
In Retalhos de Sentir - Pequeno livro ainda não publicado da minha autoria
Angústia, desespero. Quando todas as ruas parecem semelhantes. Quando os recantos parecem conter em si rios de sangue e dor jorrando incessantes. Quando o seu sofrimento pincela as paredes de habitações, pincelando as ruelas num tom macabro e sinistro. Quando se exibem tatuagens de caras despedaçadas por seringas nos pavimentos abandonados das estradas. Quando nessas caras se exibem sons de sofrimento pedindo ajuda e compaixão. Quando nas lojas fechadas apenas se entoa um nome em cântico.
In Retalhos de Sentir - Pequeno livro
O leito fundia-se numa áurea estonteante de sedução e loucura, onde polvilhavam dois corpos extasiados de paixão, tentando abraçar um amor parecendo tão súbito, de um poder que poderia ser discutível, de tão impetuoso e profundo. Banhando a atmosfera densa, travada a fragrâncias afrodisíacas e suspirantes, a lua reclamava o seu brilhante posto, desferindo focos de luz divina inundando o espaço, bebendo do silêncio da noite uma magia transcendental que banhava as duas faces, coladas uma a outra, num movimento de adição, lábios cortando o vazio de existências, soltando o grito envolto em loucura extasiante. Moldavam os corpos por entre a tristeza e a desilusão, acariciando um sonho, tentando despedaçar a melancolia e o sofrimento inerente a tanta realidade, a milhares de lágrimas passadas, sal trucidante e opressor. Momento de amor, salivar partilha de fluídos, salutar confidência entoada na melodia da paixão. Culminante suspirar, sussurro de prazer, abraçando o Mundo, rasgando a pacatez e a sobriedade. Loucura consciente, espírito dormente no calor do espaço, no fogo de um respirar que incendiava os móveis, flamejava o quarto numa temperatura infernal. E os olhos de Alexandre suspiravam, como uma partilha sincera perante Ticha, retracto profundo de um enlamear de corpos e essências. Noite pontificada pelo odor de sonhos, suor de amor. Acordes rasgando a apatia e melancolia de um respirar, desferindo punhaladas de energia, desmembrando o silêncio e obscuridade.
In Retalhos de Sentir - Pequeno livro não publicado da minha autoria
O que fazer quando os sonhos se esvaiam num oceano manchado se sangue? O que fazer quando as ondas espumam de dor por uma energia sinónimo do passado? O que dizer quando nos olhos do nosso amor reside um vazio de crenças e de Esperança? Quando no céu se pintam retratos a tons negros invocando uma neblina densa e opressora... O que fazer , o que dizer quando as mãos frias de um Amor invencível , residem sem força numa qualquer calçada mórbida da vida... Que foi o fim, o esquartejar assassino do sonho? Será esta verdade crua e nua de uma canção outrora entoada a plenos pulmões e de essência límpida? Sabem a resposta ? Sabem sentir? Saberão o que é o Amor ? Saberei eu? Ou todos os que dizem que sabem? Como sabem que foi Amor o que sentiram , se verdadeiramente o sentiram? Fora da palavra sentir , fora do dicionário de Português. Mastigando a palavra, fazendo desse sentir escrito , aquele que beija o coração ou o faz chorar. Aquele sentir que molda o nosso corpo e o faz rir ou chorar. Aquele que não se consegue fazer esconder por muito tempo , para que os outros não o descubram, porque assim se quer e se pretende. Saberão vocês se amaram ou amam? Olharam para dentro de vocês no silêncio da noite, num qualquer momento pacífico do dia?
In Retalhos de Sentir - Livro não publicado da minha autoria
É tão triste não querer sonhar, não dar as mãos ao sentimento que entoa ternura, que aquece os nossos corações, incentiva a lutar e a rasgar céus e mares nunca dantes alcançados. Que se faz ? Ignora-se... Ignoram-se os sonhos que abraçam a Vida , que lhe conferem sentido e brilho. Depois queixam-se , hostilizam a existência e a vontade. Não são mais que peões de um jogo de xadrez, manipulados pela força viciada do Meio, são jogados muitas vezes inconscientemente, macabramente com o seu consentimento. Deslocam-se de xadrez em xadrez , de rua em rua , de destino em destino, até serem esquartejados , abandonados no relento frio do perecer corpóreo. Jazem na solidão quente do campo de batalha, com os seus membros apodrecidos, desfiando ao vento quente de recordações. Repletos de mágoa por uma luta que nunca existiu, por uma vontade apagada da memória e agora ressuscitada. Por um amor que nunca tivera partido de seus corações, apenas fora ignorado. Ignorar o Amor é como ignorar a Vida. Ignorar o sonho é o suicídio de todas as almas. Ignorar a nossa força é não admitirmos quem somos, quem podemos ser. Esconder a nossa essência das pessoas, criar refúgios soturnos , entoar melodias vagas e tristes. Não escolher o rumo que sorri para nós , que entoa a Esperança e pede a nossa força para lutar por ele. Não criar asas em nossos corpos desnudados, voando sem destino com o nosso amor. Nada disso interessa. Interessa enganar o tempo, a vontade. Interessa comprar, ganhar, vencer. Quando já perdemos realmente tudo o que nos define. A nossa alma, a nossa Vida, o nosso Amor.
Retalhos de Sentir - Pequeno livro não publicado da minha autoria
"Quando se ama, não é preciso compreender o que acontece lá fora, porque tudo passa a acontecer dentro de nós."
Paulo Coelho
A escuridão da noite assola o meu ser
Cá dentro a essência do vazio rejubila
Dançando incessante ao som de suspiros...
Testemunhos de uma lua porcelânica.
Vagueia o corpo à procura de um destino
Onde o sangue não corra nos rios
Saciando a sua fome de almas.
O frio corta a melancolia de palavras
Melodia inunda a paisagem densa
Um acorde ténue , bailando suave
Como a folha que abandona o seu leito
Dando os seus braços ao vento que a ama
E a faz voar sobre a tristeza e a crueldade...
O que mais dizer ou pensar
Quando o álcool é o único confidente
Numa noite mágica solitária de Verão.
A voz entoa os cânticos que a fazem sonhar
Recordações de um abraço que faz chorar...
Livro da vida , do sentimento puro.
E se o espírito voa, desejo imenso
Tanto para dar... por viver.
Só a tristeza corta o momento de paz
Quando vejo as minhas mãos cederem
À dor de não ter a possibilidade de as dar
A quem amo... neste preciso momento.
A lágrima surge naturalmente
Como a criança que nasce chorando
E o ser que morre. Sonhando...
Comigo apenas o testemunho
De um banho de álcool...
Amarga visão.
"Julgar-se pior que os outros é um dos mais violentos actos de orgulho, porque é usar a maneira mais destrutiva possível de ser diferente."
Paulo Coelho
Gritos cortam o vazio
Sem a autorização necessária
De uma lágrima fria e triste..
Que corta a beleza glaciar do rosto...
Num ápice
Num olhar
Num acto
Num viver.
A chuva cega a sede
A corpos esquecidos e sujos
Que habitam a rua perdida...
Do amor divino.. uno.
Nuvens dançam ao som de trovões
Testemunhas de noites.. de paixões
E desfilando sem parar
Lágrimas sentidas acariciam o mar.
Ó mar salgado que aromatizas o momento
Quanta dor enfeitiçada.. quanto tormento
Me corta a alma doente
Estou triste.. Estou carente...
Não desejo pena, nem compaixão
Apenas liberto a mágoa, a dor
Limpo as feridas ao meu coração
Quero ver o brilho , divina cor.
A espuma do passado desaparece
Dá lugar à vontade , à prece
De querer ser feliz e lutar
Sentir o viver... cantar..
Ó mar salgado que aromatizas o momento
Quanta dor enfeitiçada , quanto tormento
Me corta a alma doente
Estou triste.. estou carente...
Tecer o caminho de glória
Lutar pelo presente, preservar a memória
Amar o que somos e podemos dar
Ser feliz.. novamente sonhar.
"Nós temos sempre a tendência de ver coisas que não existem, e ficar cegos para as grandes lições que estão diante dos nossos olhos."
Paulo Coelho
Lá fora os raios de sol cantam
De um modo doce e divino
Folhas esquecidas dançam
Ao som da triste música.. o meu destino.
Um novo salutar dia emerge
O corpo não resiste... pede compaixão
Frio doloroso, a temperatura desce
Sensação de vazio... triste maldição.
Melodia alada desperta o momento
Justifica-se encarar a vida
O ser procura algo, sedento
Enfrentar a morte, doce sina...
No espelho reflecte-se a imagem
Envelhecida, doente e mórbida
Pede-se perdão, a viagem
Filosofia disforme, melancólica.
Um bilhete doirado para outro mundo
Lugar diferente, majestoso
Onde se possa renascer, sair do fundo
Deste poço enlameado e cavernoso.
Melodia alada desperta o momento
Justifica-se encarar a vida
O ser procura algo , sedento
Enfrentar a morte, doce sina...
A salvação reside no esquecimento
Isolar o ser, o triste momento
Colher as flores que o mundo pode dar
Tentar ser feliz.. talvez amar.
"Os sentimentos devem estar sempre em liberdade! Não se deve julgar o amor futuro pelo sentimento passado."
Paulo Coelho
A criança brinca sorridente...
Cantando melodias ao acaso
Levando consigo a felicidade de existir.
Nas suas mãos repousa o sonho
De passar os dias rindo
Sem preocupações... Sem destino.
A boneca parece responder às suas preces
Confidente fiel companheira de jornada.
Acaricia os seus cabelos sujos...
Tacteando o espaço, procurando encontrar
Aquela que está sempre lá.
O beijo carinhoso capta a pele de borracha
Inunda de uso e dedicação.
A boneca sempre sorri...
Nasceu e morrerá assim...
O ser aproxima-se da criança
Quebra o silêncio que envolve o horizonte
Invade o espaço com o seu olhar
Vazio de sonhos ou determinação
Sem conter em si uma única certeza
Ou esperança no correr da vida.
Tanto silêncio... incomoda falar...
A cidade mergulha no esquecimento
Solta umas palavras.. timidamente
Os seus olhos ferem-se perante a visão
De uma criança comida pela fome
Escorre da sua boca sangue inocente..
Ela sorri..
Continua a amar..
A sua boneca.
O céu agora é outro
Vestido de negro inunda o horizonte...
Carregado de estrelas brilhantes
Doce visão beijando os olhos carregados...
Uma brisa suave respira frescura...
Despindo árvores carregadas de fruto...
Trazendo o aroma da noite divina.
Enfeitiçar o espírito absorto no pensamento...
De poder alcançar tudo o que se deseja
Sem receio de poder cegar, chorar.
A lua fere a visão introspectiva
Com a sua branquisse iluminando a rua
Deserta de movimento e essência...
Esquecida na calma hospitaleira da escuridão.
Tempo de meditar... soltar o sentimento...
Ir na frescura agreste de meditações...
Desejar acariciar uma estrela...
Abraçar o seu brilho, a sua essência...
Poder voar... ao sabor da ilusão
Com asas esculpidas pela paixão do amor
Percorrer a beleza do mundo sem acordar...
Nunca ter fim a viagem do espírito.
Levar-te comigo se assim quisesses...
Caminhar na liberdade da existência...
Respirar o perfume do momento...
Poder sentir...
Poder amar...
E no fim da noite...
Regressar.
Olhar para o céu, ver que não era sonho
Porque ainda estavas...
A meu lado.
"Se admitirmos por nós mesmos que Deus nos criou para a felicidade, teremos que assumir que tudo aquilo que nos leva para a tristeza e para a derrota é nossa culpa."
Paulo Coelho
Surge então a lista das 10+. Este é mesmo por ordem de preferência, o que constituiu um penoso e árduo exercício para mim. É-me mesmo muito dificil ter que escolher por ordem preferencial. Mas ao fim de algum tempo, de gotas de suor, sofrimento, tristeza, dor ( claro que estou a exagerar, completamente! ) :) , aqui vai a listinha.
1º - For you
2º - Careful where you stand
3º - The scientist
4º - We never change
5º - I ran away
6º - God put a smile upon your face
7º - Crest of waves
8º - Don´t panic
9º - Green eyes
10º - Politik
Não posso evitar. Ouço Coldplay e subitamente invade-me uma necessidade louca de falar e debitar mais umas pequenas palavras em relação ao grupo. Embebido pelos acordes da música "Politik", tentarei não tornar-me repetitivo, ao abordar aspectos e temáticas que julgo serem interessantes.
No início, quando o primeiro álbum deles foi lançado no mercado português, confesso que franzi um pouco o sobrolho. Lembro-me até de ter catalogado a música Yellow, como um exercício medíocre de música pop agri-doce. A letra simplesmente não se adequava ao meu ouvido, tendo muitas vezes persuadido um dos meus amigos a não comprar o álbum. É caricato e completamente absurdo, o que muitas vezes fazemos, sabendo de antemão que não possuimos o conhecimento global e suficientemente vasto para criticar algo, da forma como muitas vezes o fazemos.
Ele comprou o álbum. E foi um acto muito feliz, assim como foi o meu de lhe pedir o cd emprestado, para aprofundar a minha crítica e juízo de valor. Engoli cada palavra efervescente no passado, cada timbre negativo solto. Rendi-me à completa evidência, à profundeza límpida e sedutora dos acordes, à beleza estonteante da voz de Chris Martin. O primeiro álbum raptou-me, embebeu-me no seu perfume, deixando-me meses e meses preso a uma ilha, mergulhada em frutos e em essências. Até que não me quis libertar. E ainda hoje assim me encontro, percorrendo espaços e sentires, tentando abraçar letras e melodias. Vivenciando um acorde, uma letra, um respirar.
O segundo álbum pertenceu a outra história. De besta a bestial, este quis ser dos primeiros a comprá-lo. Recordo-me perfeitamente do momento, em que apreciei pela primeira vez as novas músicas, o saciar da minha curiosidade, da necessidade de redescobrir novos sonhos e horizontes. Ainda hoje é presença assídua na minha aparelhagem, e consta que assim irá ser por muito e muito tempo. Coldplay é um caso à parte na música dita "comercial". É, porque vende, e vende muito bem, aparte de ter uma máquina eficiente por detrás, mas também não é, porque é um grupo com letras e músicas belíssimas, as quais apresentam sentires e invocações límpidas.
Hoje fiquei em casa. É sábado à noite e a maioria dos meus amigos está fora, provavelmente mergulhados em álcool e em completos desvarios existencialistas. Calculo eu, é só uma suposição. No entanto, juntar 15 pessoas num T2 à beira da praia, com grades e grades de cerveja e demais bebidas alcoólicas certamente não dará uma sardinhada pacífica a olhar para o horizonte sobre o mar..
Fiquei em casa. E porque não estar com eles, a beber que nem um desgraçado, abraçado a todos eles, cair, levantar-me, entoar cânticos embriagados? Porque não deixar-me tolher pelo completo prisma sedutor de uma noite de prazeres inconsequentes e solturas desenfreadas? Não é o momento. Realmente não é o momento. Sabia de antemão o que iria fazer, como iria reagir... Às vezes sinto-me como que subitamente remodelado. O que gostava tanto de fazer passa para segundo plano, e dou novo valor a coisas que geralmente me passavam ao lado. Escolhi ficar aqui ao pé da minha namorada, do meu amor. Escolhi por mim. Ela não podia ir e fiquei com ela. Não mereço uma medalha nem alta distinção. Nem sequer palavras de apreço ou condecorações. Fi-lo por mim e para mim. E passei a tarde, não pensando no que se poderia estar a passar, no que estariam a fazer e como estariam... Passei a tarde olhando para ela, o meu amor, e conversando. Acariciar de essência, suspiro eloquente, louco, inundado de amor e paixão. E a tarde passou rápida, simples, mas infinitamente mágica e doce.
Agora não posso estar com ela. Escolhi a solidão, até porque todos eles estão lá, fazendo mil e uma coisas. Penso nisso agora, que arranjei espaço. E não me arrependo minimamente. Estou aqui... Talvez vá dar uma voltinha.. Ver a noite e sentir o odor da cidade quando lentamente adormece... Às vezes não há nada como isto, para encontrarmos a verdadeira noção e essência escondida nas coisas.
Os meus amigos retornarão, e terei mais oportunidades para partilhar o meu tempo a seu lado. Esta semana já estão reservados "cantinhos" para usufruir do doce e magnífico valor da amizade verdadeira.
Simplesmente hoje não era o momento. Não era. E fico aqui parcialmente adormecido, sozinho por escolha própria ( mas não triste ), a olhar para uma foto linda, que aquece o meu coração e embebeda ( num sentido mágico ) a minha alma.
O tópico não se refere a músicas "de elevador", mas antes a composições instrumentais. Estão também presentes em muito do meu tempo de lazer e de meditação, e são indispensáveis para um deleite calmo e tranquilo do espaço e da vida. Fica então a última lista ( e é uma promessa ) que apresentarei aqui no blog, desta feita no que diz respeito a músicas ambiente instrumentais. Aqui está o meu top de preferência:
1º - Marcus Viana - Sete Véus
2º - Sacred Spirits - Dawa ( Cradlesong )
3º - Mike Oldfield - Jungle Gardenia
4º - Ennio Moricone - Last of the Mohicans Main theme
5º - Ennio Moricone - Chi Mai
6º - Disney´s Lilo and Stich Soundtrack - Slack key guitar
7º - Indian Vibes - Sitar Jam
8º - Buddhist Meditation Music - Zen Garden - Kokin Gumi - Daylight
9º - Mike Oldfield - The inner child
10º - Irish Celtic - The Hills of Ireland
Tenho que confessar a admiração por uma ousadia quase proibida por parte dos Ena pá 2000 ( e seus "irmãos gémeos" Irmãos Catita ), no que diz respeito ao panorama musical português. Epá, o que é que se há-de fazer, admiro mesmo os gajos! Além disso, apesar das letras das músicas serem o que são ( também é tudo o que estamos à espera ) é de realçar a qualidade instrumental das músicas em si. É caso para dizer que assassinam as próprias músicas, ao levarem-nas de modo completamente hilariante, a patamares essencialmente cómicos e de crítica mordaz e ácida. O vocalista pode-se dizer, é a representação materialista do famoso "Zé Povinho". E é vê-lo, no seu estilo inconfundível, no anúncio do Licor Beirão. :) E fica aqui ( já é vício acreditem! ) o top das minhas músicas preferidas deles.
1º - Irmãos Catita - Drogado
2º - Irmãos Catita - Tango Anti-alcoólico
3º - Irmãos Catita - Cagalhon
4º - Irmãos Catita - Putas em Portugal e no Mundo
5º - Ena Pá 2000 - Puta
6º - Ena Pá 2000 - Fucking Time
7º - Ena Pá 2000 - Colhão Colhão
8º - Ena Pá 2000 - Semi Tango
9º - Ena Pá 2000 - Bacamarte
10 º - Ena Pá 2000 - Droga
Boas músicas para vocês :)
Para contrapor à tristeza vigente em todas as composições da lista apresentada abaixo, surgem então agora composições alegres, que espevitam e nos convidam a mexer, a dançar, a sair à noite e aproveitar o momento! Músicas que contagiam o corpo, minando de sensações de liberdade, uma individualidade. São estas as músicas que me fazem correr para longe de casa, que alegram o meu espírito, convidando a soltar um pouco a alma e a essência. "Cheira-me" que a minha primeira escolha vai provocar alguns celeumas :)
1 - Los Hermanos - Anna Julia
2 - Jim Carrey - Somebody to love ( Da banda sonora do filme "O melga"
3 - Reef - Put your hands up ( Anúncio do Dan´up )
4 - Tribalistas - Já sei namorar
5 - The Doors - Light my fire
6 - Michael Jackson - You rock my world
7 - Red Hot Chilli Peppers - Can´t stop
8 - Michael Jackson - Don´t stop till you get enough
9 - Ben Harper - Diamonds on the inside
10 - Pete Yorn - For Nancy
11 - Pulp Fiction Main theme
12 - Panjabi MC - Mundian to bach ke
13 - Eric Clapton - Cocaine
14 - Heroes Del Silencio - Entre dos Tierras
15 - Pete Yorn - Come back home
16 - Morcheeba - Rome wasn´t build in a day
17 - Kym Mazelle - Young heart runs free
18 - Bruce Springsteen - Dancing in the dark
19 - Irmãos Catita - Tango anti alcoólico
20 - Irmãos Catita - Putas em Portugal e no Mundo
A saga dos tops continua, desta vez remontando novamente ao universo mágico e doce da música. Lendo atenciosamente o blog do Gomezzz de top fives ( muito interessante, merece uma visita diária ) http://top-five.blogspot.com, veio-me à ideia continuar a criar listagens das mais variadas coisas. Assim, embora não o passe a fazer exaustivamente, pode-se dizer que copio ( e é um facto inegável ) a ideia. As minhas desculpas então ao Gomezzz. É só desta vez :)
Vou passar então a apresentar a lista de músicas, que para mim, são as mais depressivas. Não adequadas então para estados de espírito despedaçados, mas contendo nelas uma beleza triste, que adorna os nossos corações. São músicas que convidam a meditar, mas que não escondem a sua tristeza e a sua dor. Ora aqui estão então elas, prontas para se colarem ao ecrã...
