Recordo-me de um episódio curioso que me aconteceu. Coimbra, à um ano, por volta de Fevereiro. Ia eu muito bem na baixa da cidade, para me encontrar com o meu amor, quando uma completa desconhecida me interpela. Muito bem, é uma representante da Lipton. Comunica-me que estão a fazer um estudo de mercado, a registar a aceitação e capacidades de um novo produto. Pergunta-me se por uns breves minutos não a posso ajudar nessa tarefa. Vamos lá então, sempre quero ver o que é, agora estou curioso. Subo lá por umas escaditas de um café, e deparo-me com um total arsenal de material publicitário e estratégias de marketing. O sabor novo é qualquer coisa como “Fresh Limon”, e representa uma tentativa da Lipton de inverter a situação de mercado do seu Ice Tea normal de Limão, cujo sabor tem vindo a ser preterido a favor de outros vários. Sou colocado à prova, perguntam-me se registo diferenças neste sabor. Eu digo que sim ( algumas, mas não muitas ), pedem-me para provar mais um bocadinho. Agora colocam o problema da acidez ( está boa, digo eu ). Muito bem, a prova de sabor acabou. Agora é tempo de me vestirem as peles de publicitário. Apresentam-me três cartazes com slogans diferentes. Pedem-me que diga qual dos três chama mais a minha atenção ( estavam os três muito giros e vistosos, mas os slogans eram francamente de mau gosto ). Afirmo isso mesmo, directamente. Não me levam a mal e registam a minha opinião. Na mesma sala encontram-me mais quatro ou cinco pessoas na mesma situação do que eu. Todos parecem um bocado perdidos, mas também extremamente sinceros nas suas opiniões. Preencho um papel que parecia interminável, e novamente provo o sabor novo, correspondendo a nova solicitação. Digo-lhe que nada mais tenho a registar, pergunto-lhe quando o novo sabor estará disponível. Ainda não sabem, mas espera-se que vingue no próximo verão.
Não vingou. Ainda não o vi em lado nenhum, por isso nem sequer chegou a sair dos recantos da experimentação. Fui então uma cobaia, digamos assim. Experimentei algo que não obteve sucesso, não sendo mesmo lançado para o mercado. Fiquei curioso, porque será que tal não aconteceu? Seria da acidez, das poucas diferenças em relação ao outro? Ou do investimento necessário? Ou da publicidade com slogans ranhosos? Não sei, mas ainda dava 1 euro para descobrir o porquê.
Tadinha da Márcia, a minha namorada linda linda linda, é que as pagou, esperou por mim uma hora. Fui a correr ao seu encontro, apresentando a única desculpa que poderia. Fui cobaia mor, desculpa o atraso. E inundei-a de beijinhos e muito mimo.