Querias encontrar-me no final do teu destino
Na tristeza de um grito derramado no escuro
Ao invés olhaste para o choro de um sino
Reclamando o abandonar tatuado num muro.
A história que reclamaste como nosso rebento
Era afinal a demonstração do teu amargo sabor
Deixaste-me absorto, minado, sedento...
Pincelando caminhos, reclamando um amor...
Viveste sonhos sozinha, empolgada pela névoa
Aquela que nunca te desenhou o nosso respirar
E o retracto que imaginaste, com a tua régua
Esquartejou o canto, o recriar, o saber voar..
Desconfiaste de quem te ajudou no sofrimento
Perdeste a inocência que te vestia o rosto
A mágoa de sentir o amargo desalento
Suspirou naquele febril dia de Agosto...
A palma de mil destinos perdia toda a sua glória
Quando nas tuas palavras se despiam fragrâncias
Espelhando a verdade, envenenando a memória
Museu de falsos milagres, vagas intolerâncias...
Agora estás onde queres, trapezista do teu circo
Onde não habito jamais, nem sequer em sonhos
A pintura que guardo, é doce, perdão.. minto.
É um acordar que sussurra paladares risonhos.