1 - Adriana Calcanhotto - Metade
2 - Ivan Lins - Lembra de mim
3 - Beth Orton - This One´s gonna bruise
4 - Jeff Buckley - Lilac wine
5 - Nick Drake - Place to be
6 - Bruce Springsteen - Streets of Philadelphia
7 - Ryan Adams - Sylvia Plath
8 - Coldplay - The Scientist
9 - Whiskeytown - Empty baseball park
10 - Sarah MacLachlan - When she loved me
11 - Radiohead - Let Down
12 - Pink Floyd - Pillow of winds
13 - Starsailor - Way to fall
14 - Eric Clapton - Tears in heaven
15 - Whiskeytown - Easy heart
16 - Coldplay - We never change
17 - Ryan Adams - Wild flowers
18 - Radiohead - No Surprises
19 - Pete Yorn - Simonize
20 - Queen - Love of my life
Como até estou a gostar muito deste exercício introspectivo de selecção, de filtrar preferências, vou continuar, desta vez no universo das séries televisivas. Vai ser o último mosaico de preferências, mas nem por isso menos importante ou significativo. Todas estas séries marcaram uma etapa e um tempo específico, e ainda hoje se mantêm vivas, robustas e com todo o seu significado e carisma dentro de mim. Algumas delas constituem verdadeiros museus, de algo que poderia constituir a minha própria vida, já que na sua matéria escondem variados episódios marcantes. Vou inserir na lista também séries de animação. Ora aí vai então a lista das 10+ desta semana :)
1 - He-man ( animação )
2 - Seinfeld
3 - Millennium
4 - Thundercats ( animação )
5 - X- Files
6 - Missão Impossível
7 - Sport Billy ( animação )
8 - Doido por ti
9 - Ally McBeal
10 - A Balada de Nova Iorque
E se falei de músicas, porque não falar de filmes? São também parte integrante da minha vivência e do meu percurso, e o visionamento de um bom filme por vezes consegue avivar um pensamento, acolher uma meditação sentida e espevitar a essência em novos voos ou patamares. Estes são os filmes da minha vida, os quais provocaram em mim diferentes sentimentos, sensações e perspectivas.
1 - Seven - Sete pecados mortais
2 - Os Condenados de Shawshank
3 - The Green Mile - À espera de um milagre
4 - Monstros e Companhia
5 - Memento
6 - Phone Booth - Cabine Telefónica
7 - Black Hawk Down - Cercados
8 - Aliens
9 - Heat - Cidade Sob Pressão
10 - Pelas mãos do Senhor
11 - Identity - Identidade Misteriosa
12 - Para além do Horizonte
13 - Evil Dead
14 - Copland
15 - O advogado do Diabo
16 - The Doors - O mito de uma geração
17 - Doidos à solta
18 - Insomnia
19 - Magnólia
20 - Embriagados de Amor ( Punch Drunk love )
Como todos nós elegemos músicas de eleição, também temos álbuns que nos marcaram, e que sempre constituirão parte da nossa vida e existência. Aqui ficam então, como complemento da selecção das minhas músicas preferidas, também os álbuns essenciais na minha pintura existencial. Escolhi 20, que representam verdadeiramente as minhas preferências.
1 - The Doors - The Doors (1º álbum )
2 - Pink Floyd - Animals
3 - Radiohead - Ok Computer
4 - Jeff Buckley - Grace
5 - Nirvana - Unplugged in New York
6 - Pete Yorn - Musicforthemorningafter
7 - Adriana Calcanhotto - Cantada
8 - Ryan Adams - Gold
9 - Portishead - Dummy
10 - Coldplay -Parachutes
11 - The Doors -La Woman
12 - Mafalda Veiga - Tatuagens
13 - Pink Floyd - The wall
14 - José Afonso - Cantigas do Maio
15 - Carlos Paredes - Antologia - O melhor de Carlos Paredes
16 - Coldplay - A rush of blood to the head
17 - Radiohead - Amnesiac
18 - Black Hawk Down - Movie Soundtrack
19 - Queen - Innuendo
20 - Jeff Buckley - Mystery White boy
Existem músicas e músicas... Umas são já parte da nossa vivência, respiram e crescem dentro de nós, libertando toda a sua força e suspiros melódicos. São parte do nosso ser, de um processo de descoberta, acompanham um espaço, um tempo, uma necessidade e uma vontade. Essas músicas serão sempre as músicas da nossa vida, porque nos cercam o coração, abraçam a essência e ajudam delicadamente ao deleite do nosso próprio respirar. Deixo então aqui o conjunto das músicas da minha vida, das quais escolhi 30 pérolas, depois de muito exercício e cuidada análise e escolha. De realçar que não é por ordem de preferência que estão listadas, mas apenas para efeitos contabilísticos.
1 - The Doors - The end
2 - Pink Floyd - Dogs
3 - Coldplay - I ran away
4 - Whiskeytown - Empty baseball park
5 - Ryan Adams - Wild flowers
6 - Pete Yorn - Just another
7 - Jeff Buckley - Mojo Pin
8 - Queen - Is this the world we created
9 - Pink Floyd - Shine on you crazy diamond
10 - The Doors - Light my fire
11 - Adriana Calcanhotto - Devolva-me
12 - Pink Floyd - Another brick in the wall - Part II
13 - The Doors - La Woman
14 - Paco de Lucia - Entre dos aguas
15 - Jeff Buckley - Everybody here wants you
16 - Coldplay - Careful where you stand
17 - Lou Reed - Women
18 - Pete Yorn - Dancing in the dark ( Bruce Springsteen´s cover )
19 - Tom Petty and the Heartbreakers - Learning to fly
20 - Extreme - More than words
21 - Van Morrison - Gloria
22 - Pink Floyd - Wish you were here
23 - Radiohead - Paranoid android
24 - Jeff Buckley - Dream Brother
25 - Carlos Paredes - Serenata
26 - José Afonso - Balada de Outono
27 - Mafalda Veiga - Em toda a parte
28 - Bob Dylan - Like a rolling stone
29 - Whiskeytown - Easy hearts
30 - Mafalda Veiga - Cada lugar teu
Foi uma tarefa muito dificil, mas posso afirmar que estão aqui as trinta músicas da minha vida. No entanto, esta selecção peca sempre por ser um pouco rígida, na medida em que muitas outras músicas que gosto ficaram de fora. Mas claro está, as que aqui estão listadas, não poderiam ter ficado :)
Amor é correr sem ter medo de cair, é lutar sem ter medo de desistir... Amor é vida e esperança, é sonho e mudança, é cor e perseverança, é brilho e aliança, é criação... Amor é tudo..Tudo é amor.
Queen - You take my breath away
Ooh ooh ooh ooh
Ooh ooh
Ooh ooh ooh take it take it all away
Ooh ooh ooh ooh - ooh take my breath away - ooh
Ooh ooh ooh ooh
Ooh you take my breath away
Look into my eyes and you'll see
I'm the only one
You've captured my love
Stolen my heart
Changed my life
Everytime you make a move
You destroy my mind
And the way you touch
I lose control and shiver deep inside
You take my breath away
You can reduce me to tears
With a single sigh
(Please don't cry anymore)
Every breath that you take
Any sound that you make
Is a whisper in my ear
I could give up all my life for just one kiss
I would surely die
If you dismiss me from your love
You take my breath away
So please don't go
Don't leave me here all by myself
I get ever so lonely from time to time
I will find you
Anywhere you go, I'll be right behind you
Right until the ends of the Earth
I'll get no sleep till I find you to tell you
That you just take my breath away
I will find you
Anywhere you go
Right until the ends of the Earth
I'll get no sleep till I find you to
Tell you when I've found you -
I love you
Queen - One year of love
Just one year of love
Is better than a lifetime alone
One sentimental moment in your arms
Is like a shooting star right through my heart
It's always a rainy day without you
I'm a prisoner of love inside you -
I'm falling apart all around you - yeah
My heart cries out to your heart
I'm lonely but you can save me
My hand reaches for to your hand
I'm cold but you light the fire in me
My lips search for your lips
I'm hungry for your touch
There's so much left unspoken
And all I can do is surrender
To the moment just surrender
And no one ever told me that love would hurt so much
Oooh yes it hurts
And pain is so close to pleasure
And all I can do is surrender to your love
Just surrender to your love
Just one year of love
Is better than a lifetime alone
One sentimental moment in your arms
Is like a shooting star right through my heart
It's always a rainy day without you
I'm a prisoner of love inside you
I'm falling apart all around you
And all I can do is surrender
Jeff Buckley - Everybody here wants you
Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
coffe smell and lilac skin, your flame in me.
Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
coffe smell and lilac skin, your flame in me.
I'm only here for this moment.
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
How our love will blow it all away.
Such a thing of wonder in this crowd,
I'm a stranger in this town, you're free with me.
And our eyes locked in downcast love, I sit here proud,
Even now you're undressed in your dreams with me.
I'm only here for this moment.
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
How our love will blow it all away.
I know the tears we cried have dried on yesterday
The sea of fools has parted for us
there's nothing in our way, my love
Don't you see, don't you see?
You're just the torch to put the flame
to all our guilt and shame,
And I'll rise like an ember in your name.
You know I, you know I,
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
Let me show that love can rise, rise just like
embers.
Love can taste like the win of the ages, babe.
And I know they all look so good from a distance,
But I tell you I'm the one.
I know everybody here thinks he needs you,
thinks he needs you
And I'll be waiting right here just to show you.
Luís Represas - Feiticeira
De que noite demorada
Ou de que breve manhã
Vieste tu, feiticeira
De nuvens deslumbrada
De que sonho feito mar
Ou de que mar não sonhado
Vieste tu, feiticeira
Aninhar-te ao meu lado
De que fogo renascido
Ou de que lume apagado
Vieste tu, feiticeira
Segredar-me ao ouvido
De que fontes de que águas
De que chão de que horizonte
De que neves de que fráguas
De que sedes de que montes
De que norte de que lida
De que deserto de morte
Vieste tu feiticeira
Inundar-me de vida.
Mafalda Veiga - Cada lugar teu
Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Mafalda Veiga - Em toda a parte
A distância é um fogo
Onde vou chegar
Num abraço fechado
Para te levar
Por campos abertos
Por onde puder
Levar-te por dentro
Pra não te perder
Nem com mil tormentas
Que arrasem o mundo
Em qualquer lado
Onde quer que eu vá
Levo no corpo o desejo
De te abraçar
Em toda a parte
Onde quer que o sonho me leve
Hei-de lembrar-me de ti
Por outros caminhos
Hei-de vaguear
Num abraço fechado
Para te levar
E há uma canção
Que um dia aprendi
Eu hei-de cantá-la
A pensar em ti
Em qualquer lado
Onde quer que eu vá
Levo no corpo o desejo
De te abraçar
Em toda a parte
Onde quer que o sonho me leve
Hei-de lembrar-me de ti
Tribalistas - Velha Infância
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
Da gente brincar
Da nossa velha infância
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só
Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
Da gente brincar
Da nossa velha infância.
Caetano Veloso - Você é linda
Fonte de mel nos olhos de gueixa
Kabuki e máscara
Choque entre o azul e o cacho de acácias
Luz das acácias, você é mãe do sol
A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa e não olha pra trás
Linda, e sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz
Você é linda, mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor que bateu em mim
Você é forte, dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte, letras e músicas
Todas as músicas que ainda hei de ouvir
No Abaeté areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você mulher das estrelas
Mina de estrelas, diga o que você quer
Você é linda e sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz
Você é linda, mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor que bateu em mim
Gosto de ver você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter, sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal
Linda, mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor que bateu em mim
Você é linda e sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz
Ewan McGregor and Nicole Kidman - Come what may ( Moulin Rouge )
Never knew I could feel like this
Like I've never seen the sky before
I want to vanish inside your kiss
Every day I love more and more
Listen to my heart
Can you hear it sings
Telling me to give you everything
Seasons may change
Winter to spring
But I love you until
The end of time
CHORUS:
Come what may
Come what may
I will love you until my dying day
Suddenly the world seems
Such a perfect place
Suddenly it moves with
Such a perfect grace
Suddenly my life
Doesn't seem such a waste
But our world revolves around you
And there's no mountain too high
No river too wide
Sing out this song
I'll be there by your side
Storm clouds may gather
And stars may collide
But I love you until
The end of time
Repeat chorus
Oh, come what may
Come what may
I will love you
I will love you
Suddenly the world seems
Such a perfect place
Repeat chorus
Your Song
Ewan McGregor and Alessandro Safina ( Moulin Rouge )
My gift is my song
And this one's for you
And you can tell everybody
That this is your song
It maybe quite simple
Now that it's done
Hope you don't mind
I hope you don't mind
That I put down in words
How wonderful life is
Now you're in the world
Sat on the roof
And I kicked off the moss
Well a few of the verses
Well they've got me quite cross
But the sun's been kind
While I wrote this song
It's for people like you that
Keep it turned on
So excuse me for forgetting
But these things I do
You see I've forgotten
If they're green
Or they're blue
Anyway the thing is
What I really mean
Yours are the sweetest eyes
I've ever seen
And you can tell everybody
This is your song
It may be quite simple but
Now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind
That I put down in words
How wonderful life is
Now you're in the world
I hope you don't mind
I hope you don't mind
That I put down in words
How wonderful life is
Now you're in the world
Coldplay - Green Eyes ( A rush of blood to the head )
Honey you are a rock
Upon which I stand
And I came here to talk
I hope you understand
The green eyes, yeah the spotlight, shines upon you
And how could, anybody, deny you
I came here with a load
And it feels so much lighter now I met you
And honey you should know
That I could never go on without you
Green eyes
Honey you are the sea
Upon which I float
And I came here to talk
I think you should know
The green eyes, you're the one that I wanted to find
And anyone who tried to deny you, must be out of their mind
Because I came here with a load
And it feels so much lighter since I met you
Honey you should know
That I could never go on without you
Green eyes, green eyes
Oh oh oh oh [x4]
Honey you are a rock
Upon which I stand
Se bem que não tenhas olhos verdes, os teus são ainda mais bonitos..
Tento agora criar um espaço lindo, que iguale a tua beleza, o teu brilho, a tua divindade, a profunda ternura loucamente apaixonante do teu respirar... Sei ser impossível, mas surgem eloquentes, pequenos pedaços de composições embebidas em líricas extasiantes, surgem letras de canções que a ti te dedico com todo o brilho e paixão do meu sentir. És a minha vida e o meu respirar, o ofegante sopro de divindade que cerca o meu corpo e a minha alma, que apaixona os meus sentidos. Me faz viver cada dia como se fosse o último, ao mesmo tempo que me impulsiona a lutar por um futuro, por um espaço e um tempo passado nos teus braços, mergulhado no perfume da tua pele e do teu corpo..
Cada letra representa um pouco do meu sentir, da tua infinita beleza e "riqueza" interior...
Para ti as ofereço e apresento...
Amor é o suspiro de vida que embala o respirar. O sonho que pincela o espaço, alheio à intempérie ou à dor, criando uma miscelânea de cores que resgatam o ser da apatia. Amor é ser, existir, demonstrar a realidade em si inerente. É ser mais que tudo e mais que todos, sem nunca o ser realmente. É estar em si perante si, e nada mais pedir. É reconhecer um coração e um respirar, e preservar tamanha dádiva. E mais importante que tudo, é saber reconhecer um lugar, um desejo e uma divindade. Amar é existir sem nada reclamar, apenas a presença de nós próprios perante a imensidão do Mundo. E reconhecer que tudo o que somos, seremos e fomos, resulta da imensidão, brilho e divindade desse mesmo amor.
Amor é recriar o Mundo, o espaço, ou descobrir o que sempre nos escapou por entre as mãos materialistas. Amor é reconhecer o espírito que nos cerca e embebe a nossa alma. Amor é abdicar de tudo, não temer nada em nome desse sentir. Amor é mais que um sentir. É existir. Amor é o tudo que pincela a obra de arte da nossa vida. É o criador consciente, o artista eloquente, a alma efervescente, a raiva inconsequente, a ginástica circence, que vive, cresce, e alimenta o nosso respirar. Amor é a minha vida, a minha essência, todos os meus sonhos. Amor é Márcia. O meu amor é a Márcia...
Não sei se já referi por aqui, mas eu sou um autêntico fanático por Doors. Mas fanático mesmo! Por isso, tinha mesmo que colocar um post em honra do meu grupo de eleição ( talvez empatado com Jeff Buckley e Coldplay ). E que notícia melhor que um concerto cá em Portugal, do grupo que acompanhou a minha adolescência? Embora, por razões óbvias, não possa ver o Jim Morrison, e também o Robbie Krieger (que não acompanha o John Densmore e o Ray Manzarek, por motivos parcialmente desconhecidos ). Com o vocalista dos Cult ( Ian Astbury ), eles vêm cá a Portugal dias 6 (Sábado ) e 7 de Dezembro de 2003, ao Pavilhão Atlântico em Lisboa. Os bilhetes para os dois espectáculos já estão à venda à algum tempo, e por nada deste mundo irei perder tamanha oportunidade de ver e ouvir muitas das minhas músicas preferidas.
Embora não seja a mesma coisa ( existiram muitas polémicas e assuntos delicados por detrás desta nova tournée, além de não ser o grupo original ), certamente constituirá um grande espectáculo, imperdível e nostálgico. Partilho da opinião que não deveriam utilizar o mesmo nome ( The Doors ), porque o grupo será sempre o original, invariavelmente com Jim Morrison como vocalista e John Densmore como baterista. Para mais informações sobre este evento, consultar a página http://www.atlantico-multiusos.pt/site/pavatl_agenda_01.asp?eventoid=1656
A última parte do post é verdadeiramente direccionada para os verdadeiros fanáticos que por aí andam. Possuo uma colecção significativa de Bootlegs dos Doors, e álbuns oficiais, e se alguém quiser trocar, comprar, vender, que me informe, deixe comentários e contactos, para que se possam fazer todas essas transacções. Tenho uma lista mais ou menos extensa com todos os concertos que tenho, com as mais variadas informações de alinhamento de músicas e outras coisas. Além disso, podem-me encontrar no canal da PTnet #Doors, onde sou operador, e onde podem falar com outros tantos fanáticos e admiradores da banda, alguns deles pessoas verdadeiramente interessantes e simpáticas.
"When the music´s over.. Turn out the lights"
Para quem gosta deste grupo ( eu adoro ), tenho uma pequena sugestão. O grupo já tem um número considerável de páginas na web ( de admiradores e a oficial ), mas numa das minhas pesquisas, encontrei uma verdadeiramente assombrosa! Possui os wallpapers mais lindos que já vi ( acreditem em mim, são mesmo lindos ), um desenho e criação de página espectacular. Além disso todas as informações são viáveis e muito bem apresentadas, possuindo muitos motivos de interesse para uma visita extensiva e agradável. Os wallpapers valem mesmo a pena!
