O medo. Medo da incerteza, fugaz desconhecimento de algo que se afigura distante, esperando a concretização de uma iminência do destino. Medo de nós próprios, receio de experienciar uma desistência opressora e vil. O medo de morrermos no campo de batalha, incapazes de erguer as nossas defesas naturais e armas existenciais em prol de uma luta que passa pela preservação dos nossos sonhos e respirares sedentos de glória. A inconstância de uma prece, o soltar selvático de um grito nos claustros mirabolantes da memória. O medo de nos perdermos na infinidade de mil caminhos, alheios a todos os ensinamentos pretéritos que nos sibilam a memória. A desgraça de podermos mergulhar no rio do esquecimento, bebendo de suas águas enfeitiçadas a triste e decadente poção do apodrecimento físico e espiritual.
Publicado por Ray_Manzarek em junho 14, 2004 12:48 PM