O medo. Medo que não merece a nossa atenção, o nosso ardor, a nossa carícia. O medo que apenas existe quando pensamos nele, e quando nele depositamos a nossa existência. Medo de ter medo, medo de ter medo quando temos medo. E por aí andando, demonstrando a nossa profunda e por vezes angustiante vocação humana. O de não enfrentar os problemas, os caminhos, o destino. De nos preocuparmos com simples metáforas da desistência humana, quando somos capazes de muito mais, se até aqui chegamos. Deixaremos o medo corromper a nossa acção, o nosso amor e vontade, quando o coração nos fala na intensidade de um sentir e de uma vivência? Saberemos realmente identificar o fio condutor do medo, como existência e realidade inequívoca? Por vezes o medo para nós reveste-se de várias maneiras e alternativas. É sinónimo de necessidade de desistência, de apatia, de desilusão, de falta de auto – confiança. Mas nunca deverá ser sinal de uma perda perante nós próprios, de um abandono da nossa alma e dos nossos estímulos enquanto seres pensantes, enquanto entidades que podemos marcar a diferença e conduzir as nossas vidas para novos e mais límpidos patamares existenciais. Agarrar o medo, aprender com ele, estudar o motivo para uma presença, consiste principal caminho para o ultrapassar e passar a conviver com ele, não como uma dificuldade impossível de ultrapassar, mas como algo que nos orienta e nos ajuda a encontrarmos toda a força que nos reveste.
In Diário de Bordo