Aqui está o link para os ditos cujos
http://www.hotandcoldplay.com/downloads.html
Fui ver o filme à pouco tempo, e a verdade é que gostei e me diverti imenso. Fico particularmente feliz por ver que, depois de várias tentativas frustradas, os verdadeiros filmes de piratas, divertidos e muito movimentados, surgem novamente na sua máxima força. O filme tem tudo para ser feliz, e consegue-o de maneira extremamente fresca e poderosa. Tem um herói com que nos identificamos ( Orlando Bloom num papel muito bom ) uma donzela em apuros linda e com um charme estrondoso ( Keira Knightley ), tem um anti-herói simplesmente magnífico ( Johnny Deep está estrondoso, com um trabalho de personagem do que de melhor já se viu), e um vilão com suficiente carisma e presença para nos chamar a atenção ( Geofrey Rush ). Além disso a história nunca se torna maçadora ou chata, chamando constantemente a nossa atenção, quer através de apontamentos cómicos bem conseguidos, quer mediante cenas de acção simplesmente estrondosas, onde não faltam espadas, movimentos, magia e cor. Gostei imenso do filme, e espero já ansioso por uma segunda parte, que invariavelmente irá ser feita.
Aqueles tiques do personagem do Johnny Deep estão mirabolantes mesmo, fartei-me de rir ao longo de todo o filme com ele... Ele diz que se inspirou no Keith Richards, dos Rolling Stones, para compor a sua personagem! E realmente, encontrei algumas parecenças! :)
Estava aqui a pesquisar as variadas músicas que tenho, e encontrei algumas perfeitamente estrondosas, as quais gostava de partilhar convosco. Existem alguns lados b dos coldplay, que são simplesmente lindas. Falo por exemplo de "I ran away", de "Crest of waves", " For you", "Careful where you stand" e "I bloom blaum". São músicas espectaculares, que pessoalmente tenho pena de não terem sido inseridas em nenhum álbum de longa duração. Além disso encontrei também uma música belíssima que aparece no filme Shrek, a qual é um original do Leonard Cohen. A música Hallelluiah, cantada no filme por Rufus Wainwright. Existe uma outra versão da mesma música, também ela linda linda, por parte de Jeff buckley. Todas merecem uma audição atenta.
Depois aparecem algumas músicas de Ryan Adams, por exemplo a Blue, e também de Whiskeytown ( Easy hearts, Ballad of Carol Lynn, Empty baseball park, avenues ). Se não conhecem, experimentem uma ou outra, para ver se tem a ver com o vosso gosto e estilo musical.
Li agora que estão interessados em fazer um novo filme do He-man. Sabendo eu da completa idiotice e mediocridade do primeiro filme ( Dolph Lundgreen como He-man, aquele gajo loiro monosilábico, que parece um gorila, que fez de russo quando andou à porrada com o Silvestre, outro rapazito um cadito macacóide ), entrei imediatamente em pânico. No entanto recordei-me dos avanços do cinema, das técnicas recentes e dos fantásticos efeitos especiais que agora povoam os filmes e fiquei um pouco mais descansado ( o anterior filme é de 87, para aí ). Ainda mais contente fiquei com a notícia de que John Woo ( realizador de "O tigre e o dragão" e mais recentemente "Hulk" ), encontra-se interessado pelo projecto, avaliando as possibilidades do mesmo. Muito interessante, sim senhor... Aguardam-se mais desenvolvimentos :)
Fartam-se de falar do álcool, dos seus malefícios, da dependência física que cria, dos problemas que acarreta a sua repetida ingestão. É verdade que é uma coisa muito má e vil, que ataca o nosso fígado, provocando uma completa apatia e por vezes depressões extremamente graves, mas também é verdade que, com moderação ( o que raras vezes acontece, no meu caso ), torna-se um prazer irresistível, um doce e saboroso momento. E não falo nas bebidas finas ( não gosto de Champagne nem de todo o tipo de bebidas doces), ou nas chamadas bebidas brancas ( Vodka é bom, e outras há que também são). Falo sim de um bom vinho tinto nos dias de frio, ou num vinho branco fresquinho nos dias de verão escaldante. Falo de uma boa refeição numa ocasião de festa ( Jantares de curso, de anos, de namorados, de amigos, de companheiros, de família, qualquer coisa! ), regada a um vinho irresistível. É um dos melhores prazeres do Mundo!
Quando não se tem muito dinheiro, olha paciência! Bebe-se uma coisa qualquer, seja ela das colheitas mais horríveis que existam! Nos jantares de curso, por exemplo, não se pode pedir muito, e faz-se sempre o desconto. E aí surgem os malefícios do álcool, juntamente com muita, mas mesmo muita quantidade. Também, uma vez por outra não faz mal,né? Uma desculpa que serve perfeitamente, em todas as situações e variadas ocasiões.
Afinal, o que fazer? Beber para esquecer, ou esquecer o que é beber? Nem uma coisa nem outra. Uma bebedeira uma vez por outra para mim é muito bom. Damos valor aos momentos em que estamos bem ( por lembrar a ressaca horrível ), mas passado algum tempo já temos saudade. E aí voltamos à carga. Não pode é ser todos os dias, ou todas as semanas. Uma vez por outra.. e não vale fazer batota... :)
Gostava de fazer um apelo a todos os que concentram a sua atenção neste post. Vocês, nostálgicos admiradores de uma série que marcou as vossas infâncias, orgulhosos donos de bonecos da Mattel do famoso desenho animado, levantem-se e soltem a voz! Um pouco por todo o Mundo, o que se verifica na Internet, ávidos fãs e admiradores da série, trocam informações, episódios e toda a qualidade de artigos do He-man. Quem partilhar comigo esta pequena paixão ( não é abichanada não senhor, é uma pancada, pronto ), deixe comentários, sugestões de coisas que se possam fazer em relação a este tema. Eu possuo alguns episódios ( 7 do He-man antigo mais a longa metragem The secret of the Sword com a She-ra, e outros 7 do novo He-man que passa na Cartoon Network americana ), e gostava de arranjar ainda mais. Quem tivesse e quisesse, poderia trocar comigo, ou sei lá, comentar sobre este e outros desenhos animados que marcaram toda uma infância e geração.
Estou a falar por exemplo dos Thundercats, do Muppet Show, dos filhos da pantera cor de rosa, do Sport billy. Tantos desenhos animados que ainda hoje perduram na minha memória, conseguindo sobreviver a banhos e mais banhos de álcool :)
Vá, não se acanhem, nem liguem a bocas, mostrem lá o vosso lado nostálgico, e por favor dêem sugestões. Já criei um canal na PTnet, o #He-man, onde se fala de todos estes assuntos, não só dos desenhos do He-man, mas de todos os outros da sua altura que foram também marcantes. Portanto quando quiserem, apareçam por lá!
Porque recordar é viver... :)
Como a minha curiosidade por vezes parece não ter fim, não descansei enquanto não vi a nova série do He-man. Para isso, tive que recorrer a estratagemas não muito honestos ( sacar episódios do kazaa ), mas valeu bem a pena. A nostalgia é algo que se sente tão intensamente. No meu caso inundou o meu sotão, embebida por personagens que povoaram a minha infância, e que agora ganhavam nova cor e diferentes episódios.
A série nova do He-man, pese embora o facto de estar muito bem feita, e de respeitar e resguardar as personagens e os traços principais das mesmas, não consegue fazer esquecer a primeira. Mas eu sou pouco inocente na minha opinião, já que na infância os episódios do He-man eram quase a razão da minha existência. Por isso possuir esta necessidade (quase ) infantil, de rejubilar com a mesma inocência de à muitos anos, que tenho a força também, e estou com o He-man em tudo o que ele faz. Que quero ser como ele, combater os maus, e salvar o Mundo. :) Se tudo fosse assim tão simples...
Aconselho vivamente, e para os nostálgicos comunico agora, que vejam a nova série, e ao mesmo tempo tentem arranjar episódios da velha. É o que tenho feito, e pasmo-me a olhar para o ecrã, embasbacado em como mantenho tanta atenção a olhar para bonecada. Mas não são meros desenhos.. São muito da pintura da minha infância...
Mais um capítulo na novela sobre o novo álbum de Ryan Adams: o cantor acabou recentemente o que deve ser seu próximo lançamento, baptizado de Rock n roll.
O disco já está no calendário da editora para ser lançado em novembro. Acontece, porém, que o "outro novo álbum" de Adams está cada vez mais no limbo.
Há alguns meses, cantor e editora entraram em conflicto no que diz respeito ao álbum Love and hell, que deveria ter sido o novo disco de Adams, lançado no começo deste ano. Enquanto ele estava satisfeito com o trabalho, a editora, Lost Highway, recusava-se a lançá-lo
Agora parece que colocaram panos quentes na discussão, já que ninguém mais se manifestou sobre o assunto. A editora só faz questão de frisar que o novo disco não tem nada a ver com Love and hell, já que Adams entrou em estúdio no meio de julho para as novas gravações.
Love and hell, porém, não deve permanecer inédito por muito tempo. É bem provável que o material seja incluído na caixa de raridades que a editora pretende lançar ainda este ano.
http://www.omelete.com.br/musica/news/base_para_news.asp?artigo=6202
Depois de um impasse entre Ryan Adams e sua editora ,o CD Love is Hell será finalmente lançado. O álbum chegará às lojas na forma de dois EPs, que terão de seis a oito faixas cada.
A editora inicialmente recusou-se a lançar Love is Hell por considerá- lo “inacreditavelmente depressivo”. Segundo o próprio artista, o trabalho soou alternativo demais aos ouvidos da empresa. Por outro lado, os fãs ficaram bastante intrigados com o novo trabalho, já que álbuns "pouco comerciais" são uma verdadeira benção no meio de tantos lançamentos previsíveis que inundam o mercado.
Love is Hell Vol. 1 chegará às lojas juntamente com Rock n´roll, o "novo" trabalho de Adams, no dia 4 de novembro. Love is Hell Vol. 2 tem lançamento previsto para 9 de dezembro.
http://www.omelete.com.br/musica/news/base_para_news.asp?artigo=6373
Segundo a Variety, a Warner Home Video pretende lançar o DVD de Matrix Reloaded a 14 de outubro, três semanas antes da estreia de Matrix Revolutions, o capítulo final da saga, nos cinemas.
O DVD será duplo e o segundo disco será recheado de extras. A ideia de lançar o DVD pouco antes do último filme da trilogia é deixar que os fãs apreciem (e tentem entender) o segundo filme antes de irem ao cinema para assistir à derradeira aventura de Neo, Trinity e companhia.
O vice-presidente de marketing mundial da Warner, Mark Horak, disse que o estúdio espera que Reloaded tenha uma quantidade de vendas igual ou superior à obtida por Matrix: 30 milhões de unidades em DVD e VHS até hoje.
Horak disse também que o DVD de Revolutions será lançado em 2004 e que, alguns meses depois, será disponibilizado uma luxuosa box com os três filmes, mais diversos discos de extras. Todavia, tal produto não será colocado à venda tão cedo. Os irmãos Wachowski, criadores do franchise, terão ainda que encontrar tempo para organizar todo o material e decidir o que deve entrar nessa versão final.
Alguns dos Extras incluídos em Matrix Reloaded:
Preload – Entrevistas com elenco e equipe com cenas de bastidores.
The Matrix Unfolds – Mini-documentário sobre o fenómeno cultural de Matrix.
A perseguição na auto-estrada – Making of da sequência.
O que é Animatrix? - A história e o desenvolvimento de Animatrix.
Enter The Matrix – O making of do jogo de vídeo
A paródia de Matrix Reloaded mostrada no MTV Movie Awards 2003
Get Me An Exit - Publicidade inspirada pelo filme
Weblinks para o site oficial
http://www.omelete.com.br/cinema/news/base_para_news.asp?artigo=5920
Recentemente, foi revelado que Larry e Andy Wachowski, os criadores da trilogia Matrix, estão a produzir, através da sua própria editora, uma luxuosa edição que vai reunir as melhores histórias em banda desenhada publicadas no site oficial da trilogia.
A série de HQs começou em 1999, trazendo grandes nomes da arte sequencial e suas interpretações pessoais sobre o universo criado pelos cineastas. Actualmente, The Matrix Comics já está na sua terceira série online e conta com artistas do porte de Ted McKeever, Neil Gaiman, Bill Sienkiewicz, Paul Chadwick, Geof Darrow, Dave Gibbons, David Lapham e Tim Sale, entre outros.
O livro era uma solicitação dos fãs, ávidos por uma maneira de colocar os quadrinhos de Matrix na prateleira. O primeiro volume da publicação terá 160 páginas e conta com as seguintes histórias:
"The Miller's Tale", Paul Chadwick
"Bits & Pieces of Information", Larry & Andy Wachowski, Geoff Darrow
"Sweating the Small Stuff", Bill Sienkiewicz
"Goliath", Neil Gaiman
"A Life Less Empty", Ted McKeever
"Burning Hope", John Van Fleet
"Butterfly", Dave Gibbons
"There Are No Flowers in the Real World", David Lapham
"Get It?", Peter Bagge
"A Sword of a Different Color", Troy Nixey
"Artistic Freedom", Ryder Windham & Kilian Plunkett
"Hunters & Collectors", Gregory Ruth
A capa do álbum será ilustrada por Geoff Darrow, com cores e arte-final de Steve Skroce, artista que trabalhou nos storyboards dos filmes. Estão previstos quatro volumes de Matrix Comics.
http://www.omelete.com.br/quadrinhos/news/base_para_news.asp?artigo=6278
A Mattel vai trazer de volta sua linha clássica de bonecos, Masters of the Universe. Durante a San Diego Comic-Con, semana passada, a empresa fabricante de brinquedos apresentou o novo design de He-Man quase vinte anos depois da criação da personagem.
Para dar nova vida ao herói de Eternia, foram contratados os Quatro Cavaleiros, um grupo de premiados escultores de brinquedos composto por James Preziosi, Chris Dahlberg, Eric Treadaway e H. Eric "Cornboy" Mays.
De acordo com o site Toonzone.net, um novo desenho de He-Man e os mestres do universo será lançado pelo Cartoon Network norte-americano em agosto.
A Mattel, criadora da série de bonecos articulados que gerou o desenho animado clássico em 1983, revelou que as novas aventuras dos defensores de Etérnia contra o Esqueleto e sua horda de asseclas, começará a ser contada a partir da origem do herói.
O primeiro episódio, um especial com 90 minutos de duração, mostrará o príncipe Adam no castelo de Grayskull encontrando a espada que o transformará no poderoso He-Man.
O novo desenho é mais uma prova do crescente interesse nas séries animadas dos anos 80, que têm obtido enorme sucesso nos quadrinhos com GI Joe, Transformers, Battle of the planets e o vindouro Thundercats.
Além da nova série animada, também estão previstos novos bonecos articulados, jogos de vídeo (o primeiro, para portáteis, foi apresentado na convenção E3 deste ano) e, é claro, uma série de mini-comics que, provavelmente, servirá como termômetro para o lançamento de uma mini-série em banda desenhada.
http://www.omelete.com.br/tv/news/base_para_news.asp?artigo=2751
"Decidi não vender nenhum outro direito para filmes depois do acordo com a Warner Brothers sobre "O Alquimista'", disse o escritor Paulo Coelho, 56, em entrevista à agência Reuters.
O autor afirmou não sentir arrependimento ou receios em relação à adaptação de "O Alquimista", que será assinada e dirigida pelo ator norte-americano Laurence Fishburne. "O que está feito, está feito", disse.
De acordo com a Reuters, a versão cinematográfica do best-seller de Coelho terá como actores principais, a cantora pop Madonna e o actor inglês Jeremy Irons. Fishburne também terá um papel.
As filmagens estão previstas para começar no final deste ano, na Jordânia, e a estréia está programada para 2004. O orçamento da produção é de US$ 80 milhões. "O Alquimista" narra a peregrinação do jovem pastor Santiago pelo Saara, onde encontra o personagem-título.
da Reuters
Tripla missão à vista no caminho de Lawrence Fishburne: a Warner Bros. contratou-o para adaptar e realizar O Alquimista, o best seller do escritor brasileiro Paulo Coelho. O texto narra a jornada de autodescobrimento de um homem, que se indaga sobre o sentido da existência humana na terra enquanto percorre as fronteiras da Espanha, durante a Inquisição. A notícia foi dada em primeira mão pela Variety.
Segundo o site oficial do escritor Paulo Coelho, "O Alquimista" (1988) chegou ao primeiro lugar da lista dos mais vendidos em 18 países e vendeu, até o momento, 11 milhões de exemplares em todo o mundo.
Fonte: Folha on line
As mulheres utilizam a Internet de maneira diferente dos homens, segundo afirmações de um relatório da empresa de estudos de mercado Jupiter MMXI. Esta conclui que entre Fevereiro de 2000 e 2001 o número de mulheres a aceder à Web aumentou 29 por cento e que a audiência feminina se encontra maioritariamente nos mercados mais maduros como a Suécia que alcança 46 por cento, o Reino Unido que obtém 42 por cento, Alemanha e a França que apresentam ambas 39 por cento. Em relação à Itália e à Espanha tiveram as percentagens mais baixas de utilizadoras da Net, 31 por cento e 29 por cento, respectivamente.
Apesar do número de mulheres a aceder à Internet na França, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia, Reino Unido e Suiça totalizar os 25 milhões, o sexo masculino continua a ultrapassar este valor apresentando 40 milhões de utilizadores nas mesmas regiões.
As mulheres espanholas são as que mais tempo passam online - apesar de serem menos a aceder à Net - recaindo as suas preferências nos sites de mensagens instantâneas e partilha de ficheiros. Já as italianas preferem passar a maioria do seu tempo em portais em vez de utilizar aplicações.
Quanto à idade das utilizadoras, com excepção da Alemanha, as mais novas são quem mais propensão tem para aceder à Internet. Note-se que as mulheres alemães com mais de 50 anos passam em média 9 horas por mês na Net.
Embora os homens executem as mesmas tarefas na Web que as mulheres e ainda encontrem tempo para navegar sem destino, esta pesquisa da Jupiter MMXI demonstrou que apesar das mulheres passarem menos tempo online conseguem maximizar mais eficientemente o seu tempo aproveitando para efectuar tarefas como as compras ou o trabalho.
De notar que em Fevereiro deste ano as mulheres europeias passaram cerca de sete horas online, enquanto os homens navegaram pouco menos de dez horas por mês.
Fonte: TEK
Apesar dos “Coldplay”, grupo musical, terem alcançado um notório sucesso financeiro e reconhecimento do público decorrente do seu percurso musical, esse mesmo sucesso não lhes trucidou a capacidade e a limpidez das suas composições, ou as preocupações em compor temas de uma limpidez e beleza acústica extrema, possuidoras de mensagens e de um carisma inexplicáveis, na medida em que apresentam um filtro emotivo e emotivo espectacular.
No entanto, e apesar destas constatações representarem uma realidade cada vez mais escassa, este objectivo não poderá constituir-se como a justificação para a minha crítica e explicação, apresentação do grupo visado. Eles surgem aqui, na medida em que, e salvo algumas excepções, nas composições referentes aos seus dois álbuns já editados, visam nas suas letras poéticas, situações e acontecimentos directamente conectados a questões sociais e humanas, a um processo de descobrimento interior e exterior, perante nós, para nós, perante o mundo e para o mundo. Visam a preservação de relações, troca salutar e consciente de aprendizagens e conhecimentos entre individualidades e essências. Os Coldplay retractam um mundo, muitas vezes renunciando a um horizonte meramente cor-de-rosa, mas afirmando cruamente a podridão que invade os seus mantos, os focos de sofrimento, de melancolia, apatia e fragmentação que polvilham o seu espaço.
