setembro 07, 2003

América Proibida

O discurso narrativo, de contornos poéticos e extremamente líricos, apresenta-nos a história de dois irmãos, vivendo num habitat existencial e filosófico semelhante, os quais defendem afincadamente a superioridade cabal da raça branca em contraposição com as demais. Aliás, levam a sua posição a contornos profundamente radicais e condenáveis, na medida em que usam e abusam de presença física para fundamentar as suas teses e a ideologia que lhes banha a percepção existencial. Para eles, as demais raças, principalmente a negra e a amarela, vive do aproveitamento de oportunidades e benefícios que deveriam ser unicamente usufruídos pela raça branca, e por isso beneficiam de algo que não merecem e que não pertence a um horizonte vivencial.
Este aspecto constitui uma realidade importante, susceptível de ser cuidadosamente abordada e comentada, na medida em que cada vez mais no Mundo que cede a sua habitação a todos nós, pontificam sementes de discórdia, ódio e sofrimento decorrente de uma separação entre culturas, ideologias e raças humanas. Muitas vezes estes aspectos originam repercussões gravíssimas na integridade e desenvoltura de um indivíduo, na sua liberdade e expressão, comunicar com os demais e estabelecimento de uma interacção saudável e participada. Ao longo da história reconhecem-se inúmeros casos de preconceito racial, verificando-se evidências gravíssimas decorrentes de actos egoístas, egocêntricos, opressores e selváticos. Todas as culturas são distintas, e isso constitui uma realidade inegável. Assim como que, necessitam de enquadramento teórico e ideológico para serem compreendidas perfeitamente no seu todo e habitat natural. Muitas vezes reclama-se a superioridade de uma cultura perante a outra, assim como de uma raça, quando não existem raças nem culturas inferiores ou superiores, em relação umas às outras. Urge atingir uma compreensão, uma procura de entendimento entre diferentes perspectivas, usos e costumes identificados e nados de uma determinada cultura.

É importantíssimo um conhecimento preciso destas realidades, para uma partilha comunicada e harmoniosa de povos, para um conhecimento límpido e consciente, banhando o horizonte de trocas e perspectivas decorrentes de modos diferenciados de estar perante o mundo, de agir e comunicar. Não poderemos esquecer que a cultura que nos banha, a qual foi recebida ao longo da nossa vivência e interacção com o Mundo e a nossa família, é algo que nos é indistinto e de extrema importância, mas não constitui uma realidade global, algo superior que nos define e eleva. Como a nossa cultura é importante para nós, para a nossa comunicação e vivência, também é para os diferentes povos, que tal como nós, a defendem e transpiram através dos seus actos e perspectivas de vida, usos e costumes caracterizadores da mesma. Teremos que entender essa diferença, não como inferioridade cultural ou ideológica, mas como um aspecto e caracterização própria e indistinta dessas pessoas. Assim como a tonalidade da pele e diferenças físicas nunca poderão ser justificação para uma pretensa inferioridade ou propicidade a actos inconscientes e opressores.
O filme aborda estas temáticas de modo consciente, sincero e puro, apresentando uma pintura triste e lânguida, de como a indiferença, desprezo e racismo poderão conduzir um homem a um processo de autodestruição e desmembrar do seu processo de desenvolvimento, partilha e comunicação perante o Mundo e para o Mundo. Alimentando-se de um ódio injustificado e incoerente, concentrando toda a sua força na defesa de valores gastos, ocos e disformes, a personagem de Edward Norton trava uma batalha vazia de sentido, de fundamentação teórica e existencial. A sua raiva apenas lhe fomenta o vazio de sonhos e perspectivas, a ausência de um horizonte onde cresça a partilha e a comunicação de ensinamentos e perspectivas com verdadeiro valor humano, embebidas em cariz existencial propenso a um combate consciente, autónomo e harmonioso.
Tendo tido uma adolescência onde os valores defendidos pelo seu pai, bebiam dessa indiferença e racismo as raízes geradoras fundamentais, fora parcialmente influenciado por essa realidade que lhe pincelou essa fase do seu amadurecimento e desenvolvimento intelectual e físico. Aliado à existência e partilha de espaço e de opiniões com outras más companhias, seguiu um rumo de ódio, desprezo, combate oco e trucidante em defesa de valores que, numa análise consciente e sincera, representavam tudo aquilo dispensável e originário de tristeza, melancolia e solidão. O seu irmão mais novo, fascinado com a sua força, com defesa tão “apaixonada” de valores e perspectivas, adopta para si o mesmo caminho, acompanhando o seu irmão, quer num percurso físico quer intelectual, tatuado na partilha das mesmas ideologias, vivências e carácter filosófico.
O percurso dos mesmos vai ser grandemente influenciado pelas suas escolhas, razão argumentativa do discurso ideológico e consciente do filme, que percorre de modo cuidadoso, sentido e límpido, as repercussões e consequências dos actos dos dois irmãos, ao mesmo tempo que apresenta uma tatuagem triste e melancólica dos actos de desprezo e intolerância racial, alicerçados num trucidante despedaçar de essências e individualidades, que possuem todo o direito a defender a sua raça e as suas perspectivas, vivências, conhecimentos e ensinamentos. A cultura, ideologia e raça nunca deverão ser alvo de contestação ou repúdio, se os usos e costumes pincelados na mesma não atentarem contra liberdades e integridade pessoal e individual dos indivíduos, pertencentes ou não a esse habitat cultural e racial.

Publicado por Ray_Manzarek em setembro 7, 2003 08:42 PM
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setembro 07, 2003
América Proibida

O discurso narrativo, de contornos poéticos e extremamente líricos, apresenta-nos a história de dois irmãos, vivendo num habitat existencial e filosófico semelhante, os quais defendem afincadamente a superioridade cabal da raça branca em contraposição com as demais. Aliás, levam a sua posição a contornos profundamente radicais e condenáveis, na medida em que usam e abusam de presença física para fundamentar as suas teses e a ideologia que lhes banha a percepção existencial. Para eles, as demais raças, principalmente a negra e a amarela, vive do aproveitamento de oportunidades e benefícios que deveriam ser unicamente usufruídos pela raça branca, e por isso beneficiam de algo que não merecem e que não pertence a um horizonte vivencial.
Este aspecto constitui uma realidade importante, susceptível de ser cuidadosamente abordada e comentada, na medida em que cada vez mais no Mundo que cede a sua habitação a todos nós, pontificam sementes de discórdia, ódio e sofrimento decorrente de uma separação entre culturas, ideologias e raças humanas. Muitas vezes estes aspectos originam repercussões gravíssimas na integridade e desenvoltura de um indivíduo, na sua liberdade e expressão, comunicar com os demais e estabelecimento de uma interacção saudável e participada. Ao longo da história reconhecem-se inúmeros casos de preconceito racial, verificando-se evidências gravíssimas decorrentes de actos egoístas, egocêntricos, opressores e selváticos. Todas as culturas são distintas, e isso constitui uma realidade inegável. Assim como que, necessitam de enquadramento teórico e ideológico para serem compreendidas perfeitamente no seu todo e habitat natural. Muitas vezes reclama-se a superioridade de uma cultura perante a outra, assim como de uma raça, quando não existem raças nem culturas inferiores ou superiores, em relação umas às outras. Urge atingir uma compreensão, uma procura de entendimento entre diferentes perspectivas, usos e costumes identificados e nados de uma determinada cultura.

posted by Ray_Manzarek at 08:42 PM
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