O ser caminha em silêncio
Tormento de existência...
Crivar de lâminas aguçadas
Num coração gasto e doente...
Escravo de um amor afrodisíaco
Percorre com as mãos gastas do sofrimento
Cada recanto esquecido do seu passado
No álbum poeirento de fotografias...
Captar de sorrisos que agora destoam...
Na melancolia agreste do dia chuvoso
Inundado por um céu opressor
Pintado de tons cinza... chama gasta...
Gotas frias acariciam os seus óculos
Pavimento irregular, buracos de alma
Sofrimento constante, tímido libertar de dor...
Apetece chorar, vergonha súbita de o fazer...
Constante sentimento de frustração..
Raiva gigantesca, manchada de invalidez
De algo querer fazer e nada poder...
Segura carinhosamente o ramo perfumado
De um vermelho carnudo...
Entra lentamente...
No repouso pacífico da morte muda...
Caminha de campa em campa...
Ajoelha-se, sente o coração derramar
A tristeza que o inunda e o destrói...
Beija a fotografia...
Mas sabe...
Que dentro de si..
A fotografia tem alma...
Um rosto e uma eternidade
Tens aqui poesia muito interessante. Vou estar atento ao teu blog.
Afixado por: Conde em agosto 30, 2003 05:44 PMVim aqui agradecer-lhe a visita ao meu sítio e dizer que fiquei encantada com o tesouro que encontrei por aqui.
Sem pedir-lhe licença fui lendo suas poesias e textos maravilhosos, de uma sensibilidade ímpar. Parabéns!
Deixo-lhe o convite para que retorne à minha casa virtual, o que para mim será uma alegria.
Abraços,
Flávia
Linda poesia... Li algumas outras abaixo também,
mas essa me chamou mais atenção pela fluidez e simbolismo...
Acho que vc fala de vários níveis de eternidades aí, desde as mais densas até as mais sutis... Como uma escalada até a eternidade maior...
Parabéns...