Discorrem sobre relações humanas, afirmando a solidão que envolve muitos seres, à medida que elaboram a sua própria visão do espaço que nos rodeia, do desflorar do Mundo e da Natureza. O processo de desenvolvimento interior, a quebra de partilhas e de comunicação com o exterior, o despedaçar de amizades e relações afectuosas, tudo isso representa um caleidoscópio sincero vigente nas suas intervenções musicais. E fazem-no sem qualquer tipo de repúdio ou medo, apenas conscientes da sua intervenção e palavras, envoltas num suspiro terno de verdade e emoção, apaixonante desfiar de essências, sussurros envoltos no vento existencial e filosófico. A título meramente representativo, gostaria de apresentar alguns trechos de uma música específica, para assim melhor apresentar a minha visão e comentário. “I wanna live in a wooden house, and making more friends would be easy”… “Eu quero viver numa casa de madeira, e que seja mais fácil fazer novos amigos”.. É uma parte da música “We never change” do seu primeiro álbum, e parece-me a mim representar uma tatuagem sincera e directa do que anteriormente referi. Um desejo de comunicação, libertar de amarras apáticas e disformes de solidão, abraçar o mundo e o espaço, soltura de palavras e conhecimentos, abraçar de essências. O próprio acto de querer viver numa casa de madeira, como fluir discreto mas límpido de uma motivação intrínseca de paz, fundição com a natureza e os seus mantos, lavar de podridão corpórea e vícios mundanos. Querer viver uma vida e ter amigos à volta, presentes, conscientes, ternos e afectuosos. “We never change, do we?”, “Nunca mudamos, fazemo-lo? É difícil certamente, mas não constitui um marco impossível. No entanto cada vez mais descuramos essa possibilidade, envoltos numa realidade que nos tolhe os sentidos e o discernimento. Darmo-nos aos outros, partilhar acontecimentos e vivências, representa cada vez mais um quadro esbatido e empoeirado no nosso percurso, porque muitas vezes não temos tempo de nos dar a conhecer às pessoas. Ou muito outras vezes, simplesmente não o queremos fazer, receosos de sermos apunhalados pelas costas, abandonados novamente em salas revestidas de solidão e esquecimento. E é tão triste que assim seja...
Para finalizar este ponto específico do comentário, e simplesmente porque não posso comentar minuciosamente cada música do grupo visado, por constituir um exercício quiçá um pouco maçudo e repetitivo, gostaria de apresentar uma outra música, que é somente um exercício espectacular de como fazer ironia interventiva e passar uma mensagem de modo límpido, discreto mas incisivo, e consciente. “Don´t panic”, fala essencialmente dos mantos do mundo, caracterizando as relações entre seres, o estado do Mundo que nos cerca, os problemas e vivências a ele inerentes. “All sinking like stones, all that we fought”, “Tudo a afundar-se como pedras, tudo aquilo pelo que lutamos”. “We live in a beautiful world, yes we do, yes we do” “Vivemos num mundo lindo, sim vivemos, sim vivemos”... Penso não ter que referir muito mais, ou justificar alguma coisa...
O menino de sua mãe”, adaptação do poema de Fernando Pessoa, pela voz e talento de Mafalda Veiga, embebeda os nossos sentidos, abraçando a alma numa viagem que descrevemos quase inconscientemente, quiçá recordando um estudo secundário do poema em questão. E não efectuamos essa viagem de uma forma imposta, mas desejando um voo transcendental, libertando parte da nossa individualidade, pincelando o quadro com as palavras que ecoam no nosso ouvido. Palavras como “cigarreira” , “mãe”, “filho” fundem-se num todo que transmite irreversivelmente uma mensagem simples, mas tão delicada e bonita. O amor de uma mãe perante o seu filho, aquele que vê como rebento, protegendo-o das dificuldades, dos perigos e problemas. Olhando sempre por ele, suspirando no silêncio do lar preces por um amor tão distinto e imortal. Um amor que ultrapassa barreiras corpóreas e temporais, um amor que nos tolhe o coração e a essência, acariciando o nosso respirar e vivência.
E essencialmente, a mensagem que trespassa por todo um discorrer suave de acordes, batimentos suaves e uma voz acolhedora e ternurenta, é um amor de mãe, um amor que ultrapassa todas as dificuldades e atenuantes do Mundo, enlaçando essências e individualidades, perante um sentimento que engole o horizonte com o seu brilho e poder. Infelizmente, quer algumas mães, quer alguns filhos, parecem por vezes esquecer o sentimento que detêm dentro deles, que lhes dita a realidade perante os seus olhos. Outras vezes esse amor é envenenado, por dissertações inconscientes e ditames individuais, acções libertadas em expoentes de loucura. E filhos e mãe separam-se, magoados por acções e sentimentos, sofrendo dolorosamente a perda de algo que nunca terá substituição.
“O menino de sua mãe”, neste caso, como quase todos saberemos, morre no campo de batalha, servindo o seu país, a honra que o banha e dita a sua individualidade. A sua juventude apodrece no campo poeirento, onde a sua cigarreira, dada pela sua mãe com todo o seu amor, preocupação e estima. Ícone robusto de amor sincero, despedaça-se perante a viagem de um corpo, de uma alma e essência. Enquanto isso, a sua mãe em casa suspira pelo seu retorno, conduzindo as suas preces na obtenção desse objectivo nobre e límpido, sinónimo de uma preocupação e de uma tatuagem de sentir.
E quantas vezes perdemos entes queridos, engolidos pela terra e folhagem de plantas, resgatados do pó da Terra e do odor de cidades e ruas. Mas nunca residirá na fotografia estampada na campa, tudo o que foi e sempre será. Encontra-se dentro de nós, no amor que nutrimos, a sua individualidade, essência e alma. Reside em todos que o amam a sua verdade, os seus feitos, a sua beleza existencial. E se quisermos, dentro de nós nunca morrerá.
Sem amor a uma profissão, a um caminho, destino ou objectivo, os mesmos acabam por ser uma sombra oca de uma vida travada sem qualquer tipo de paixão, incentivo corpóreo e individual que nos leva a ser mais e mais. Por nós, por aqueles que estimamos e pelos quais trabalhamos e percorremos caminhos. Para nós e para eles. Sejam eles crianças, jovens, adultos ou idosos. O amor não escolhe idades. Nem a amizade.Sentir, preservar esse calor que invade o nosso corpo e apaixona a nossa alma. Sentimento de amor. Aquele que é aqui entoado com toda a ternura e emotividade. Amor de mãe por um filho que partira com destino incerto. Acabara por ser engolido pela terra e pelo calor de pólvora.
Amor, sentimento nobre por excelência, tal como a amizade. Amizade pincelada em tons tristes e melancólicos no quadro sinistro e depressivo, mas extremamente lindo e sentido, “Balada de un soldado”. Uma adaptação de Mafalda Veiga de uma outra música, de um autor espanhol desconhecido, onde a tons negros e sinistros, se relata um desabafo de um filho para uma mãe, onde este diz que acabara de matar o seu melhor amigo de infância na guerra. Amigo, companheiro de escola, companheiro de brincadeiras e de sonhos, agora morto por uma rajada de espingarda cuspida da força do seu braço, da sua vontade. “Madre, you quiero morir”, diz, para poder ir para o céu encontrar o seu amigo, continuar a partilhar vivências e sonhos, horizontes e perspectivas. Soltar abraços calorosos, gritar individualidades, repousar o corpo olhando as nuvens, recuperando a inocência de uma infância que já é tão distante.
Aquele soldado inimigo era o seu amigo José, aquele com que tanto tivera brincado de soldados e trincheiras. E agora, no presente, a inocência límpida e pura tivera dado lugar a uma realidade muito mais negra e tenebrosa do que alguma vez tivera imaginado. O céu que outrora se apresentava celeste e de um azul apaixonante, era agora manchado de lágrimas espessas de sangue podre e putrefacto, onde as nuvens declamavam odes robustas de depressão e sofrimento.
Quantas vezes a vida se veste destes contornos nus e crus, desferindo punhaladas disformes e esquartejantes em nossos rostos e individualidades? Quantas vezes nos encontramos repentinamente, na pior situação possível, vendo quem tanto amamos e preservamos, balançando no ténue fio da vida, ou então partindo sem um último adeus, e só nos apetece libertarmo-nos das amarras de vida e correr junto a eles? Ou somos engolidos por um obstáculo, barreira despedaçante e opressora que mal nos deixa respirar, impedindo uma progressão do nosso caminho corpóreo e existencial? Tudo o que pensamos é uma desistência que nos liberte do sofrimento, da dor e da amargura.
A amizade, suspiro terno e límpido abraçando o Mundo numa união de seres e almas, não vê idades, sonhos e culturas. Não se importa com questões raciais, hostilizando qualquer tipo de preconceito ou desprezo, rótulo social ou profissional, ideologia ou filosofia. A amizade e o amor sentem-se dentro de nós, acariciam partilhas e aprendizagens, espírito de entre ajuda e presença física e espiritual. Desenham um traço límpido de compreensão e estímulo, liberdade e incentivar de individualidades e essências.
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas de lado a lado -
jaz morto e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! Que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
"O menino da sua mãe".
Caía-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira alada
Ponta a roçar o solo
A brancura embainhada
De um lenço ...Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo e bem!"
(Malhas que o Império tece!)
Jáz morto e apodrece
O menino de sua mãe.
Parado e atento à raiva do silêncio
De um relógio partido e gasto pelo tempo
Estava um velho sentado no banco de um jardim
A recordar fragmentos do passado
Na telefonia tocava uma velha canção
E um jovem cantor falava na solidão
Que sabes tu do canto de estar só assim
Só e abandonado como o velho do jardim?
O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes eu acho que todos fogem de ti prá não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem como tuUm velho sentado num jardim
Passam os dias e sentes que és um perdedor
Já não consegues saber o que tem ou não valor
O teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
Para dares lugar a outro no teu banco do jardim
O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes eu acho que todos fogem de ti prá não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem como tu
Um resto de tudo o que existiu
Quando forem como tu
Um velho sentado num jardim
Este “post” representa um manifesto sentido e consciente, representante fiel de uma realidade pela qual luto e acredito a cada minuto do meu respirar, contra aulas que punem um indivíduo, uma alma, pela maneira como sente e vê as coisas. É um desabafo perante tantos professores que teimam em esquecer o verdadeiro significado da sua profissão, a filosofia que um dia banhou as suas faces e o seu discorrer de pensamento. Olvidam a sua essência e o seu espírito, debitando ensinamentos, conhecimentos e sabedoria de um modo oco, vago, despreocupado e distante. E obviamente, isso repercute-se, no odor suave da vida, troca de experiências e na obtenção do conhecimento e saber com sabor, adocicado, saboreado com prazer e dedicação pelos alunos. A individualidade trucida-se, os conhecimentos sentidos, presentes em almas e essências são completamente ignorados, elevando-se apenas um conhecimento técnico ( que obviamente será sempre necessário e indispensável ), mas que mais nada defende senão um débito inconsciente e não fundamentado de elementos enciclopédicos. E estes encontram-se tatuados em folhas de teste, em folhas de exercícios, isso não representa qualquer tipo de dúvida. No entanto morrem na mesma folha, sendo esquecidos por quem os decorou, esquecendo-se a paixão de uma aquisição, a conquista do sabor de um conhecimento e ensinamento. E ali morrem apodrecidas as folhas, contendo tanto e tanto conhecimento enciclopédico, quando ao longo da vida surgem obstáculos e problemas trucidantes, encontrando-se o ser depois impotente perante essa realidade, não possuindo a autonomia, o enriquecimento metafísico para contrariar o caminho em que se encontra mergulhado, repleto de dor e sofrimento.
Não hostilizo quem utiliza este método de estudo, nem sequer tenho o direito de o punibilizar. No entanto penso possuir o direito de o contestar, de referir que o mesmo esconde de nós próprios a percepção real do verdadeiro e sentido conhecimento, daquele que nos molda e faz crescer, perante nós e perante a vida.
Representa primordial importância o acto de sentir, com toda a alma e essência, em tudo o que fazemos e efectuamos, para que desse acto resulte um manifesto sentido, apaixonado e participado de parte de nós, uma representação fiel de ensinamentos, perspectivas, realidades e conhecimentos gerados da nossa acção, do nosso amor por uma causa, de um trabalho elaborado com todo o esforço e dedicação, conhecendo o objectivo límpido e brilhante por detrás de todo esse processo. O nosso desenvolvimento, a aquisição de competências técnicas, práticas, teóricas e humanas. O crescimento individual e grupal, a consciência perante nós próprios da realidade por detrás de tantos conceitos e teorias, de tantos chavões presentes nos claustros da vida. Palavras como solidariedade, partilha, comunicação, entre ajuda, respeito pela diferença e pela cultura, liberdade, amor, amizade, troca, deixam de ecoar apenas em dicionários, ou de germinarem somente em textos líricos e poéticos. Passam a fazer parte indistinta da nossa vida, recebendo a totalidade de uma percepção límpida. Passam a povoar as nossas vidas com outro ímpeto, outro poder e outra divindade. Deixam de ser meras palavras, abraçam o acto de sentir e formulam energéticas, um caminho, uma acção, um pensamento.
No dicionário, na enciclopédia, compreendem-se os termos. Adquirem-se novos conhecimentos dos mesmos. Mas não se adquire o sentir, o brilho, a força que os mesmos ostentam. Não se adquire a experiência de vida, a paixão por uma causa, por um trabalho, por um crescimento e desenvolvimento interior. Não se adquire o calo de vida, as competências práticas.
Aprendi muito com Homens e Mulheres, que embora distintos de mim, quer na maneira de pensar quer de agir, representam traços individuais que nunca poderão ser hostilizados ou desprezados, porque constituem um sentir que lhes pertence a eles, que defendem à sua maneira. Os conhecimentos que emanam são também eles importantíssimos, e não são inferiores ou superiores aos meus. Por vezes o conhecimento de vida cimenta um conhecimento académico, profissional, porque desbrava terrenos onde o sentir representa papel primordial para uma correcta percepção e entendimento. E isto constitui um aspecto de extrema importância para todo um discorrer de vida, uma troca de saberes, um caminho profissional e humano em busca da concretização de objectivos e sonhos. É muito importante, primordial aliás, que sintamos o que fazemos, a cada respirar ou tatuar de tinta que se solta. Porque se o fizermos, sem sombras disformes de falsidade, este facilmente se identifica, a cada traço do nosso percurso, a cada pincelada que deixamos presente na outrora virgem folha de papel.
Assim como se encontra presente em cada acto de soltamos apaixonadamente, quer convivendo com outras pessoas, quer no silêncio introspectivo em que nos mergulhamos, na melancolia reconfortante da noite. O sentir, mais que uma palavra, é um acto de vida. Constitui a representação inequívoca de uma individualidade, de uma alma e essência, que nunca poderão ser hostilizadas ou desprezadas. Deverão ser valorizadas e respeitadas, pela sua diferença, pelo seu valor, pela sua existência e visão da vida e perante a vida.
O sentir encontra-se tatuado no odor do Mundo. Poderá ser numa casa, num acto apaixonado, no soltar de um timbre invocando a mágoa de uma vivência, num complexo desportivo, numa sala de aula, num trabalho. Mas é tão raro nos dias que correm, representa uma realidade tão hostilizada ou temida. Por vezes, é muito mais fácil decorar deixas inteiras, ou dar uma aula apenas soltando palavras e conhecimentos, sem uma preocupação perante um entendimento e um enriquecer metafísico e individual.
O sentir, a apaixonante descoberta de novos paladares e sabores decorrentes de ensinamentos, teorias e percepções, constitui tatuagem rara, unicamente porque as pessoas não param para pensar perante as suas próprias vidas, motivações e traços de percurso. Porque não contemplam o seu percurso, a repercussão do mesmo, os objectivos que alcançaram e pretendem alcançar, os obstáculos que já despedaçaram e os que pretendem destruir. Porque por vezes não parecem respeitar a individualidade presente em cada um dos seus alunos, as suas próprias motivações e enquadramento introspectivo e metafísico. Esquecem o que defendem nas suas palavras, tatuado em ensinamentos e conhecimentos que debitam automaticamente em suas aulas, alheios a um erro que teimosamente cometem a cada soltar lânguido de som. E seguindo o percurso das aulas, são engolidas por um poço soturno, o qual lhes cerca o espaço de acção, contribuindo para uma repercussão dos mesmos erros, ausência de expressividade, amor e paixão nas suas palavras, acções e ensinamentos. O que dizem parece oco, distante, opressor e desprovido de qualquer densidade e intimidade lógica. É oco, nu de qualquer paixão ou desejo de aquisição, flutuando no odor da sala de aula, sem que ninguém se sinta motivado para o colher. São frutos apodrecendo nos soalhos, sementes que nunca chegam a germinar, porque no acto de plantar, nem um pequeno foco de paixão se soltou no ardor do momento, na elaboração da acção, no desenraizar do percurso.
Mais importante que tudo, surge a paixão, o sentir, a elevação da essência, alma e individualidade. Mais importante que tudo, representa a defesa acérrima de valores, aprendizagens, conhecimentos, que banham um ser, que o moldam na sua enormidade existencial e metafísica. Ao partilhar parte de si próprio, embebido em mantos de paixão, proximidade, amor perante um percurso que escolheu para si, que escolheu comunicar atenciosamente com Homens e seres seus semelhantes, o professor está a apresentar perante o Mundo a sua alma, a sua essência, a limpidez de conhecimentos, de perspectivas. Está a estimular os outros a darem tudo de si próprios, cientes de um conhecimento e de um caminho que potencializará a descoberta de competências, de valores, perspectivas e ensinamentos. A aprendizagem consciente, com sabor, a aquisição de força de espírito, motivação e vontade, para criar um destino e um percurso moldado da própria individualidade, combatendo focos disformes de apatia e desilusão, despedaçando obstáculos opressores e lânguidos.
Estará, não a debitar algo que lhe é distinto ou apenas constituirá presença por pretensa aquisição académica, mas a partilhar saberes, perspectivas, parte de uma paixão e envolvimento perante uma vida e conhecimentos que partilharam o seu percurso existencial. E fá-lo-á consciente da individualidade dos seres que partilham consigo um mesmo espaço, quer físico quer espiritual, conhecedor das limitações, dos limites, do enriquecimento introspectivo e metafísico decorrente das suas acções. Preocupado com o seu objectivo legítimo, límpido e puro, que dita a enormidade existencial das suas palavras e partilhas. A que se apresenta como a realidade vincada, de que a aprendizagem e conhecimento apenas pactuam harmoniosamente, com o desejo, a autonomia, o sabor e o paladar decorrentes de uma prática vivida, consciente, parte de uma essência e individualidade.
O discurso narrativo, de contornos poéticos e extremamente líricos, apresenta-nos a história de dois irmãos, vivendo num habitat existencial e filosófico semelhante, os quais defendem afincadamente a superioridade cabal da raça branca em contraposição com as demais. Aliás, levam a sua posição a contornos profundamente radicais e condenáveis, na medida em que usam e abusam de presença física para fundamentar as suas teses e a ideologia que lhes banha a percepção existencial. Para eles, as demais raças, principalmente a negra e a amarela, vive do aproveitamento de oportunidades e benefícios que deveriam ser unicamente usufruídos pela raça branca, e por isso beneficiam de algo que não merecem e que não pertence a um horizonte vivencial.
Este aspecto constitui uma realidade importante, susceptível de ser cuidadosamente abordada e comentada, na medida em que cada vez mais no Mundo que cede a sua habitação a todos nós, pontificam sementes de discórdia, ódio e sofrimento decorrente de uma separação entre culturas, ideologias e raças humanas. Muitas vezes estes aspectos originam repercussões gravíssimas na integridade e desenvoltura de um indivíduo, na sua liberdade e expressão, comunicar com os demais e estabelecimento de uma interacção saudável e participada. Ao longo da história reconhecem-se inúmeros casos de preconceito racial, verificando-se evidências gravíssimas decorrentes de actos egoístas, egocêntricos, opressores e selváticos. Todas as culturas são distintas, e isso constitui uma realidade inegável. Assim como que, necessitam de enquadramento teórico e ideológico para serem compreendidas perfeitamente no seu todo e habitat natural. Muitas vezes reclama-se a superioridade de uma cultura perante a outra, assim como de uma raça, quando não existem raças nem culturas inferiores ou superiores, em relação umas às outras. Urge atingir uma compreensão, uma procura de entendimento entre diferentes perspectivas, usos e costumes identificados e nados de uma determinada cultura.
