No recanto de sóis que queimam a alma
Invade o suspiro de uma terna invocação
Escapando do Mundo, voando sem rumo
Querendo abraçar um pequeno passo.
Sei que sabes a cor das minhas palavras
Tacteando o espaço que molda a tua face
Imagino a tua voz rasgando o silêncio
Reclamando a certeza da tua presença.
Sei que reconheces o sabor de um sonho
Cujo autor adormece na penumbra.
Mas o ciclo vicioso que te corrompe
Bebe das tuas orações a sua razão.
O acordar de hoje não é diferente
Apenas se veste de noite febril
Troca de olhares, dançar de dias
Num acorde sentido tatuado na rua.
Querias que fosse o eterno viajante
Nos teus braços caminhando sem rumo
Mas sei que a minha voz também sente
Como um coração lindo inocente.
Pilotas a tua razão no desfiar de um sentir
Navegante mimada de contradições lógicas
Bebo a água salgada, filha do desespero
Mergulho no enlamear de uma triste fuga.
Estás longe, onde o sol não te avista
Onde a água não te sente o sabor
Onde a chama se apaga na vil desistência
Queres ser alguém numa febril inconstância.
És quem sentes e queres agora sozinha?
Será a inocência perdida o teu desejo,
Quando a saudade nada te diz agora
E perdes o brilho dos teus doces olhos...
Despes as cartas do teu destino
Comandas um desejado caminho
Fui embora, sem contemplação
Não pretendo nenhuma justificação.
Querias que fosse o eterno viajante
Nos teus braços caminhando sem rumo
Mas sei que a minha voz também sente
Como um coração lindo inocente.