setembro 20, 2004

A pressa...

Às vezes temos tanta pressa de crescer, de libertarmos todo o odor que acreditamos possuir, de mostrarmos ao mundo o nosso valor e o calor da alma que nos cerca, a potência timbrante da nossa voz, a divindade que nos veste e dá força ao corpo. Temos aquela necessidade que fervilha na nossa voz, o ímpeto que rasga o nosso coração, embalando a essência para uma vontade febril de libertar o grito totalitário da nossa alma, do que realmente somos e temos dentro de nós. A calma tão necessária, surge frequentemente aprisionada, como adversário opressor e vil, quando é na realidade uma aliada musculada, fresca e imparcial de nós próprios. Possui o timbre perfeito, a contenção, o timing adequado, a eloquência digna de grandes feitos, o charme de um acontecimento inundado em precisão e pensamentos fogosos.
A calma é uma das nossas dádivas, aliada ao pensamento fortifica uma barreira intransponível, criando um filho prodigioso, que quando libertado harmoniosamente pode ser infinitamente eficaz. Porquê querermos crescer tão rapidamente, engolindo as pessoas e o mundo, se podemos abraçá-los de forma pautada, libertando o nosso cântico de vivências com amor e dedicação? Porquê querermos mostrar o jogo todo na primeira cartada, se na nossa vida teremos milhares e milhares de jogos para nos aplicarmos? Os truques que possuímos, o poker com que nos deliciamos, vendo-o nas nossas mãos, poderá novamente estar presente, se para isso lutarmos e aplicarmos o nosso saber, aliando a necessidade de nos sentirmos presentes e amados, à impactante beleza de extravasarmos o nosso amor com sentir, alma e fogosidade. Só conseguimos ser nós próprios com calma, com precisão e estudo dedicado. Com sentir, com o abraçar incisivo a uma causa, sem pensar em mais nada, ou em milhares de necessidades interligadas numa única golfada de ar. Somos nós próprios a partir do momento em que aceitamos a nossa condição de seres humanos, e mais importante que tudo, aceitamos os outros como também pertencentes a essa realidade.


In Diário de Bordo

Publicado por Ray_Manzarek em setembro 20, 2004 12:01 AM
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setembro 20, 2004
A pressa...

Às vezes temos tanta pressa de crescer, de libertarmos todo o odor que acreditamos possuir, de mostrarmos ao mundo o nosso valor e o calor da alma que nos cerca, a potência timbrante da nossa voz, a divindade que nos veste e dá força ao corpo. Temos aquela necessidade que fervilha na nossa voz, o ímpeto que rasga o nosso coração, embalando a essência para uma vontade febril de libertar o grito totalitário da nossa alma, do que realmente somos e temos dentro de nós. A calma tão necessária, surge frequentemente aprisionada, como adversário opressor e vil, quando é na realidade uma aliada musculada, fresca e imparcial de nós próprios. Possui o timbre perfeito, a contenção, o timing adequado, a eloquência digna de grandes feitos, o charme de um acontecimento inundado em precisão e pensamentos fogosos.
A calma é uma das nossas dádivas, aliada ao pensamento fortifica uma barreira intransponível, criando um filho prodigioso, que quando libertado harmoniosamente pode ser infinitamente eficaz. Porquê querermos crescer tão rapidamente, engolindo as pessoas e o mundo, se podemos abraçá-los de forma pautada, libertando o nosso cântico de vivências com amor e dedicação? Porquê querermos mostrar o jogo todo na primeira cartada, se na nossa vida teremos milhares e milhares de jogos para nos aplicarmos? Os truques que possuímos, o poker com que nos deliciamos, vendo-o nas nossas mãos, poderá novamente estar presente, se para isso lutarmos e aplicarmos o nosso saber, aliando a necessidade de nos sentirmos presentes e amados, à impactante beleza de extravasarmos o nosso amor com sentir, alma e fogosidade. Só conseguimos ser nós próprios com calma, com precisão e estudo dedicado. Com sentir, com o abraçar incisivo a uma causa, sem pensar em mais nada, ou em milhares de necessidades interligadas numa única golfada de ar. Somos nós próprios a partir do momento em que aceitamos a nossa condição de seres humanos, e mais importante que tudo, aceitamos os outros como também pertencentes a essa realidade.


In Diário de Bordo

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