É importantíssimo um conhecimento preciso destas realidades, para uma partilha comunicada e harmoniosa de povos, para um conhecimento límpido e consciente, banhando o horizonte de trocas e perspectivas decorrentes de modos diferenciados de estar perante o mundo, de agir e comunicar. Não poderemos esquecer que a cultura que nos banha, a qual foi recebida ao longo da nossa vivência e interacção com o Mundo e a nossa família, é algo que nos é indistinto e de extrema importância, mas não constitui uma realidade global, algo superior que nos define e eleva. Como a nossa cultura é importante para nós, para a nossa comunicação e vivência, também é para os diferentes povos, que tal como nós, a defendem e transpiram através dos seus actos e perspectivas de vida, usos e costumes caracterizadores da mesma. Teremos que entender essa diferença, não como inferioridade cultural ou ideológica, mas como um aspecto e caracterização própria e indistinta dessas pessoas. Assim como a tonalidade da pele e diferenças físicas nunca poderão ser justificação para uma pretensa inferioridade ou propicidade a actos inconscientes e opressores.
O filme aborda estas temáticas de modo consciente, sincero e puro, apresentando uma pintura triste e lânguida, de como a indiferença, desprezo e racismo poderão conduzir um homem a um processo de autodestruição e desmembrar do seu processo de desenvolvimento, partilha e comunicação perante o Mundo e para o Mundo. Alimentando-se de um ódio injustificado e incoerente, concentrando toda a sua força na defesa de valores gastos, ocos e disformes, a personagem de Edward Norton trava uma batalha vazia de sentido, de fundamentação teórica e existencial. A sua raiva apenas lhe fomenta o vazio de sonhos e perspectivas, a ausência de um horizonte onde cresça a partilha e a comunicação de ensinamentos e perspectivas com verdadeiro valor humano, embebidas em cariz existencial propenso a um combate consciente, autónomo e harmonioso.
Tendo tido uma adolescência onde os valores defendidos pelo seu pai, bebiam dessa indiferença e racismo as raízes geradoras fundamentais, fora parcialmente influenciado por essa realidade que lhe pincelou essa fase do seu amadurecimento e desenvolvimento intelectual e físico. Aliado à existência e partilha de espaço e de opiniões com outras más companhias, seguiu um rumo de ódio, desprezo, combate oco e trucidante em defesa de valores que, numa análise consciente e sincera, representavam tudo aquilo dispensável e originário de tristeza, melancolia e solidão. O seu irmão mais novo, fascinado com a sua força, com defesa tão “apaixonada” de valores e perspectivas, adopta para si o mesmo caminho, acompanhando o seu irmão, quer num percurso físico quer intelectual, tatuado na partilha das mesmas ideologias, vivências e carácter filosófico.
O percurso dos mesmos vai ser grandemente influenciado pelas suas escolhas, razão argumentativa do discurso ideológico e consciente do filme, que percorre de modo cuidadoso, sentido e límpido, as repercussões e consequências dos actos dos dois irmãos, ao mesmo tempo que apresenta uma tatuagem triste e melancólica dos actos de desprezo e intolerância racial, alicerçados num trucidante despedaçar de essências e individualidades, que possuem todo o direito a defender a sua raça e as suas perspectivas, vivências, conhecimentos e ensinamentos. A cultura, ideologia e raça nunca deverão ser alvo de contestação ou repúdio, se os usos e costumes pincelados na mesma não atentarem contra liberdades e integridade pessoal e individual dos indivíduos, pertencentes ou não a esse habitat cultural e racial.
Eu adoro a Lipton. É nossa amiga porque nos ajuda em momentos capitais. Quando vamos para a borga, nos divertimos imenso, inundados de álcool derivantes de um mosaico de bebidas diferentes, geralmente esquecemo-nos do dia seguinte. Isso não interessa, porque o momento presente tem que ser desfrutado. Tradução, no momento presente podemos beber tudo o que quisermos. No outro dia acorda-se com uma sensação horrível de mau estar, aliada a uma necessidade estonteante de comunicar com a sanita da casa de banho. Aí, quando tal coisas acontecem, recorro à ajuda da minha amiga Lipton, cujo chã de limão é um óptimo aliado no nosso combate contra a ressaca.
Estamos a meio da tarde. Uma das que minaram o nosso Verão, infelizmente desvastado por fogos e crueldade humana ulterior. O suor parece um riacho, cujo leito se encontra mesmo na nossa cabeça. E sentimo-nos completamente derretidos, parecendo quase incapazes de nos movimentar um pouco. Aí, sento-me um bocadinho num café e peço um Ice Tea de Manga. As energias flúem no meu corpo, ajudando-me lentamente a recuperar e a diminuir um pouco a quantidade de água na minha face.
Ice Tea de Manga é muito bom. Eu gosto. Tem aquele sabor diferente, sem ser realmente diferente. A lipton é nossa amiga. Geralmente inventa ou inova seja o que for, e todas as outras vão atrás ( por exemplo o Chá Verde, que eu, pessoalmente, não gosto nada ). A Lipton é uma iluminada, antecipa os movimentos e acerta em cheio nas necessidades dos consumidores. Acertou em cheio no Ice Tea de Manga. O de Pêssego passou para segundo plano e o de Limão é apenas uma ténue miragem, cuja escolha nunca coloco. Limão, só em chã quentinho mesmo, nos momentos que necessitamos de ajuda, quando o fígado se ressente da noitada.
Como a tradução para português desmistifica claramente, trata-se efectivamente de uma história de amor, embora esta não se pactue em elementos e evidências consideradas “normais”. Não que se trate de uma atitude de hostilidade ou repúdio, mas porque constitui uma realidade que não pode ser de todo, considerada como habitual numa sociedade cada vez mais defensora da indiferença, desprezo e repudia por tudo o que se depare como diferente. Diferença muitas vezes é conectada a inferioridade, a mediocridade, imaturidade e desconhecimento intelectual e humano. O egocentrismo engole os claustros do sentir e do saber estar, e cada vez mais as pessoas olham para o seu próprio umbigo, despreocupando-se com os outros, com as pessoas que os tiveram ajudado anteriormente. Posteriormente sofrem na pele a injustiça que outrora cometeram, e aí deparam-se com a despedaçante e soturna realidade que moldara a sua percepção e relação com os demais.
O filme apresenta-nos a personagem de um deficiente mental, com a percepção e inteligência física comparável a uma criança de 7 anos, que educa sozinho a sua filha, já que a mesma tivera sido abandonada pela sua mãe, logo que esta tivera nascido. Embora ciente das suas limitações, Sam ( Sean Penn ), procura com todo o seu carinho, pureza de alma e de espírito ajudar a sua filha e oferecer-lhe tudo o indispensável para o seu crescimento humano, intelectual e corpóreo. Embora vivendo um handicap considerável, ele educa a sua filha com todo o amor que embebe a sua essência e alma, tornando-se esta numa criança saudável e inteligente, comunicativa e alegre. Esta, apercebe-se das limitações intelectuais do seu pai, e este aspecto irá constituir um grande problema, na medida em que a mesma intencionalmente se deixa atrasar na escola, em termos de matéria, para assim não possuir mais conhecimentos do que o seu pai. Assim que conhecem e se apercebem desta realidade, os serviços sociais retiram a criança de seu pai, contra a vontade dos dois, iniciando-se um processo judicial que irá resgatar das malhas do sentir verdadeiro e terno, da simplicidade e pureza de sentimentos e invocações corpóreas, a força da realidade e da verdade nítida e afrodisíaca, ajudando a uma descoberta entre seres e perspectivas, a uma compreensão perante a diferença, quer intelectual quer metafísica, ao mesmo tempo que eleva o sentir para um patamar indestrutível, quer a nível de cobardia humana, quer a nível de pretensos dogmas educativos e culturais.
A escolha deste filme como alvo de comentário deve-se essencialmente ao facto de apresentar uma questão consciente, mas de ténue avaliação. Deverá um pai deficiente cuidar conta da sua filha, quando porventura esta se poderá ressentir dessa realidade? Deverá este, possuindo o conhecimento e percepção intelectual equivalente a uma criança de sete anos, conseguir oferecer um futuro digno a sua filha?
São questões delicadas, para as quais, a título individual, possuo resposta que penso conseguir justificar seguindo uma linha mental de raciocínio e de evidências vivificadas no suor do Mundo.
O amor, deparando-se como o condimento divino, límpido e essencial para a educação de uma criança, ajuda a desbravar problemas trucidantes e concretizar de objectivos, abraçar de um desenvolvimento motor e filosófico da própria criança, ao mesmo tempo que eleva a sua educação a níveis de estimulação grandiosos, a uma partilha de vivências e sabores. O amor de um pai por um filho é inigualável, porque foi gerado de si, é parte de si, a representação da sua divindade perante o Mundo e perante o espaço. É um ser moldado também do seu amor, da sua presença e do seu desbravar corpóreo em busca de uma identificação pessoal. Não pretendo aqui criticar ou melindrar a situação de adopção, na medida em que acredito que as pessoas que o pretendam fazer, saibam amar e o sintam como parte indistinta da sua presença no Mundo. No entanto, quando um pai ou uma mãe amam o seu filho, não o abandonando, mas suportando-o em tudo o que fazem e sentem, tentando proporcionar a este um crescimento saudável, equilibrado e afectivo, pese embora o facto de possuírem limitações mentais ( que não coloquem em risco a integridade da criança, obviamente ), não deverão estes ser “recompensados” pelo seu amor? Pela sua presença e distinta acção, conduzida da paixão que envolve as suas essências e acções, que passa sobretudo por preservar e defender um ser gerado deles, o qual se apresenta como justificação límpida para o continuar de um percurso de vida, fio condutor existencial. E essa recompensa passa efectivamente por um resguardar de suas individualidades também, de uma valorização intrínseca da sua alma, da nobreza de espírito que lhes molda o discernimento e a percepção perante o mundo.
Sam tem plena consciência das suas limitações, do atraso que lhe banha a percepção sensorial e corpórea. No entanto ama no limiar do sentir a sua filha, desejando arduamente que esta se torne cada vez mais inteligente, ao ponto de a estimular a aprender, não ficando para trás, fazendo aquilo e lendo aquilo que ele gostaria de ler. Lutando arduamente, despendendo todos os esforços concentrados na sua força de espírito, arranja um trabalho enquadrado nas suas possibilidades, de modo a oferecer uma qualidade de vida propícia a um desenvolvimento salutar da sua filha.
Viu-a crescer, acompanhou os seus períodos de choro convulsivo, doenças lânguidas atormentando o seu respirar outrora harmonioso. Partilhou momentos, alguns ensinamentos e perspectivas. Apresentou a sua visão do Mundo, obviamente imperfeita, mas moldada de um sentir límpido e belíssimo. Sentir esse aliás, que irá despontar em todos aqueles que o rodeiam, uma nova percepção de suas identidades, motivações e estímulos, ao reconhecerem a integridade espiritual e o enorme coração que lhe banha as palavras e acções. Sam luta no limiar das suas forças e do seu sentir, por um amor e paixão que constituíram parte indistinta de uma etapa da sua vida. Que ele não esquece, abraçando com todo o seu suspiro terno e adocicado. Etapa essa que ele jamais pretende abandonar, a tarefa de pai e companheiro presente, querendo ajudar a ultrapassar problemas, a contribuir para um crescimento saudável da sua filha.
Como tivera referido anteriormente, trata-se de um assunto extremamente delicado, e obviamente, deverá sublinhar-se que infelizmente estes casos não constituem sempre realidades semelhantes. Poderão tratar-se de pessoas com deficiências mais vincadas e/ou problemáticas do que a retractada no filme, e logicamente, aí a situação surgirá com novos contornos e inserida em novos parâmetros e aspectos que urge avaliar com rigor e precisão.
No entanto, e comentando apenas a situação apresentada no filme, esta elucida uma tatuagem límpida de sentimentos, motivações e impulsos de um homem, resgatando da sua alma e essência a força que lhe molda o espírito, procurando recuperar a tutela e a presença da sua filha, adocicando os seus dias e justificando a sua presença num Mundo que cada vez mais hostiliza e repudia a sua diferença, contribuindo para um mergulhar numa atmosfera de solidão e isolamento.
A sua única motivação para um respirar diário, alimentado da paixão e do amor que sente cada vez mais crescer, portentoso e límpido dentro de si, bebe da face e da presença da filha no seu horizonte vivencial, a principal justificação. E concentra todos os seus esforços, tudo aquilo em que acredita e sente banhar-lhe a face e o suspiro de vida, para a concretização do seu sonho, límpido e brilhante, reclamando uma presença e a vitória de um amor, de um espírito paternal belíssimo e imortal.
A intergeracionalidade, como constantemente tenho abordado e referido, mais que um conceito boiando em palavras e frases correctamente articuladas e fundamentadas, consiste num sentir e num abraçar de essências, individualidades e partilhas. Na preservação e defesa de um amor, amor esse que se encontra tatuado tanto na vida, como no simples acto de comunicar, aprender e interagir com os outros, que poderão ser diferentes ou semelhantes a nós, compreender e defender a diferença como parte indistinta do habitat corpóreo e espiritual de um individuo. E neste filme surge-nos vincada a ideia e o paradigma da diferença como espectro da indiferença, do egoísmo expressivo derramado no desprezo trucidante, opressor e lânguido. Não está em causa a condenação de pessoas, o seu modo de vida e os valores que defendem. Está em causa o direito à diferença, a necessidade que muitas destas pessoas manifestam de se sentirem amadas, preservadas e defendidas na sua integridade pessoal, o que muitas vezes, infelizmente, não acontece. É de referir que muitas delas, mantêm intactas dentro de si uma multiplicidade de conhecimentos e ensinamentos que são rigorosamente menosprezados e enterrados, sobre a pretensa inferioridade que lhes banha a vivência.
A troca de conhecimentos, o saber estar e a vivência sentida e límpida perante as coisas e acontecimentos, não é caracterização única de certos homens e culturas, ou ideologias. É uma realidade que constitui um mostruário global, constituindo esta evidência um aspecto muitas vezes negligenciado por tantos, que o demonstram através das suas atitudes sem fundamento e disformes. A intergeracionalidade surge como demonstração cabal, acção prática de uma teorização consciente, reflectida e límpida. É possível, sendo estimulante, foco de desenvolvimento interior e metafísico, a troca de conhecimentos, perspectivas e ensinamentos entre pessoas diferentes. A comunicação salutar alicerçada na partilha de sonhos e vivências, criando no ser um novo horizonte, fomentando um libertar do seu suor existencial, vincado no seu derramar sincero de sentir, de estar e participar em algo que faz parte indistinta dos traços carregados da vida.
Sam possui diferenças assinaláveis. Tem dificuldades em comunicar o que sente, e por vezes é mal interpretado pelas pessoas que lhe cercam o aroma de sentir. No entanto capta a essência das mesmas, e consegue perfurar em seus corações, através do seu sentir sincero e terno, da sua sensibilidade, e do amor que defende sem sombras ou simulacros opressores. Ele é o que é, apresenta a sua individualidade ao Mundo, sem vergonha ou réstias despedaçantes de amargura. E luta, tal como todos nós, reclamando as armas que possui e os trunfos que conquistou perante a vida, por um amor, por um sentimento, pela sua vida.
O nosso percurso, jornada insaciável perseguindo o sabor e suor divino de sonhos e novas perspectivas, traçado suave, constante discorrer de aprendizagem e novos conhecimentos, será invariavelmente uma tatuagem sentida de partilha, desbravar corpóreo e existencial de novos contornos e cores, horizontes e paragens. Para um profundo sentimento de auto descoberta, defesa de autonomia e consciência introspectiva, depara-se também de extrema importância um incisivo sentido de respeito para tudo o que recebemos e traçamos percurso ao longo do nosso trajecto, atentos a diferenças e novas ideologias, sabores e paladares, que embora se apresentem como distintos, concentram também dentro de si, um brilho e limpidez dignas de um abraçar terno e reconfortante.
Aquilo que recebemos, ondulante partilha de conhecimentos, imagens resgatando da profundeza do nosso sentir, o seu verdadeiro significado e existência, são pequenos fragmentos, núcleos importantíssimos de uma acção futura consciente, conhecedora e enriquecida por essas aprendizagens. Ignorar essa evidência será somente ignorar a capacidade que todos temos de aprender com os nossos erros e escolhas menos felizes, ao mesmo tempo que adquirimos competências através de um contacto directo e consciente com pessoas semelhantes a nós, dotadas de uma visão e conhecimentos que por vezes nos complementam, ajudando-nos a ultrapassar obstáculos que, de outra maneira, pensaríamos constituir horizontes impossíveis de atingir.
Como referi anteriormente, este conhecimento que tantas vezes enumero ao longo dos meus pequenos comentários e discorrer simples de escrita, tanto poderá concentrar-se na palavra de um ser, no sorriso de uma essência, como poderá escorrer de letras líricas tatuadas em composições musicais, na paleta de cores de uma pintura sincera e límpida, num artigo transpirado do expoente do sentir e do discorrer filosófico. Poderá provir de um ensinamento, de uma partilha sincera e consciente, de um sentimento forte e apaixonante. Do amor, da amizade, do desejo de partilha e interacção entre individualidades, de um abraço solto no expoente do momento, abraçando o espaço e a irmandade entre homens. Por mais límpido e optimista que seja este comentário, a certeza de que os conhecimentos e aprendizagens nascem de mais diversas fontes, constitui uma realidade incontestável, na medida em que se depara como uma constância no nosso trajecto de descoberta individual e filosófica, no nosso desbravar e combate por objectivos e horizontes, ultrapassando problemas e lágrimas sentidas de dor, destruindo a apatia e a tristeza que teimam em entoar cada vez mais portentosamente no Mundo que todos acolhe.
Este conhecimento, uma visão belíssima do mundo e do seu espaço, um simples abraçar de almas, defesa de um sentir e de manifestação de emoções e sentimentos, poderá, logicamente, ser encontrada numa outra arte, que agora passarei a falar aqui de modo mais directo e incisivo. Falo efectivamente da sétima arte, o cinema, como instrumento importantíssimo, através das capacidades e do motor criativo que ostenta nas suas raízes, para o despertar de consciências e para uma defesa do indivíduo, do Mundo em geral, das relações, trocas e transmissão de saberes entre indivíduos em particular. Quando o filme se depara como uma criação consciente, apaixonada, terna e sincera, sentimos dentro de nós a percepção límpida de uma mensagem que ecoa directamente na nossa alma, no nosso sentir e discernimento metafísico. Acordamos mesmo que parcialmente, para uma realidade que talvez desconhecêssemos tão correctamente, adquirindo uma nova visão e perspectiva perante o assunto.
O cinema tem também este importante papel, e talvez o seu mais nobre e belo, mais que ser uma imensa máquina capitalista e fonte gigantesca de receitas financeiras, de aprendizagem e discorrer sincero de saberes e perspectivas. Tatuagem sincera de sentir, através de uma história contada para as pessoas e baseada nas pessoas, nas suas vivências, nas relações que travam diariamente no seu percurso de vida.
Quando um filme atinge essa transmissão límpida de valores, perspectivas e defesa de um sentir, de um modo quente e terno, directo e afável, verifica-se uma profunda relação de proximidade e bem-estar físico e mental, ou o antagónico, um gritante estado de depressão, tristeza e sofrimento decorrente do visionamento. Quando se fala de problemas sociais, relações apodrecendo lentamente perante os claustros tenebrosos do mundo, ou de doenças naturais envenenando o horizonte de seres, é natural que sintamos raiva e tristeza perante essas realidades. E parecem ser parte da nossa vida, talvez porque já passamos por situações semelhantes, ou conhecemos a mágoa de um respirar doloroso perante o esquartejar de valores e vivências partilhadas numa atmosfera sensorial de profundidade metafísica. Quando a imagem que filtramos cuidadosamente resgata da nossa alma o poder de um sentimento vivencial, e a essência se rasga perante a lágrima terna de compreensão e identidade individual, o cinema incisivamente alcança o objectivo nobre que ostenta no seu sentido etimológico e prático.
