Existem alturas em que tudo parece um simulacro do passado. Onde tudo faz a sua aparição com sombras, ténue nevoeiro engolindo o espaço envolvente, capturando e mantendo cativas almas e seres, sem compaixão ou arrependimento. Caímos aos pés da realidade, completamente prostrados na nossa ceguez pretérita, não conseguindo guiar a essência novamente por entre o vale de dor e sofrimento. Entregamos a espada da luz que outrora ostentamos com tanto orgulho e dedicação, criando um fim inglório e triste para uma luta leal e destemida, uma luta que ditava a nossa essência e o caminho da nossa alma, do nosso coração e espírito. Ditamos o final da jornada que nos propusemos caminhar, cedendo a uma realidade que agora nos diz o quão inocentes fomos.
Mas existem poemas que mantemos dentro de nós que tudo saram, tudo combatem com uma maravilhosa força interior e divindade. As palavras engolem a tristeza, chamuscam sombras e vales soturnos, despedaçando o desconhecido, desmembrando focos de dor e opressão faíscante. Temos dentro de nós, nas pessoas que nos cercam e que vivem na nossa essência, toda a força de que necessitamos para lutar pelo que realmente desejamos e queremos. Luta por um amor, pelo sentimento que nos invade num beijo suavemente polvilhado no corpo, irradiando sedução e paixão indestrutíveis.
A vida é um poema, canção irresistível de existência. Poema de amor, de felicidade, de esperança. Poema de dor, de sofrimento, de lágrimas salgadas de voos despedaçados. Mas se assim não fosse tudo era tão linear. Tão simples.”
In Retalhos de Sentir - Pequeno livro da minha autoria não publicado
Publicado por Ray_Manzarek em setembro 15, 2003 03:16 PMO que você escreveu aqui é tão lindo. Toca a alma, faz pensar, refletir. Estou encantada. beijos e uma boa semana para você.
Afixado por: Lua Esquerda em setembro 15, 2003 03:24 PM