Tou bêbado.. Admito... Gosto mais de escrever bêbado do que bebedo.. Dói-me a hipocrisia das pessoas, vagueando lentamente por todo a atmosfera e brilho da cidade. Dói-me o facto de as pessoas saberem que por vezes magoam, e essa evidência não pesar em nada a sua conduta...Fico enraivecido quando vejo que todos nós somos iguais em papel, mas diferentes no que diz respeito ao discorrer ténue do dia a dia.. Todos somos diferentes, porque não nos vemos como realmente somos.. O que temos para dar, a possibilidade e força infinita que possuímos para amar e conquistar o que desejamos. Tantos perecem no disforme manto de dor e solidão quando avistam a sua própria desistência.. Tantos morrem com a glória intacta, com o seu amor, mas sem qualquer palavra que os embalasse numa nova jornada.
Dói-me saber que muitos neste mundo morrem sem conhecerem o caminho que mereciam. E outros traçam caminhos que ostentam com fervor, inerentes ao facto de que não passam de meras carcaças imundas, que nunca sonharam ou amaram, apenas possuem o expólio e futuro de pessoas que nunca se hão-de assemelhar às suas almas. Perdoem-me a minha profunda agonia e/ou complexidade, mas não o consigo evitar.
A honra, a verdade, o amor são cada vez mais realidades e bens universais e eternos que fustigam tristes apenas em filmes, livros e/ou realidades adversas a nós. Que raiva! Mas porquê não admitir a nossa completa fragilidade perante o Mundo? Porque não admitir que somos, mais que tudo, seres que necessitam de amor? Alguns de nós admiram e prezam a honra, mas outros completamente a hostilizam como bem inferior. A honra é eterna, é parte do Mundo e da nossa existência individual. Como o amor, a verdade...
Todos os dias morrem pessoas. De mil e uma maneiras. Mas todos os dias podemos abraçar o que realmente somos. E como alguns que já foram, morrer por uma causa e por um amor. Morrer vazio deve ser a passagem mais tortuosa de sempre... Morrer por algo, por nós próprios.. é morrer com honra.. Com amor e dignidade..