Mas também nos poderemos sentir extremamente reconfortados, abraçando a ternura e confidente partilha de valores, estímulo consciente de defesa de colectividades e valores comuns, quando a atmosfera de fragrâncias se reveste de contornos intimistas e belos, de horizontes pincelados de cores límpidas e optimistas. Se o filme que visionamos resgata da beleza da alma, de um quadro optimista filosófico, o seu fluir de conteúdo e orientação argumentativa, será obviamente natural a presença de um sentir envolvente, terno e sedutor.
O cinema, mais que sons e imagem fundidos numa mesma perspectiva, enlaçados num objectivo de entretenimento e contemplação, representa em alguns casos uma tatuagem consciente de uma realidade pincelada no Mundo, a partilha de saberes e conhecimentos, a transmissão apaixonada e sincera de uma mensagem, de invocações profundas, relações entre seres e individualidades, entre culturas e almas distintas.
“Dizem-me que os cães são os melhores amigos do Homem. Não duvido. Mas serão os homens os melhores amigos dos cães? A minha experiência não é animadora. Ao contrário do que se pensa, a posse de um cão não é um simples acto de afecto. Ou, melhor ainda, uma forma saudável de amaciar a solidão. Grande parte dos meninos que se passeiam por aí com os canídeos da praxe, fazem-no por uma questão de poder. Para o dono do cão, é altamente reconfortante a certeza tirânica de que é possível ordenar, gritar, abusar e até espancar um ser vivo temente e obediente, sempre disponível para ceder aos caprichos do senhor. A civilização pode ter reprimido os nossos instintos mais bárbaros. Não eliminou a sede de domínio que rabeia cá por dentro. Muitas pessoas têm cães porque já não podem ter escravos.”
João Pereira Coutinho, in “Maxmen”
“É necessário respeitar a propriedade intelectual alheia. Mas não existe cultura sem plágio. Sem essa fortíssima consciência de que tudo o que fazemos, dizemos e escrevemos provém de actos que vimos, ideias que ouvimos e livros que lemos. As armas e os barões assinalados? Virgílio antecipou-se a Camões. Algum drama? Não creio. A originalidade total é uma falácia, que nasce directamente da suprema arrogância de que podemos existir, e produzir, num mundo radicalmente nosso – uma tela em branco onde vamos desenhando tudo pela primeira vez. Ninguém desenha tudo pela primeira vez. Escrevo porque leio. E leio o que outros escreveram. Ad infinitum. Existe uma corrente invisível que, de geração em geração, vai passando a palavra. Até chegar às nossas mãos, ao roubo afectivo da nossa consciência agradecida. A história da cultura ocidental, ao contrário do que dizem os castos, é uma história recorrente de plágios.”
João Pereira Coutinho, in “Maxmen”
Recordo-me de um episódio curioso que me aconteceu. Coimbra, à um ano, por volta de Fevereiro. Ia eu muito bem na baixa da cidade, para me encontrar com o meu amor, quando uma completa desconhecida me interpela. Muito bem, é uma representante da Lipton. Comunica-me que estão a fazer um estudo de mercado, a registar a aceitação e capacidades de um novo produto. Pergunta-me se por uns breves minutos não a posso ajudar nessa tarefa. Vamos lá então, sempre quero ver o que é, agora estou curioso. Subo lá por umas escaditas de um café, e deparo-me com um total arsenal de material publicitário e estratégias de marketing. O sabor novo é qualquer coisa como “Fresh Limon”, e representa uma tentativa da Lipton de inverter a situação de mercado do seu Ice Tea normal de Limão, cujo sabor tem vindo a ser preterido a favor de outros vários. Sou colocado à prova, perguntam-me se registo diferenças neste sabor. Eu digo que sim ( algumas, mas não muitas ), pedem-me para provar mais um bocadinho. Agora colocam o problema da acidez ( está boa, digo eu ). Muito bem, a prova de sabor acabou. Agora é tempo de me vestirem as peles de publicitário. Apresentam-me três cartazes com slogans diferentes. Pedem-me que diga qual dos três chama mais a minha atenção ( estavam os três muito giros e vistosos, mas os slogans eram francamente de mau gosto ). Afirmo isso mesmo, directamente. Não me levam a mal e registam a minha opinião. Na mesma sala encontram-me mais quatro ou cinco pessoas na mesma situação do que eu. Todos parecem um bocado perdidos, mas também extremamente sinceros nas suas opiniões. Preencho um papel que parecia interminável, e novamente provo o sabor novo, correspondendo a nova solicitação. Digo-lhe que nada mais tenho a registar, pergunto-lhe quando o novo sabor estará disponível. Ainda não sabem, mas espera-se que vingue no próximo verão.
Não vingou. Ainda não o vi em lado nenhum, por isso nem sequer chegou a sair dos recantos da experimentação. Fui então uma cobaia, digamos assim. Experimentei algo que não obteve sucesso, não sendo mesmo lançado para o mercado. Fiquei curioso, porque será que tal não aconteceu? Seria da acidez, das poucas diferenças em relação ao outro? Ou do investimento necessário? Ou da publicidade com slogans ranhosos? Não sei, mas ainda dava 1 euro para descobrir o porquê.
Tadinha da Márcia, a minha namorada linda linda linda, é que as pagou, esperou por mim uma hora. Fui a correr ao seu encontro, apresentando a única desculpa que poderia. Fui cobaia mor, desculpa o atraso. E inundei-a de beijinhos e muito mimo.
Revi um filme na televisão, cujo conteúdo me incitou a escrever um pequeno comentário a uma realidade, que muito infelizmente, continua a povoar o Mundo, o espaço, o crescimento de individualidades e o tecido de essências.
O acto de violar representa para mim, e penso que para a generalidade das pessoas, um impulso violento, desprezível, abominável e hediondo. A violação em si encerra o que de mais soturno, horrível e nojento o Homem contem. Pergunto-me o que estará na cabeça dos violadores, quais as suas motivações, para enveredarem por tal demonstração nojenta da sua inferioridade, mediocridade psicológica e humana. Ceifar uma individualidade, esquartejá-la num ápice, enquanto se satisfaz um desejo meramente irracional, animal, completamente desprezível, é algo que os Homens não têm direito, legitimidade, nem deveriam ter poder para o fazer. Mais que leis severas e rígidas em campos jurídicos, justifica-se aprofundar a questão humana, psicológica, e vá lá, as principais motivações dos criminosos hediondos e vis.
Seja a pessoa visada uma prostituta, uma dona de casa, uma rapariga com filhos, ou uma sem abrigo, a situação obviamente reveste-se da mesma carga psicológica e emocional, e também da mesma intensidade, gravidade psicológica. Só a tentativa de visualizar uma violação, provoca em mim uma profunda raiva, dor e sofrimento, ao mesmo tempo que incita o meu ser numa parafernália de sentimentos vingativos, de escárnio, despertando o nojo por um ser que possa ser capaz de efectuar tal acção.
E quantas pessoas neste mundo já sentiram na pele tal acto hediondo, desprezível, desumano e irracional? Quantas delas viram desmoronar o seu mundo, nos minutos da violação, raptadas por um ser que as violenta sem qualquer tipo de conflito interior, minado apenas por uma satisfação rápida dos seus impulsos de animal, cujo poder lhe tolhe os movimentos, a percepção, a inteligência e sensibilidade que deveria possuir. Quantas mulheres choram de profunda dor, vendo os seus corpos e a sua alma devassadas, por vezes por completos estranhos, por vezes por pessoas que pensavam conhecer tão bem, e não sabem o que fazer ou o que pensar. Inundam-se em sofrimento e dor, por uma perda perante elas próprias, por um acontecimento que nunca se poderá apagar das suas recordações e da sua vivência. É um crime tão horrendo, tão feio e desprezível. Não consigo encontrar justificação para tal acto. Qual pode ser o prazer de uma pessoa que viola outra? Ver a sua cara de sofrimento, o seu choro compulsivo tatuado na sua face? Ouvir os seus gritos e a sua raiva? Será que o criminoso não sente repudia de si próprio, não sente vergonha do acto completamente irracional que está a cometer? E respondo à minha pergunta. Infelizmente, muitos deles não. E por isso é que o repetem, como um ritual de eleição, para satisfazer os seus desejos mórbidos e soturnos, escolhendo e seleccionando vítimas.
A nossa essência, alma e corpo, são algo que deveremos amar e preservar. Quando tal é parcialmente resgatado e violentado por outrem, e nada conseguimos fazer para o evitar, a situação explode numa profunda raiva, dor e sofrimento. Quem elabora tal acto hediondo, quiçá tendo-o imaginado vezes e vezes sem conta na sua cabeça, merece uma punição severa e rigorosa. Não vejo os violadores como Homens ou seres. Eles são coisas. Para mim são coisas. Não me merecem mais palavras
Não é de homem ir ver um filme de bonecos. Não é, ponto final. Um amigo meu um dia cilindrou-me com esta afirmação. Diz ele que, sendo feitos para as crianças, não tem qualquer cabimento ele ver um filme, que à partida, sabe ser infantil, inocente, chato, que não tem mortes nem sangue, ou mesmo traições ou sexo. Mais, que defende sempre a mesma coisa, os valores da amizade, do amor, da procura pela concretização dos nossos objectivos e sonhos. O chavão, “as crianças são a melhor coisa do Mundo, porque são doces e sinceras”, também se encontra maioritariamente presente.
Não concordo com o meu amigo. É de homem ver um filme de animação. É de homem, porque todos esses valores deverão ser sempre preservados, defendidos e acarinhados. E porque realmente as crianças são seres dóceis e sinceros. Mais, sendo por vezes, em algumas situações, agressivas, não conseguimos odiá-las, porque o fazem de maneira ternamente sedutora, geralmente através de expressões e ou acções que espevitam o nosso sorriso de benevolência. Compreender e acarinhar as crianças, pertencer ao seu mundo, constitui um exercício límpido de crescimento interior introspectivo, de desenvoltura humana e espiritual. É de homem ver um filme de bonecos sim senhor. A mim, eles fazem-me rir com extremo gosto e boa disposição, continuam a ensinar-me e a demonstrar sentires e aspectos escondidos em mim mesmo. Fazem-me chorar, nos seus momentos mais dramáticos, doces e ternurentos. Incitam em mim o doce desejo de poder abraçar, ter, sentir, preservar, defender, acariciar. De elevar o doce cântico do amor a um patamar divino, para lá do horizonte e da eternidade.
Tenho ido frequentemente ver filmes de animação. Vou sempre com o meu amor, divertimo-nos loucamente, e no final da sessão geralmente sorrimos inundados de amor e carinho. Olhamos um para o outro e abraçamo-nos recordando os voos dos personagens principais, nas suas maratonas de vivências e destinos. Comentamos apaixonadamente o filme, desfiando as personagens e os acontecimentos que vivenciaram, questionamo-nos o que faríamos em suas situações. Entramos no mundo das personagens. E mesmo sendo imagem “não real”, isso não nos retira a veracidade, o impacto e a presença, poder do filme em si. São uma dádiva do mundo, os filmes de bonecos. Adoro os Toy´s Story´s, os Monstros e Companhia, o Sinbad, o cavalito selvagem Spirit, os dois malandros do Caminho para El Dorado. Fazem-nos sonhar, redescobrir o brilho e o sentir que temos dentro de nós, a nossa paixão e amor. Nunca deixarei de os ver. E confesso, estou ansioso por “achar o Nemo”! O pior é que ele nunca mais chega. Dizem-me que é só lá para o Natal. Ora bolas!
É certo que, a cada passo que se dê, local que frequentemos, ou realidade que vivenciarmos, arriscamo-nos a ouvir distintas vezes o som de um telemóvel, rompendo o silêncio, avivando a necessidade de marcar presença. Esta representa uma realidade para que todos contribuímos, e à qual não poderemos escapar inocentemente. Negar que o dito aparelho nos facilita a vida em determinadas situações, será não encarar os acontecimentos de forma sincera, mas também é verdade que noutras tantas situações e realidades, o mesmo utensílio nos prejudica, e até implica um abismal afastamento “in loco” da vertente física e intensiva dos relacionamentos e interacções sociais.
No meu caso pessoal, considero o telemóvel um utensílio dispensável, mas isso não lhe retira uma certa perseverança e toque essencial em determinados aspectos. É o meio privilegiado dos portugueses para comunicar, aparte de ser uma arma completamente capaz e eficaz de combater a monotonia ou o isolamento. Quantos de nós, sem nada para fazer, procedemos a um check up da nossa lista de contactos, agenda, dando sinal de vida com os famosíssimos toques, talvez espevitando um ou outro amigo, que já à muito tempo não dá sinal. Esta simples acção resgata-nos parcialmente do aborrecimento, ao mesmo tempo que esperamos uma resposta, completamente ansiosos por um simples toque registado no ecrã do telemóvel.
No entanto, para situações de urgência, ou para determinados labores técnicos e profissionais, o telemóvel afirma-se como um instrumento indispensável, apresentando-se como um actor interveniente e capaz de desempenhar habilmente a sua função. O que por vezes me morde o raciocínio, é ver alguém com mais do que um telemóvel, quando os utiliza a todos em tarefas e objectivos meramente de entretenimento. É de facto, um ícone cultural, a posse de um telemóvel topo de gama, todo bonitinho e arranjadinho, com melodias da moda, alegremente acenando em todo o seu esplendor, no topo da nossa mão. Eu próprio, pese embora o facto de não possuir um topo de gama, não posso afirmar que se trate de um “rafeiro”.
É um vício. Nada mais a dizer. E como todos os vícios, quando mais se alimenta, mais se apodera do nosso sentir e realidade. Antigamente, quando telemóveis não passavam de panafernália de filmes de ficção científica, eu também namorava, também comunicava com os meus amigos. Só que agora está a um, dois toques da nossa mão, simplificar completamente os movimentos e esforços. E é vê-los, todos frescos, uns mais robustos, outros lisos, parecendo vir da lipoaspiração. Ainda há os desportivos, mostrando todos os seus atributos de topo, resultado de muito trabalho de ginásio tecnológico. Ou os “produtos de cosmética” que nos dizem o peso correcto que deveríamos ter. Surgem aqueles que gostam de se mascarar, umas vezes de máquina fotográfica digital, outras vezes de leitor de mp3, ainda de consola de jogos, ou jukebox... E pergunto eu, quem é que para isto? Os telemóveis afinal, são ou não são para telefonar?
There is a child sleeping near his twin
The pictures go wild in a rush of wind
That dark angel he is shuffling in
Watching over them with his black feather wings unfurled
The love you lost with her skin so fair
Is free with the wind in her butterscotch hair
Her green eyes blew goodbyes
With her head in her hands
and your kiss on the lips of another
Dream Brother with your tears scattered round the world.
Don't be like the one who made me so old
Don't be like the one who left behind his name
'Cause they're waiting for you like I waited for mine
And nobody ever came...
Don't be like the one who made me so old
Don't be like the one who left behind his name
'Cause they're waiting for you like I waited for mine
And nobody ever came...
Don't be like the one who made me so old
Don't be like the one who left behind his name
'Cause they're waiting for you like I waited for mine
Nobody ever came
Nobody ever...
I feel afraid and I call your name
I love your voice and your dance insane
I hear your words and I know your pain
With your head in your hands and her kiss on the lips of another
Your eyes to the ground and the world spinning round forever
Asleep in the sand with the ocean washing over
Asleep in the sand with the ocean washing over
Asleep in the sand with the ocean washing over
Ah do you meet the one I love
and smell the one who loves you
Dream brother, dream brother, dream, dream
dream asleep in the sand with the ocean washing over
( Jeff Buckley - in Grace )
It's a song about a dream
Well i'm lying in my bed
The blanket is warm
This body will never be safe from harm
Still feel your hair, black ribbons of coal
Touch my skin to keep me whole
If only you'd come back to me
If you laid at my side
I wouldn't need no Mojo Pin to keep me satisfied
Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
Precious, precious silver and gold and pearls in oyster's flesh
Drop down we two to serve and pray to love
Born again from the rhythm screaming down from heaven
Ageless, ageless
I'm there in your arms
Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, so...
The welts of your scorn, my love, give me more
Send whips of opinion down my back, give me more
Well it's you I've waited my life to see
It's you I've searched so hard for...
Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, black black black black beauty...
( Jeff Buckley in Grace )
Aqui ficam duas letras ( Jeff Buckley ), duas músicas que adoro... Para quem quiser ler os comentários das mesmas ( que andam por aqui... ) até que dá jeito conhecer as letras :) Abraços e beijocas!
Uma semana para arejar ideias, respirar noutras paragens, redescobrir o espaço. Uma semana inundada de saudades ( não será de outra forma ) , de um amor, de uma vida.. Uma semana.
todo musical de Carlos Paredes constitui um exemplo e mosaico vasto e inundado de beleza, alicerçado na profunda paixão, dedicação, amor e talento de um homem a um instrumento musical, fenómeno vivo de um enraizar e defesa de raízes e valores culturais indistintos de um percurso de um indivíduo e da colectividade e país a que pertence e com o qual se identifica. Carlos Paredes, através das suas composições plenas de sentimento afrodisíaco e aflorar de comunicação, defesa de individualidade e espírito criativo, desenvolvimento pessoal progressivo no manuseamento de uma paixão, construiu e pincelou um quadro belíssimo de cores fortes e vivas, que para sempre ficarão tatuadas na história musical de um país e de um povo. Dedicando muita parte de suas composições a profissões trabalhadoras, a sentimentos e invocações, rasgava o céu com a nobreza da sua arte, dotando o horizonte de cores fundindo-se num todo coerente e lógico, abraçando a doce audição e o suspiro emanando do ser e das suas motivações e impulsos.
É inegável o valor e o significado do Homem por detrás da guitarra portuguesa, assim como a voluptuosidade grandiosa das suas composições e os objectivos conscientes e límpidos por detrás das suas origens. Olvidar este facto, será renunciar a uma realidade que dita a consciência e poder da música, enquanto instrumento delineado para a prossecução e obtenção de fins límpidos, rasgando a tristeza, apatia e melancolia de seres e existências. Quando a guitarra parece que fala, debitando acordes parecendo impossíveis de serem travados, ela efectivamente fá-lo, recolhendo a uma forma de comunicar distinta de outras, mas com semelhante poder e intensidade. E o sentimento que desperta em nossos rostos e corações não é diferenciado de lindas e belíssimas tatuagens escritas, muito pelo contrário, constitui experiência semelhante, idêntica.
Gostaria então de salientar o aspecto então, de fulcral importância para uma boa e precisa elucidação. Os valores e costumes, o legado cultural não é subjugado ou hostilizado, antes é preservado, abraçado e valorizado nos movimentos artísticos de Carlos Paredes. E com as suas composições procura romper a pacatez e a desistência, ao elaborar verdadeiros e sentidos cânticos de vivência portuguesa, tatuada em profissões e em destinos, em invocações e imagens soltando-se numa doce tarde de Primavera. É a preservação de uma individualidade, o travar de uma luta em busca de um desenvolvimento individual, identificação grupal e cultural. Uma manifestação de espírito criativo ávido por desenvoltura e crescimento decorrente de uma prática, uma soltura de gritos inundados de presença e vivência, quer espiritual, quer corpórea.
O que Carlos Paredes fez ao longo do seu percurso musical, foi abraçar a sua arte e a sua paixão, e usar o método em que se conseguia exprimir melhor, de modo apaixonado e consciente, sem se preocupar com possíveis quedas ou despedaçares artísticos. E venceu uma batalha, rompendo os claustros do Mundo, ao ecoar com sibilos límpidos e ternos, os acordes das suas composições. E como elas nos fazem sentir presentes, incentivando a uma luta, a uma concretização de objectivos e saciar de sonhos. São debitados sentimentos, ao mesmo tempo que gritam como presentes e vivos ao longo de toda a composição. E por vezes dói ouvir o gemido da guitarra, mas outras vezes abraça a alma e fá-la sorrir, quando a composição é alegre e sonhadora. É este o seu maior valor, comunicar e interagir com as pessoas utilizando o seu maior dom, um talento incrível e denso na arte de manejar um instrumento tão difícil e complicado.
