À pouco mais de 5 anos, a RTP 1 emitiu uma série de Chris Carter, cujo enredo era bastante interessante. Infelizmente ( com muita pena minha ) não vi os primeiros episódios, mas o final da primeira, e toda a segunda série não me escapou. Com uma temática diferente dos X-Files, a série retratava a vida de um anterior agente do FBI, que se encontrava ligado a uma organização muito misteriosa, o grupo Milénio, a qual lidava com ícones e temáticas relacionadas com o novo milénio. Pese embora o facto de se encontrar agora um pouco datada, tal não retirava qualidade ou impacto a uma reposição por parte da estação televisiva, na medida em que os actores eram estrondosos ( principalmente Lance Henriksen, na pele de Frank Black ), os argumentos ( especialmente da segunda série ) muito bem conseguidos, e mais importante que tudo, fazia-nos pensar, sofrer pelo próximo episódio e desgustar vertiginosamente cada pedacinho de história e enredo.
Recordo-me com nostalgia das noites de Domingo, tarde para mim naquela altura porque no outro dia tinha aulas. Porém nunca abdicava daquele momento, e cada episódio era para mim um acontecimento especial e único. Tristemente, a Rtp deixou-nos com o final da segunda série, e muito por explicar ou mostrar. A terceira série não foi emitida, e pese embora o facto de em termos de qualidade ter sido muito inferior às anteriores, foi uma pena o telespectador português não poder verificar isso mesmo com os seus olhos, ou emitir os seus próprios juízos de valor.
O espantoso genérico, com uma música espectacular ( arrisco a dizer que ultrapassa em muito o genérico de abertura dos X-Files ), um elenco muito bem equilibrado, aliado a uma estrutura narrativa sólida, enigmática, muito interessante e densa, e com variadas e incisivas críticas e/ou apontamentos que faziam pensar e meditar quem via, fizeram da série uma das inesquecíveis experiências televisivas que tive na minha adolescência. Confesso que nunca fui um grande apreciador dos X-Files, ao contrário de Millenium, que me agarrou completamente ao ecrã.
Como esquecer-me da assustadora, cruel e demoníaca Lucy Waters? Como não relembrar-me da mítica casa amarela de Frank Black, escondendo demónios, vivências e acontecimentos? A série era extremamente familiar, porque incidia sobre fantasmas físicos e psicológicos que todos temos, sobre problemas gerais na nossa sociedade. Tudo embebido em águas místicas, roçando o sobrenatural, porque não visto, não tendo explicação científica, mas sentido.
Uma grande série, que aqui recordo com extrema nostalgia e saudade. E tenho escrito!