A lua espreita sorridente, vociferando a melodia afrodisíaca do sentimento , abraça o sol numa despedida calorosa e ali fica cativa. Necessitando de amor , de olhares penetrantes e doces. A canção que se ouve sussurrar na praia é a canção da esperança. Que tudo seja como aquele momento, doce, simples, magnífico. A lua beija a dor , abraça o sentimento, cura com o seu brilho toda a escuridão que assola o ser. Com a sua essência ensina-nos que podemos ser como ela, se nada pedirmos em troca. Apenas um pouco de atenção e carinho, um pouco de amor e dedicação.
Dedicação a algo em que acreditamos, que depositamos a nossa criatividade e irreverência. A algo que está dentro de nós, e o sentimos como parte indissociável do nosso respirar. Ao olhar para o movimento acrobático da lua, dançando alegremente, partilhando a pintura celeste com o sol, Pedro relembrava o seu projecto, o contexto a ele intimamente ligado. Como negar a sua profunda paixão pelo teatro, discorrer sincero de sensações, de um interior que é nosso, com o qual podemos brincar, abraçar e demonstrar. Porquê uma cada vez mais penumbra perante a aparição de nós perante os outros? Porquê tanto medo de nos mostrarmos, a nossa vivência, o nosso movimento corporal, a nossa sensibilidade poética e metafísica? O teatro era para Pedro, a límpida representação do abraçar do eu individual e do espírito de grupo. O alimentar de uma personagem, encarnar num novo corpo e alma, expressão plástica espectacular, desenfrear profundo e sincero de sentimentos e vivências, libertar dum eu e de uma alma. O teatro como intervenção social, o teatro como um palco não de falsas almas, cruéis mentiras tatuando o espaço, mas como uma parafernália belíssima de emoções, de rugidos filosóficos, de conjugação de esforços. No teatro aprendia a ser ele próprio, reconhecia a sua individualidade. Abraçava a sua alma e compreendia o espaço que o rodeava. No teatro aprendera a ser ele próprio, sem ter receio ou medo de o ser.
Um actor não é um camaleão. Um camaleão é que é um actor.