“Mojo Pin” trata-se de uma das mais belas musicas que já tive o prazer de ouvir, muito pelo significado poético e paixão que emana do seu conteúdo lírico extasiante, mas também pela voz apaixonante e adocicada de Jeff Buckley, que entoa com todo o seu amor o conteúdo que compôs e criou. Ele é um mensageiro do seu próprio coração, um representante fiel de um sentir que ultrapassa os erros e mediocridades da mentira opressora, ao defender afincadamente uma preservação de um sentimento límpido, isento de sombras ou simulacros. E logicamente, isso reveste a canção e eleva-a a patamares muito poucas vezes alcançados. Nestas alturas reconhecemos e identificamos o real valor da música, todo o conceito e objectivos belíssimos nados da sua origem.
Trata-se, e dissecando de uma forma simples e concreta o seu conteúdo, de uma límpida canção de amor. No entanto a sua introdução neste trabalho não poderia resultar somente dessa perspectiva, até porque músicas de amor existem-nas aos milhões, tatuadas numa imensidade de compositores e grupos musicais. Penso que, o que faz desta música um objecto irresistível e apaixonadamente belo, é o sentir que se concentra portentoso e magnífico, adjacente a todo um discorrer e pincelar de palavras, emergir de acordes e sons rasgando a melancolia e a pacatez de vivências. A voz de Jeff Buckley ostenta um fervor e um sentir que é facilmente identificável, se ouvirmos a música no seu todo, atentos ao seu discorrer ideológico e sentimental, a uma defesa intrínseca do amor e das vertentes existenciais a que o mesmo se encontra mergulhado. Ao contrário do que eu possa estar a apresentar, de modo indirecto, não se trata de um conto de amor perfeito, ou mesmo correspondido. Trata-se de um conjunto de metáforas erguidas de um talento interpretativo e criativo, ao mesmo tempo que nos deparamos perante uma fusão galopante de melodias e ritmos musicais, elevando o nosso ser para um estado emocional que se reveste, minuto a minuto, de novos contornos e impulsos. É um pouco ingrato falar desta música, porque a sua desmistificação completa necessita de uma audição para uma percepção completa da mesma, dos seus conteúdos e objectivos primordiais.
O amor como representação fidedigna e globalizante de um sentir defendido, preservado, representação de um viver e de uma comunicação do indivíduo para o indivíduo, para a sua essência e alma. O amor como realidade tatuada em tantos corações e essências, que muitas vezes permanece oculta perante o medo e a apatia de recordações, de memórias estalando no odor do tempo e da inconstância. Medo resultante de um isolamento cada vez mais crescente no Mundo, que muitas vezes é confundido com espírito autónomo, ou preservação da identidade e do salutar estado psicológico. “Amor é fogo que arde sem se ver”, como já dizia o famoso poeta. E muitas vezes arde lentamente, consumindo uma força e uma vontade, pois necessita de um libertar corpóreo e espiritual. Muitas vezes concentramos o seu poder dentro de nós, sendo corrompidos por ele, na medida em que necessitamos partilhar com os outros as nossas motivações, realidades, vivências e densidades emocionais. Ignorar os sentimentos, uma partilha de vivências e interacções com os demais, será somente fecharmo-nos numa cela, encarcerados por vontade própria, sujeitos a nos virmos mergulhados num oceano triste de lágrimas que nos poderá afogar perante a nossa apatia e realidade.
O amor, como todos os actos de sentir, demonstrar a nossa presença límpida no mundo, necessita de braços que o acolham, preservem e estimulem. Necessita de ouvidos atenciosos, um coração que o estime e abrace, com toda a paixão e dedicação. E por vezes esquecemo-nos dessa realidade, pois ignoramos as pessoas que tão perto se encontram de nós, precisando de uma palavra amiga, de um momento de intimidade e partilha, troca de conhecimentos, experiências e perspectivas de vida. Esquecemo-nos disso quando trucidamos os sonhos que outrora defendíamos com fervor, na medida em que agora nos parecem constituir horizontes impossíveis de alcançar. Porque abandonamos a luta, cientes de um destino ao qual não poderemos fugir. Nada mais errado e obscuro.
Em tudo o que fazemos, quer seja uma música, um projecto, um trabalho, uma casa, um menu de cozinha, uma aula..em tudo se nota a presença de um acto de sentir, de valorizar o que fazemos, de nos sentirmos parte daquilo para que despendemos as nossas forças e presença. E isso reveste-se no canto do Mundo e do espaço. Cede novas tonalidades e cores a coisas que já pareciam gastas e ocas, impossíveis de serem melhoradas ou modificadas.
Quando nos sentimos perdidos nos claustros do mundo, hipnotizados perante uma imensidão de seres e obstáculos, e não conseguimos encontrar solução para os nosso problemas e responsabilidades, incorremos num percurso por vezes triste e lânguido, rumo a uma destruição corpórea progressiva, já que abdicamos de uma presença salutar de espírito, valorização de um acto individual em busca de uma mudança de perspectivas. E ficamos como que parcialmente bêbedos, presos de movimentos, mergulhados numa contemplação individual essencialmente penosa. Agarramos uma pena perante a nossa evidência e realidade, desconhecendo que esse factor gerará ainda mais um aprofundar de espírito triste e solitário. E parecemos doentios, perante um fio condutor de vida que parece estreitar-se, rumo a um final de caminho e de desejo, destruição corpórea de sonhos, motivações e objectivos vivenciais. Sentimo-nos não presentes perante nós, não preparados para a etapa que se depara real perante as nossas perspectivas, mas para a qual não possuímos reacção ou estímulo para a reverter, de modo positivo e consciente. É usual verificarmos a presença de obstáculos e barreiras trucidantes ao longo do nosso percurso, assim como é também frequente sentirmo-nos parcialmente perdidos na imensidão do sentir e do estar.
A música “Dream Brother” apresenta uma realidade que, infelizmente, cresce a um ritmo avassalador na sociedade e no Mundo que nos banha e ao qual fazemos parte. A solidão e a sensação de vazio existencial, a ausência de objectivos específicos a alcançar e porque lutar constituem marcos vigentes nos claustros vivenciais de muitos seres que connosco vivem e interagem. Estes espectros de tristeza e melancolia originam no ser um sentimento de desprezo por si mesmo, uma relação tempestuosa de si para si, e para os outros, ao mesmo tempo que inviabiliza, por intermédio de uma ausência de motivação, identificação e valorização pessoal, uma troca e transpirar participado de conhecimentos, objectivos, etapas e concretização de sonhos. A música já abordada retracta estes temas, sob um denso e penetrante manto lânguido e extremamente depressivo, ao mesmo tempo que através da sua letra desfia realidades sentidas, tristes e melancólicas, repercussões sentidas de todas estas realidades já enumeradas.
Apresenta a solidão de um Homem perante si próprio, perante o seu descrédito, num manto de solidão e desespero, ao ver a sua aparição desvanecer-se lentamente, quando pede ajuda mas se deixa engolir cada vez mais pelo espectro opressor e disforme da apatia. Surgem então os tons pálidos e soturnos da morte, como representação de uma realidade psicológica vigente na sua vivência e interacção diária, que carece de significado, densidade psicológica e justificação metafísica. E ninguém aparece, como a letra acaba por referir, no decurso do seu discorrer argumentativo. Ninguém para o resgatar deste ambiente apodrecido, que capta o seu corpo e a sua alma para um patamar doentio, onde o tempo se vai desfiando devagar, abraçando e pactuando com a tristeza e o sofrimento.
É marcadamente uma composição negra, mas não isenta de uma grande beleza e limpidez de sensações e movimentos. No seu momento final enumera uma realidade, a qual constituí um foco vivencial inegável, ao apresentar um horizonte menos denso e mórbido, defendendo a partilha e a preservação dos sentimentos e amor em prol de uma recuperação filosófica e existencial, de um despedaçar de uma situação de depressão e de tristeza. E aí reside a principal mensagem de uma música que ao longo do seu percurso e traçado poético e musical não deixa de ser negra e atmosfericamente triste, mas que esconde na sua composição a defesa de uma individualidade, de uma força que bebe da nossa presença o seu elixir, e da preservação do sentir como principal arma para uma recuperação participada, consciente e desejada. A crença numa mudança deverá crescer dentro de nós, não obstante o quadro negro em que nos encontramos pincelados, na medida em que essa crença potencializará a recuperação de uma força e estímulo para um recriar e renovar consciente, desejado e participado. E surgirá um novo horizonte, e posteriormente novas dificuldades, mas estaremos sempre prontos para as combater e enfrentar de frente, não alheios ao facto de que poderemos recebê-las a qualquer altura da nossa vida. A partilha, o amor, a presença, a identificação e valorização pessoal surgem como representantes fieis de uma realidade que será sempre moldada da nossa força, da nossa maneira de estar, agir e lidar com os problemas e repercussões originárias de um percurso vivencial que a nós nos diz respeito e pertence.
A solidão ou o esquecimento atroz e despedaçante poderão constituir sempre marcos na nossa vida. No entanto a defesa por uma comunicação e interacção, partilha e discorrer de problemas e vivências constituirá sempre um soro portentoso, no que diz respeito a uma quebra de horizontes tristes e lânguidos, e uma recuperação da auto estima e valorização do indivíduo.
Imaginando talvez que não existisse Céu nem Inferno, que a morte não fosse o nosso derradeiro destino e último quadro pincelado. Que não existissem países nem culturas diferentes, que tudo constituísse uma habitação unificada, não parcelada. Onde as pessoas lutassem por um presente, por partilhas de essências e conhecimentos, por sentimentos e paixões. Um Mundo onde não se matasse por poder ou riqueza, esquartejando almas e essências por bens materiais e felicidade meramente estética e hipócrita. Um mundo que constituísse um todo, onde a possessão não fosse um bem tão importante ou poderoso. Uma irmandade de Homens, partilhando o Mundo, na imensidão do seu sentir e paixão, abraçando essências e individualidades, acariciando um Amor Universal. Um Mundo límpido, sem sombras disformes e podres de falsidade e sofrimento.
“Imagine”, de John Lennon, é um poema belíssimo de um sonho, de um sonhador, de uma individualidade tecendo a sua visão de um Mundo lindo e perfeito. A visão apaixonante e desejada por qual todos deveremos lutar, incitar os nossos esforços e motivação. Porque nunca somos os únicos a fazê-lo. Tal como ele diz, “podes pensar que sou um sonhador, mas não sou o único”, “pode ser que um dia te juntes a nós, e o mundo possa ser só um”.
A música citada liberta um quadro pintado a cores quentes e brilhantes do Mundo, onde todos os seres e unem num sentimento globalizante de amor e amizade, partilhar de vivências e horizontes límpidos e azuis. Soltura de pequenos grandes gestos, um simples mas lindo abraço entre amigos, o choro inocente e belíssimo de um bebé reclamando a atenção da sua mãe. Representação de uma união sentida entre seres e individualidades, ignorando toda a podridão e esquecimento vigentes no ventre do Mundo. O simples acto de ver crescer as plantas, os bebés no leito existencial de partilhas e aquisição de novos conhecimentos e aprendizagens. E o pensamento invadindo o espaço, a crença num maravilhoso mundo sorrindo para nós, à medida que deparamos com o quadro pincelado de cores lindas e brilhantes que faíscam cintilantes perante os nossos olhos. Quadro também ele tatuado de céus, flores, de toda a natureza que invade todo o nosso sentir e discernimento corpóreo.
E percorremos o espaço atentos a todas essas dádivas que diariamente irrompem perante o nosso caminho, ansiosos por uma pequena partilha de tempo para se sentirem amados e preservados. Percorremos a nossa vida, os mantos que a mesma ostenta e defende com fervor, cientes do Mundo que nos acolheu, de todos os frutos que o mesmo contem e produz de forma tão apaixonada e perfeita. O sibilar de riachos, o perfume de essências brotadas do calor e paixão da Natureza, o manto robusto e puro de um campo polvilhado de malmequeres, a limpidez de um ar que acaricia o nosso rosto. Tecemos sonhos no céu celeste, iluminados pela espessura fofa e querida das nuvens, desenhadas de formas que podemos imaginar através da nossa criatividade e amor. E pensamos ter um Mundo tão bonito, tão límpido, onde pessoas caminham à nossa volta, esperando pela nossa soltura, partilha de palavras e pensamentos. Podemos abraçar qualquer uma delas, libertar a nossa individualidade e essência. E amamos o momento, o sentir, o viver, a realidade, todo o Mundo que também é um pouco nosso...
Antes fosse tudo assim, tudo tão lindo, límpido e perfeito...
Na música citada, discorre a ideologia triste, mas verdadeira, de um idoso embebido em mantos de solidão, abandonado num qualquer banco de jardim, com a sua telefonia emitindo sons de recordações tatuadas em sóis e estrelas pretéritas. Um velho avistando seres passando ao seu lado, mas incapazes de libertar qualquer palavra, qualquer suspiro de vida que o incite a partilhar as suas experiências e sabedoria, os seus conhecimentos e aptidões. E ali fica, metaforicamente submerso na sua esfera de vida, só e abandonado, esperando lentamente e em sofrimento, o seu último suspiro existencial, uma cova que cesse com a sua tortura filosófica. A música “Velho”, de Mafalda Veiga, apresenta deste modo, cru e frontal, a visão que teima em se enraizar com cada vez mais força na sociedade, qual mito etário, de que os idosos pouco têm para dar, constituindo somente seres esperando o seu cessar de respirar, um final de existência, sentados num qualquer banco de jardim, abandonado num qualquer lar com seres seus semelhantes, abraçando um mesmo destino que passará invariavelmente por um partir, dispersar corpóreo e espiritual. Quão falsa se apresenta esta visão, quando muitos escondem intactas tantas faculdades e aprendizagens, partilhas e conhecimentos. Quando muitos ainda desejam participar, interagir, demonstrar o que sabem e o que aprenderam, querendo ser úteis e valorizados.
Muitas vezes o desdém, o sentimento de pena e compaixão apenas os incita a permanecer na sua toca, abandonados num manto disforme de solidão, porque se sentem incapazes, inferiorizados. Não terá que ser assim necessariamente, esta visão não precisará de constituir a tatuagem real de uma evidência. Porque se a imagem do espelho não apresenta qualquer tipo de engano, ao retractar um envelhecimento corporal, muitas vezes o espírito e a essência mantêm-se jovens, esperando por um acolher e abraçar para soltar todo o seu brilho e divindade, palavras e emotividade. E poderão rasgar novamente o céu, entoando novos sonhos e caminhos, sem ter que esperar passivamente por uma morte embebida em desejo.
O silencio constituí, na maior parte das vezes, o seu pior inimigo, na medida em que lhe engole o discernimento e a vontade, ao inviabilizar a comunicação e partilha, a preservação da sua individualidade e faculdades. E o idoso resigna-se a uma evidência que todos teimam em lhe sussurrar, ao ignorar muitas vezes a sua presença, o seu espírito, os seus conhecimentos. Esquecem-se muitas vezes que esse mesmo idoso, porventura terá vivido situações semelhantes aquelas que agora vivem, que passou por obstáculos similares, lutou por objectivos idênticos. E que, apesar da sua idade, não poderá ser comparado com um objecto com prazo de validade prestes a caducar. Muito pelo contrário, é um ser como todos eles, que poderá ainda ter muito a dizer e a desempenhar, abraçando sonhos e novas perspectivas.
Infelizmente, no mundo que nos oferece guarida e aconchego, a visão de um idoso esperando pelo dia da sua morte, é a que mais vinga e ecoa no céu, sem que no entanto esconda um grau de veracidade assinalável. Encontra-se na mão de todos nós, na resposta através de actos e acções, contrariar esta realidade, concentrando os nossos esforços e motivação no combate e valorização de capacidades dos idosos, porque deles poderemos retirar tanta aprendizagem e saber. E não o poderemos fazer apenas pensando num objectivo valorativo, mas num objectivo global, que passará efectivamente por uma preservação e valorização de individualidades e essências.
Em qualquer projecto, em qualquer relação, que directa ou indirectamente poderemos travar aquando da prossecução do nosso trabalho, estamos sujeitos a receber a qualquer altura um certo tipo de repudia, incompreensão ou até mesmo escárnio. Mas não poderemos descurar o facto de que fazemos o que fazemos, movemos as nossas acções enquadradas num objectivo preciso e límpido, o qual entoa a vontade da nossa essência, a paixão pelo nosso trabalho e motivação que nos tolhe o sentir e a filosofia interventiva. O desejo de ajudar, de incentivar almas e essências em busca de valores, novos sonhos mais brilhantes, e objectivos que julgavam ser impossíveis. Desterrar velhos conhecimentos, ensinamentos e faculdades, em prol de uma vida mais salutar e harmoniosa. Qualquer projecto de Animação, inserido em que perspectiva for, alberga estes objectivos e ideais. Mas também se enquadra num possível clima de antipatia ou abandono por parte de alguns actores preponderantes, que são as próprias pessoas com que trabalhamos, actores participantes do seu processo de desenvolvimento.
Quando não nos compreendem, e nós sentimos que não o fazem por mero capricho, mas sim porque assim foram habituados, sentimos pena, por vezes caímos numa atmosfera de pânico, porque não conseguimos encontrar técnicas e tácticas para contrariar a situação. E essa pessoa vai desaparecendo, perante nós e perante ela própria, ao desistir de um processo que a poderia ajudar, na sua vida e na criação de novos quadros tatuando novos sonhos e perspectivas. Por vezes logo no início descarta a sua presença, abdicando do projecto e de acções precisas e concisas. Outras vezes abandona o barco a meio, caindo num oceano de dúvidas, abandonando o mar de mudança, ignorando novos caminhos, ao pensar que tudo é feito ignorando o seu próprio bem.
E aí só nos apetece dizer... ““Estou do teu lado, e ouço-te”, ..“Ouves-me?”
A música surge-nos muitas vezes dilatada numa simples apresentação de artistas, vistos como meras representações de desejos mundanos de glória e aflorar material de carreiras. No entanto parecemos muitas vezes descurar, embora infelizmente rareie no mundo que nos cerca e que constitui o nosso habitat natural, que também existem individualidades e grupos que tatuam a sua veia poética, raiz espiritual e humana, nas composições que elaboram. E fazem-no mergulhados num oceano apaixonante de beleza acústica, concentrando na sua voz e no seu esforço a lágrima de uma mensagem pura e simples, o gemido lânguido de guitarras e acordes abraçando seres e essências, identificando-se com problemas e retalhos de sentir, que todos já identificamos como nossos, ao longo da nossa vida, dos problemas e etapas que a mesma ostenta.
A música apresenta-se então como uma forma de arte, no seu conceito mais límpido e isento de sombras ocas e putrefactas, muitas vezes representadas unicamente por um desejo e concretização de bens materiais, modo de subsistência sem preocupações filosóficas ou estéticas. O papel da música é grandemente superior, na medida em que possui o enorme de poder de incentivar e despertar individualidades e essências, desbravar almas de poços inundados de lágrimas e sofrimento. O papel da música poderá constituir um foco essencial no processo de desenvolvimento de uma pessoa, ao aflorar e despertar essências, reclamando de seus interiores as suas faculdades, motivações e aguçar de perspectivas e concretizar de sonhos.
Quando verificamos a nossa perda perante nós próprios, engolidos numa solidão introspectiva que mal nos deixa respirar, engolindo o nosso suspiro e o timbre de voz, por vezes mergulhamos no abraço terno e suave da música. Ela tem esse misticismo, essa força inenarrável que espevita, faz renascer esperanças e sonhos. Possui nos seus mantos mensagens, tatuagens de artistas e músicos, que concebem peças de artes, manuscritos sinceros do seu sentir e estar perante o mundo, uma mensagem que desejam ser partilhada e descoberta. Sem sombras lívidas de dados erróneos ou falsidade. Apenas partilhando algo em que acreditam, parte da filosofia que lhes banha o ser, envolta em mantos de acordes e pautas musicais, rasgando o silêncio e a apatia, incentivando a um processo de descoberta e comunicação introspectiva, mas também exterior, para o mundo e perante o mundo.
