todo musical de Carlos Paredes constitui um exemplo e mosaico vasto e inundado de beleza, alicerçado na profunda paixão, dedicação, amor e talento de um homem a um instrumento musical, fenómeno vivo de um enraizar e defesa de raízes e valores culturais indistintos de um percurso de um indivíduo e da colectividade e país a que pertence e com o qual se identifica. Carlos Paredes, através das suas composições plenas de sentimento afrodisíaco e aflorar de comunicação, defesa de individualidade e espírito criativo, desenvolvimento pessoal progressivo no manuseamento de uma paixão, construiu e pincelou um quadro belíssimo de cores fortes e vivas, que para sempre ficarão tatuadas na história musical de um país e de um povo. Dedicando muita parte de suas composições a profissões trabalhadoras, a sentimentos e invocações, rasgava o céu com a nobreza da sua arte, dotando o horizonte de cores fundindo-se num todo coerente e lógico, abraçando a doce audição e o suspiro emanando do ser e das suas motivações e impulsos.
É inegável o valor e o significado do Homem por detrás da guitarra portuguesa, assim como a voluptuosidade grandiosa das suas composições e os objectivos conscientes e límpidos por detrás das suas origens. Olvidar este facto, será renunciar a uma realidade que dita a consciência e poder da música, enquanto instrumento delineado para a prossecução e obtenção de fins límpidos, rasgando a tristeza, apatia e melancolia de seres e existências. Quando a guitarra parece que fala, debitando acordes parecendo impossíveis de serem travados, ela efectivamente fá-lo, recolhendo a uma forma de comunicar distinta de outras, mas com semelhante poder e intensidade. E o sentimento que desperta em nossos rostos e corações não é diferenciado de lindas e belíssimas tatuagens escritas, muito pelo contrário, constitui experiência semelhante, idêntica.
Gostaria então de salientar o aspecto então, de fulcral importância para uma boa e precisa elucidação. Os valores e costumes, o legado cultural não é subjugado ou hostilizado, antes é preservado, abraçado e valorizado nos movimentos artísticos de Carlos Paredes. E com as suas composições procura romper a pacatez e a desistência, ao elaborar verdadeiros e sentidos cânticos de vivência portuguesa, tatuada em profissões e em destinos, em invocações e imagens soltando-se numa doce tarde de Primavera. É a preservação de uma individualidade, o travar de uma luta em busca de um desenvolvimento individual, identificação grupal e cultural. Uma manifestação de espírito criativo ávido por desenvoltura e crescimento decorrente de uma prática, uma soltura de gritos inundados de presença e vivência, quer espiritual, quer corpórea.
O que Carlos Paredes fez ao longo do seu percurso musical, foi abraçar a sua arte e a sua paixão, e usar o método em que se conseguia exprimir melhor, de modo apaixonado e consciente, sem se preocupar com possíveis quedas ou despedaçares artísticos. E venceu uma batalha, rompendo os claustros do Mundo, ao ecoar com sibilos límpidos e ternos, os acordes das suas composições. E como elas nos fazem sentir presentes, incentivando a uma luta, a uma concretização de objectivos e saciar de sonhos. São debitados sentimentos, ao mesmo tempo que gritam como presentes e vivos ao longo de toda a composição. E por vezes dói ouvir o gemido da guitarra, mas outras vezes abraça a alma e fá-la sorrir, quando a composição é alegre e sonhadora. É este o seu maior valor, comunicar e interagir com as pessoas utilizando o seu maior dom, um talento incrível e denso na arte de manejar um instrumento tão difícil e complicado.
Completamente de acordo consigo!Eu tive a honra de falar um dia com CARLOS PAREDES que nao hesitou em receber-me,mesmo sem saber quem eu era,só pelo motivo de eu ter cantado uma musica dele num programa da Televisao Madeirense(RTP-M).Eu enviei-lhe o video e tempos mais tarde recebo uma carta dele agradecendo e convidando-me a visitá-lo quando eu fosse a Lisboa.Assim são os grandes génios!Magnânimos!Carlos Paredes,junto com Amália e Fernando Pessoa são a meu ver as 3 principais figuras portuguesas do seculo XX.
Afixado por: Valeria Mendez em setembro 1, 2003 05:00 AM