junho 10, 2004

Hans Zimmer

Depois de mais uma vez ouvir deliciado, a banda sonora do Último Samurai, apeteceu-me partilhar com todos, algo que me reveste o pensamento. Sem dúvida alguma, para mim, Hans Zimmer é no panorama moderno cinematográfico americano, um compositor que constantemente se reinventa e dota os filmes em que participa, de uma atmosfera envolvente e profundamente sedutora. Não só o consegue fazer, como também abraça todo o filme numa unidade melódica que consegue fazer sonhar e transpor a individidualidade e sentir de quem vê, para o plano de batalha, para o desflorar de imagens, de sentidos, de vivências.
A banda sonora do Último Samurai, em mim produz um sentimento de profunda tristeza e melancolia, sem no entanto agarrar-me por vezes num profundo rasgar de força e de pulsar heróico. Essa heroicidade que reconhecemos no campo de batalha, na força de condutas e pensamentos de vida retratados no filme. Mais importante que tudo, ao ouvir a banda sonora isolada do filme, todos esses sentimentos abraçam uma essência e espevitam-na, recriando uma pintura mental condensada de uma tatuagem de grandes príncipios e qualidades humanas. Como representar através de caracteres e de linhas de texto, uma fusão melódica irreprensível da filosofia e do calor do combate, a adição de orquestrações orientais com traços sedutores da natureza. É poesia, cor e sabor adicionados perante a nossa audição atenta, com uma ténue lágrima nos nossos olhos, aqueles que verdadeiramente se sentem tocados por música vinda da alma, incessante e única.
Mas não só no Último Samurai aparece Hans Zimmer. Ele aparece também no Gladiador, no Cercados, e em outros filmes, sempre com um inegável talento, carisma de autor e uma reinvenção dum contexto musical. Estas duas últimas sonoras, são também, uma representação inequívoca do seu talento, da força e brilho das suas composições, que sem qualquer esforço resistem a uma audição fora do seu filme de origem.
Quando a música abraça o espaço, se funde com ele e passa a fazer parte do nosso respirar diário, como uma banda sonora intimista do nosso coração, do pulsar do corpo e da alma, esse factor nunca poderá ser inocente ou casual. É algo que muito raramente acontece, e quando acontece, é uma forma de arte, uma obra intemporal, um sibilar atento às nossas raízes, ao pincelar de um percurso e de uma vida. Essa música é vida, é cor, é o paladar escondido na bruma de mil destinos perante as nossas visões.

Publicado por Ray_Manzarek em junho 10, 2004 09:13 PM
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junho 10, 2004
Hans Zimmer

Depois de mais uma vez ouvir deliciado, a banda sonora do Último Samurai, apeteceu-me partilhar com todos, algo que me reveste o pensamento. Sem dúvida alguma, para mim, Hans Zimmer é no panorama moderno cinematográfico americano, um compositor que constantemente se reinventa e dota os filmes em que participa, de uma atmosfera envolvente e profundamente sedutora. Não só o consegue fazer, como também abraça todo o filme numa unidade melódica que consegue fazer sonhar e transpor a individidualidade e sentir de quem vê, para o plano de batalha, para o desflorar de imagens, de sentidos, de vivências.
A banda sonora do Último Samurai, em mim produz um sentimento de profunda tristeza e melancolia, sem no entanto agarrar-me por vezes num profundo rasgar de força e de pulsar heróico. Essa heroicidade que reconhecemos no campo de batalha, na força de condutas e pensamentos de vida retratados no filme. Mais importante que tudo, ao ouvir a banda sonora isolada do filme, todos esses sentimentos abraçam uma essência e espevitam-na, recriando uma pintura mental condensada de uma tatuagem de grandes príncipios e qualidades humanas. Como representar através de caracteres e de linhas de texto, uma fusão melódica irreprensível da filosofia e do calor do combate, a adição de orquestrações orientais com traços sedutores da natureza. É poesia, cor e sabor adicionados perante a nossa audição atenta, com uma ténue lágrima nos nossos olhos, aqueles que verdadeiramente se sentem tocados por música vinda da alma, incessante e única.
Mas não só no Último Samurai aparece Hans Zimmer. Ele aparece também no Gladiador, no Cercados, e em outros filmes, sempre com um inegável talento, carisma de autor e uma reinvenção dum contexto musical. Estas duas últimas sonoras, são também, uma representação inequívoca do seu talento, da força e brilho das suas composições, que sem qualquer esforço resistem a uma audição fora do seu filme de origem.
Quando a música abraça o espaço, se funde com ele e passa a fazer parte do nosso respirar diário, como uma banda sonora intimista do nosso coração, do pulsar do corpo e da alma, esse factor nunca poderá ser inocente ou casual. É algo que muito raramente acontece, e quando acontece, é uma forma de arte, uma obra intemporal, um sibilar atento às nossas raízes, ao pincelar de um percurso e de uma vida. Essa música é vida, é cor, é o paladar escondido na bruma de mil destinos perante as nossas visões.

posted by Ray_Manzarek at 09:13 PM
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