Poderá interpretar-se esta visão como demasiado filosófica ou espiritual, no entanto reclamando do interior que constitui a minha individualidade, posso afirmar de modo convicto que a vejo puramente desta forma, na medida em que em algumas etapas da minha vida, a mesma funcionou como pulmão desbravante, suspiro de vida, incentivo da continuação de um caminho e de uma jornada. Temos que percorrer os traços melódicos da composição, para assim descobrirmos a realidade a ela inerente, que escapa tantas vezes a muitas pessoas. Não por falta de inteligência ou perspicácia, mas por uma isenção de sentimento, atenta audição com filtros emotivos e sensitivos. Por vezes no simples discorrer de uma letra esconde-se tanta divindade, tanta emoção e paixão tatuadas no odor da composição. E parece perder-se, quando muitos ignoramos essa presença e realidade.
A música é uma dadiva, suspiro do mundo e entoação suave da Natureza e dos seus mantos. Um vício apaixonante e quente, como os dias febris do Verão, acariciando o nosso respirar e incentivando-nos a viver ainda mais. A música será sempre o canto de um Mundo, a representação que tanto temos para dar e transmitir, libertar e comunicar. A representação de faculdades, conhecimentos, aprendizagem e sabedoria. A música é um processo introspectivo de conhecimento, desenvolvimento da individualidade, desbravar e acariciar de alma e essência. Uma carta aberta, envolta em sais líricos extasiantes, para todos os que se dispõem a ouvi-la, a percebê-la, a dar-lhe atenção.
O recanto parecendo distante
Mergulha límpido num oceano afrodisíaco,
Mas todos lhe procuram escapar
Temendo a verdadeira essência do sentir...
O recanto distante
Envolve a espuma de sonhos de um mar...
E todos temem o seu sal
Correndo como loucos para vales tortuosos..
Este recanto, distante para tantos Homens
É somente o fluir e desenvolver harmonioso
De um crescimento metafísico enriquecedor
Apaixonadamente saboreado e partilhado.
Tanto receio fundido do enraizar melancólico
De agarrar o tempo fugaz...
Ignorando tudo o que veste os claustros do Mundo
Verdadeira essência de ser, de sentir...
Porquê acariciar a solidão encarcerada
Em lágrimas despedaçantes de egoísmo,
Incompreensão mergulhada na podridão
De existir sobrevivendo, engolindo a paixão...
O recanto a que muitos escapam
Com receio de sofrer...
É apenas a luz de um sentir
O abraçar de essências...
O fluir de um terno sorriso
Saciar de saudade.
Criação oculta no odor da cidade
Envolves a citação transcendental do sentir
Na lama de povos que gritam sozinhos
Emerges do nada... sem receio ou desilusão.
Criação tatuada no coração do Mundo
Pincelas a alma, rasgas a apatia
Inundas o oceano de selvagem maresia
Espuma de sal, museu cristalino de saudade.
Criação límpida, abraças os que gemem
Voas sem rumo, mas constante solução
Para a ferida aberta que nos come o rosto
Para a tristeza alarve que nos mina o coração.
E quando todos pensam que apodreces apática
Insurge melancólico o uivo do sentir
Resgatando os corpos de sombras ocas
Reclamando a vida, o perfume de essências
Desabafos sentidos na inconstância metafísica
Cristalina obscuridade no respirar de uma cidade
Quando as asas rasgam tudo o que perece
E voam sem medo, fundindo-se com o horizonte.
Criação... porque será que nunca morres?
Serás tu maior que o Mundo, maior que o ardor
Que envolve o sofrimento pincelado nos claustros
Mórbidos e gritantes da nossa visão.
Tens resposta... tens voz?
Sentes?
Vês-me aqui...?
Abraça-me sobre o tempo
Vamos partir e engolir o momento.
Doença que trucidas o respirar
Quem te ousa tentar derrotar,
Clamando a força de sonhos imortais
Quando a tristeza cresce incessante...
Doença, que caminhas suspirante
Abraçando a amargura despedaçante
Quem te ousa tentar abater
Pensando que te consegue fazer morrer...
Doença que teimosamente resistes
Segregada no coração esquecido de seres
Lânguido e doloroso cântico emites...
Rasgando o colorido de vales, montes.
Quem trava a batalha...
O comandar de um moldar de destino
Rumo ao acolher de diferença e individualidade
Saciar de amor, de alegria e divindade.
Quem entoa apaixonadamente a sua voz
Sibilante partilha de sabedoria e conhecimento
Enquanto rasga de sentir e de presença
O saudável e alegre discorrer do momento..
Quem diz que ama, que cuida e abraça
Os seus anjos, os seus pais, a sua vida..
Quem pára durante breves segundos...
Para meditar, bebendo o sentimento...
Quem se preocupa com o idoso...
Tatuado na rua desprovida de paixão...
Mergulhado na apatia melancólica da solidão
Parecendo parte de uma calçada abandonada...
Quem olha pela criança sofrendo lentamente
Quando o abandono é realidade cruel
Quando as lágrimas lhe escorrem da alma
E a sua inocência morre sem perdão...
Quem compreende o Homem de meia idade
Parecendo perdido em largos anos de vivência
Por seus dedos escapando a razão de uma luta
Uma presença, partilhar de conhecimento...
Quem... Quem ousa...
Pobre doença que mina o Mundo,
Embalando o ser
Na construção da sua própria
Cova.
Um filme como “Nell” não é obviamente um filme inocente. Salvaguardado no seu argumento e na sua exposição dramática de imagens e sons está subjacente um portfólio extenso de noções e aspectos primordiais da natureza humana, do direito à diferença e a uma vida livre, desde que perpetuada nos limites do correcto e do aceitável. A história de uma “menina mulher”, o seu testemunho afrodisíaco perante o mundo, perante o horizonte que lhe beija enfaticamente os sentidos e a faz renascer diariamente. O contacto com o perfume extasiante da beleza natural, aquela que lhe molda a face e a convida a respirar o aroma suave de sonhos e fragrâncias para muitos ocultas nas sombras disformes dos valores da civilização moderna. Os acordes suaves rasgando a atmosfera, abraçando a pureza de um rosto que evoca paraísos escondidos nas mentes absortas e egocêntricas dos homens.
Um testemunho de uma vida dançando ao vento suave de memórias embebidas num mar de amor e de esperança onde a água brilha incessante, lavando a mágoa e a dor de um mundo onde cada vez mais se acolhe a tristeza e cruel visão de anjos vestidos de negro descendo à terra, resgatando das inocentes mãos de doces almas a pureza e simplicidade de sonhos. Despedaçando verdades e corações, tatuando na sua essência a amarga raiz da incompreensão humana e material, do culto opressor e metafísico. Nell encontra-se sozinha na floresta. Perante uma linguagem que aprendeu a amar e a proteger, que é somente a sua linguagem com a alma que a habita, com a essência que a define como um ser único, utiliza-a na sua vivência diária, como modo de transmitir os seus conhecimentos e a visão que possui de um mundo criado sobre as suas experiências. O seu dialecto constitui o testemunho de uma vida a ela entregue num manto suave de amor e compreensão. Dois médicos acabam por descobrir uma “criatura” fascinante perdida no leito suave e acolhedor da floresta. Rapidamente se torna um objecto de estudo apetecível para os dois, não só pelo desejo de descoberta de tal acontecimento, assim como de possível factor impulsionador de uma carreira de trabalho.
No entanto um dos médicos, desempenhado por Liam Neeson, esconde em si objectivos muito mais nobres no estudo de Nell. A sua natureza social, os modelos comportamentais que moldaram a sua maneira de ver e sentir o mundo não lhe envenenam o discernimento mental e a capacidade de compreensão de uma diferença que obviamente não é sempre inferior. O médico preocupa-se com a pessoa, com o ser que esconde sonhos e desejos, uma essência e uma alma únicas. Nell não é para ele uma “selvagem”, que possui uma “linguagem destorcida”. Nell é uma pessoa, um ser que possui sentimentos e tem o direito à compreensão.
A cultura moderna hostiliza tudo o que não é conhecido. Tudo o que não pertence ao foro do culturalmente adquirido e aceitado historicamente é potencialmente perigoso e inconcebível. É efectivamente disto que se trata, atitudes profundamente mergulhadas num egocentrismo e xenofobia opressores. Porque mesmo não se tratando obviamente de uma cultura diferente, Nell possui uma visão única e suave do mundo, como lugar habitado por uma natureza resplandecente, que destila incessante e de um modo suavemente sedutor toda a beleza que lhe veste a essência. À noite banha-se nas doces águas do rio, fundindo o seu corpo puro com a natureza que a acolhe e a incentiva a respirar sem névoa ou malícia um perfume que lhe parece sempre único. De noite rejuvenesce contemplando a beleza virgem de uma lua imensa, que engole o horizonte com o seu brilho transcendental. A vida saboreando a Natureza. A inocência de um sorriso simples e sentido. Oásis de amor e de esperança bebendo da floresta a sua inspiração e força, num contacto profundo com a pureza do sentir. O colo da lua é o seu baloiço de sonhos, o seu caleidoscópio de ensinamentos entoados sobre o leito límpido da Natureza. Não precisa de mais nada. Não pediu mais nada.
Efectivamente “as atitudes, as condutas e os pensamentos são eles próprios o resultado da adaptação do espírito do homem às condições ambientes e uma resposta aos estímulos exteriores”, segundo J.B.Watson. O filme claramente bebe da teoria behavorista parte da sua força e poder argumentativo. A personagem de Nell constitui a imagem crucial e materializada de um ser que se adaptou ao ambiente que a rodeia, constituindo o seu espírito e a sua essência o reflexo desse mesmo ambiente. Os pensamentos e condutas que perpetua e que defende são resultado desse meio onde se encontra inserida. Recorrendo por outro lado a uma teoria apresentada por Piaget, “o conhecimento tem início quando o recém nascido, através dos seus reflexos que fazem parte da sua bagagem hereditária, age assimilando alguma coisa do meio físico e social. Daí provém sucessivas estruturações formando etapas características, chamadas estágios ou níveis de conhecimento”. Recorrendo a esta teoria apresentada e aplicando-a ao caso específico do filme comentado é fácil estabelecer uma relação precisa e concisa entre as duas realidades. Nell recebeu uma educação “especial”. Na sua diferença reside o foco incessante e doloroso de repudia e incompreensão social. Nell assimilou factores e aspectos essenciais do meio físico e social em que se encontrava mergulhada , e o qual lhe banhava a face e lhe oferecia a dádiva pura e simples da natureza, dos valores simples e afectuosos.
Os estágios e níveis de conhecimento a que a transcrição se refere, no caso preciso de Nell manifestaram-se de uma forma muito pouco comum. Embora pareça possuir um conhecimento insuficiente ( para as pessoas que se encontram perto dela, para a maioria da sociedade ), a realidade irá mostrar a essas mesmas pessoas que efectivamente caíram em erro e foram claramente prejudicadas por juízos preconcebidos de valor.
Quando o doutor observa pela primeira vez a beleza pura e simples de uma “criança selvagem”, proferindo palavras soltas banhadas num oceano sedutor e inocente de incompreensão, não deixa de ficar profundamente apaixonado pela visão que se depara perante os seus olhos. Porque sente nela algo de diferente, no espaço que os envolve nasce uma intimidade que os irá guiar durante todo o filme. Nasce uma relação de compreensão, densificada em manifestações ternas de carinho e de procura de entendimento mútuo. Ele não está ali ávido de um objecto de estudo, detentor de um qualquer objectivo específico e preciso. Está ali movido por uma curiosidade aguçada e a sua essência e alma vão ser encaminhadas para uma realidade que irá ultrapassar a mera curiosidade. Conforme cresce a relação entre o médico e a Nell, nasce também uma nova realidade para o coração do médico. Novos valores e ensinamentos tatuam a sua essência, ajudando-o a encontrar na sua alma, parte de si que nunca reconhecera. Nell utilizando o dom que a faz ser única consegue aproximar e renascer essências anteriormente parcialmente adormecidas num trabalho e numa sociedade opressora e egocêntrica. A sociedade, as definições, valores culturais e humanos que a pretendem compreender nunca o conseguem por intermédio da sua acção, porque efectivamente guiam os seus esforços não em prol da compreensão mas sim de uma demonstração hipócrita e egoísta de uma detenção de um conhecimento perfeito e imutável. É principalmente devido a esta cruel realidade que a doutora não consegue compreender Nell , quando a começa a conhecer. Porque não a quer conhecer. A essência individual que lhe banha a face, os seus ensinamentos e os seus sonhos e valores, não são o objecto de estudo tão pouco. São alvos a abater em nome do que está socialmente alicerçado, dos valores culturais correctos e admitidos. A pessoa, a essência de Nell é subjugada sob o nome da ciência, dos valores e conceitos que a mesma defende. Sob o nome de um modelo social que possui regras inflexíveis alicerçado num aparelho estrutural rigidamente construído. A nossa sociedade é cada vez mais sinónimo de incompreensão e hostilidade pela diferença. E muitas vezes não se preocupa ( o que é verdadeiramente assustador ) sobre as causas e significado dessa mesma diferença, ou mesmo se a mesma constituí algum perigo ou ameaça ao bom funcionamento da vida em sociedade, em defesa dos valores e normas comportamentais culturalmente aceites.
Como ameaça ao bom funcionamento de uma sociedade, todo aquele que demonstre através dos seus actos poder vir a tornar-se uma ameaça para esse funcionamento, obviamente terá que ser alvo de medidas coesivas e de vigilância. É esse o principal objectivo da ciência em relação a pessoas como a Nell. A repudia da via de entendimento sobre a sombra negra e disforme da coasão e do controle social. Obviamente que as coisas nem sempre são assim tão simples, e em alguns casos essa coasão é profundamente justificável em nome da vida harmoniosa em sociedade. No entanto Nell sente os corações. Nell tem na sua essência a pureza de um sentimento que guia a vida e comanda um sonho. Tem na sua alma as asas que oferecem voos rumo ao verdadeiro sabor da vida. Na sua pureza e inocência afrodisíacas encontra-se reflectida na sociedade a realidade antagónica. Sede humana de poder, de conhecimento como obtenção desse mesmo poder. Sabor desejado de glória e de cifrões escorrendo brilhantes numa vida ostensiva. Vomitando notas que compram almas e sonhos. Que compram uma vontade e corrompem a verdade. A ela nada disso lhe interessava. Apenas continuar a viver a sua vida, comunicando com a linguagem que lhe fora transmitida, com a qual conhecia parte do mundo natural. O mundo que a acolhia sob a forma belíssima de florestas e rios, folhagens macias ondulando ao vento. Sob a forma de uma casa de campo que a protegia do frio e dos perigos da vida. Uma visão tão límpida, tão pura, a que guiava a sua razão e o seu amor, a sua fé infinitamente divina na procura de um sonho lindo, aquele que lhe oferecia a visão suave e terna da sua irmã, confidente de brincadeiras e de corridas livres no coração da floresta. O sol beijando a sua face, o amor terno de quentura primaveril. O brilho sem medos. A pureza magnífica do sol, irmão da lua, companheiros de essência. A beleza de uma relação pura e imortal. Os anjos levaram o corpo da sua irmã, mas a essência vive eternamente dentro dela. Linguagem de amor, de união. Quando olhou para o espelho procurou transmitir essa mesma linguagem. Procurou repartir com o mundo uma realidade inocente e pura. A ciência não a compreendeu. Viu-se a ela e à irmã. Tudo para ela é uma infinita descoberta. Sabor de vida, paladar existencial e metafísico. Procuravam-lhe retirar isso tudo em nome de um conhecimento científico ávido de novas realidades e noções. Um conhecimento científico que em prol da sua necessidade de informação pretendia utilizar uma essência e individualidade como cobaia para a sua obtenção de informação. Converter uma essência que não queria ser convertida. Ditar intoleravelmente o que era melhor para Nell, sem sequer procurar compreendê-la ou ouvir a sua voz. Nell para a ciência será sempre uma “pessoa atrasada” , detentora de “uma linguagem destorcida”, “uma criança selvagem”. Criança selvagem como sinónimo de uma inocência. Inocência porque a sua essência se encontra imaculada da podridão humana e de tudo o que inspira repudia. Selvagem porque não tem água corrente, electricidade nem telefone. Porque vive no coração da Natureza, não conhece um carro, um avião. Não possui o conhecimento para sobreviver segundo os parâmetros superiores da sociedade moderna. Quem disse? Quem o pode afirmar peremptoriamente?
Ninguém. Ninguém o pode afirmar. Porque não conhecer a sua essência, procurar compreender o que habita na sua alma? Não, para uma ciência sedenta de teorias escorrendo em páginas virgens de papel Nell é somente um objecto de estudo, possível cobaia numa experiência , sinónimo de novas etapas do procedimento e informação científica. A diferença que nela habita é um alvo a abater sem qualquer pudor. É uma necessidade. Imagem de intolerância e incompreensão.
No filme, o médico transpira a necessidade de compreensão tatuada num afecto e intimidade louvável. A sua preocupação primordial passa pela protecção de uma essência e de uma alma que constitui uma individualidade angelical. Desprovida de sombras e simulacros corruptos, detentora de uma realidade que ultrapassa escárnio e sedes opressoras de glória e endeusamento, Nell é uma essência voando livre em busca de um amor e uma esperança que definem e dêem sentido a uma vida. É um caso raro nos dias que correm, onde a preocupação de viver cada dia respira nos nossos corpos. Ela procura voar sobre o tempo e a mágoa de sentir o espírito doente. Protege esse espírito e esses valores abraçando a natureza, procurando mostrar a quem se encontra disponível e aberto para tal, essas mesmas realidades tatuadas no seu rosto sedoso e na sua pele inocente e pura. O seu olhar é denso e penetrante, despindo a natureza, descobrindo nos seus trajes a beleza e pureza que a define. Nell desperta nos dois médicos o brilho que tinham escondidos dentro deles. Consegue fazer aproximar as duas essências através da realidade que guia a sua vida, imortalizada nos valores e na visão do mundo que possui. Aquela que é hostilizada pelos parâmetros da sociedade, aquela que é vítima de um desejo egocêntrico de destruição. Quando é levada para o hospital, o seu espírito adoece lentamente. A sua alma pede ajuda ao coração que sempre brilhou, indiferente a toda a escuridão adjacente à vivência humana alicerçada nos valores ditos “comuns”. Encontra-se aprisionada no desconhecido, nos valores que nunca pediu para conhecer, aqueles sobre os quais possuí uma pequena ideia mas que não quer densificar.
Remete a sua dor para o silêncio onde a sua essência se encontra mergulhada. E finalmente quando tem oportunidade para comunicar o perfume que molda a sua essência, fá-lo proferindo as seguintes palavras: “Não se olham nos olhos e têm fome de sossego(...)sei que todos se vão, todos se vão embora(...) não tenham medo por Nell, não chorem por ela,(...) não tenho tristezas maiores que as vossas”. Acordes de uma vida, de um sonho, de uma verdade. Conseguiu transmitir a sua visão porque o médico procurou compreendê-la. Conduziu todas as suas forças e energia em busca desse objectivo nobre. Quis conhecer verdadeiramente a sua essência, a sua razão e a verdade sobre os ditames da tolerância e compreensão. Ficou para sempre maior como Homem e como Ser. Aprendeu vivendo, compreendo, desejando essa mesma compreensão. Não hostilizou a diferença, a hipotética ameaça.
O filme transpira todos estes conceitos, esta realidade. Será tão difícil ao homem compreender a diferença? Mesmo que ela signifique pureza, beleza e simplicidade. Mesmo que ela traduza de forma inocente mas infinitamente sedutora uma visão e um amor que todos porventura podemos desejar? Perguntas soltas. As quais todos nós poderemos dar resposta. Através de acções. Através de um sentimento. Do entoar livre e sentido de uma canção. A da vida, esperança e amor. Compreensão moldada a tons de sonho. De direito à diferença, de uma individualidade. Poderemos para sempre sermos maiores. Poderemos aprender vivendo. Interactuando. Convivendo apaixonadamente com a Natureza e com quem nos rodeia.