Frequências e trabalhos pincelavam o momento, ao mesmo tempo que se empoleiravam na eminência da concretização de um estágio. A pintura borratava-se de tons negros e carregados, quando o tempo e o espaço ditavam as suas leis, apresentando a cruel realidade de uma jornada insaciável de energia, nociva a qualquer tipo de descanso, por mais mínimo que fosse.
Enquanto o comboio suspirava sob os contornos de uma linha, traçando um caminho e destino físico, os seus olhos miravam a imensidão de um palco natural, polvilhado por inúmeros actores inanimados, pactuando o seu espaço com o polvilhar de sonhos e movimentos humanos. Olhava para isto tudo como simples espectador, olhando para o seu tiquet de vida, prestes a expirar de validade e a precisar de uma renovação. Como um qualquer animal que necessita de nova pele ou escama para recuperar forças e reavivar memórias e energias, Pedro sentia-se perdido na eminência de realidades que lhe minavam o discernimento e o recolhiam na completa apatia e pânico de não saber o que fazer, perante um caleidoscópio tão cerrado de cores, que se formatavam como caracteres, despindo-se perante ele, alheios ao facto da sua falta de tempo.
In Diário de Bordo
Publicado por Ray_Manzarek em maio 10, 2004 04:30 PMOá amigo. Hoje é dia 13 de maio.Permita-me que eu reze uma avé maria por si.
Afixado por: valeria em maio 13, 2004 06:05 AMCaro blogueiro, belas palavras as suas. Seu blog tem uma melodia suave lindíssima! Parabéns.
Afixado por: Lory M. em junho 1, 2004 02:48 PM