Não é de homem ir ver um filme de bonecos. Não é, ponto final. Um amigo meu um dia cilindrou-me com esta afirmação. Diz ele que, sendo feitos para as crianças, não tem qualquer cabimento ele ver um filme, que à partida, sabe ser infantil, inocente, chato, que não tem mortes nem sangue, ou mesmo traições ou sexo. Mais, que defende sempre a mesma coisa, os valores da amizade, do amor, da procura pela concretização dos nossos objectivos e sonhos. O chavão, “as crianças são a melhor coisa do Mundo, porque são doces e sinceras”, também se encontra maioritariamente presente.
Não concordo com o meu amigo. É de homem ver um filme de animação. É de homem, porque todos esses valores deverão ser sempre preservados, defendidos e acarinhados. E porque realmente as crianças são seres dóceis e sinceros. Mais, sendo por vezes, em algumas situações, agressivas, não conseguimos odiá-las, porque o fazem de maneira ternamente sedutora, geralmente através de expressões e ou acções que espevitam o nosso sorriso de benevolência. Compreender e acarinhar as crianças, pertencer ao seu mundo, constitui um exercício límpido de crescimento interior introspectivo, de desenvoltura humana e espiritual. É de homem ver um filme de bonecos sim senhor. A mim, eles fazem-me rir com extremo gosto e boa disposição, continuam a ensinar-me e a demonstrar sentires e aspectos escondidos em mim mesmo. Fazem-me chorar, nos seus momentos mais dramáticos, doces e ternurentos. Incitam em mim o doce desejo de poder abraçar, ter, sentir, preservar, defender, acariciar. De elevar o doce cântico do amor a um patamar divino, para lá do horizonte e da eternidade.
Tenho ido frequentemente ver filmes de animação. Vou sempre com o meu amor, divertimo-nos loucamente, e no final da sessão geralmente sorrimos inundados de amor e carinho. Olhamos um para o outro e abraçamo-nos recordando os voos dos personagens principais, nas suas maratonas de vivências e destinos. Comentamos apaixonadamente o filme, desfiando as personagens e os acontecimentos que vivenciaram, questionamo-nos o que faríamos em suas situações. Entramos no mundo das personagens. E mesmo sendo imagem “não real”, isso não nos retira a veracidade, o impacto e a presença, poder do filme em si. São uma dádiva do mundo, os filmes de bonecos. Adoro os Toy´s Story´s, os Monstros e Companhia, o Sinbad, o cavalito selvagem Spirit, os dois malandros do Caminho para El Dorado. Fazem-nos sonhar, redescobrir o brilho e o sentir que temos dentro de nós, a nossa paixão e amor. Nunca deixarei de os ver. E confesso, estou ansioso por “achar o Nemo”! O pior é que ele nunca mais chega. Dizem-me que é só lá para o Natal. Ora bolas!