Que vejo perante mim? Cruel melancolia dissidente
Cruel ocidente trucidando um ser demente
Na fervura disforme da calçada estática, sem cor.
Que vejo perante a saudade? Qual doce divindade
Bebendo do rio seco a pureza da pedra de jade.
Na loucura distante do esquecimento atroz, sem dor.
Que vejo perante a escuridão? Estão-te roubando o pão.
Sem compaixão ou amor, correm sem qualquer razão
E nos seus rostos queima o sal de recordações sacras.
E na solidão aparente de um ser beijando a noite
Tatua-se a esperança num sol que nasça abençoado
Por uma realidade que destrua todos os fantasmas gélidos
Que faça nascer um deserto jorrando água. Sem medos.
Que faça nascer uma visão impossível. Milagre de Vida.
Saciar de sonhos, de uma vontade que guiará o Mundo
Tornará as estrelas companheiras de uma vontade inigualável.
Tornará as asas algo de tão possível como o ar que respiramos.
Crença no voo rumo às maravilhas ocultas no espaço.
Voo rumo a tudo o que se esconde por entre o ódio humano.
Na semente do deserto cresce o poder único da verdade.
Do sentimento. Do amor. Da pura divindade.
Por isso os homens cederem à sua energia.
Por isso os homens não resistirem aos encantos do deserto.
Ao seu charme afrodisíaco , perfume de sóis e luas.
Vacilam perante tanta beleza, perante a eminência de uma descoberta.
A semente do deserto. A verdadeira essência de Ser Vivo. De Sentir.
E morrem, vociferando a sua triste sina. Amaldiçoando o Destino.
Quando não sabem que tão perto estiveram. Do verdadeiro conhecimento.
Perto da morte observei a divina aparição do desconhecido.
Acolhi nos meus ténues braços a semente de todas as Vidas.
A semente do Amor. Da pureza. Da Vida.
No deserto encontrei a poção do Mundo.
Para as suas feridas abertas. Escorrendo ódio e descrença.
Na minha essência ouvi a criança.
O seu respirar. A sua voz ditando a minha vida.
O que se escondia por entre todas estas sombras.
Vales densos de dor e escuridão anestesiantes.
Doce raiz de sonhos. De um voo impossível de despedaçar.
Porque eu sou conhecedor do teu sabor. Da tua divindade.
Sou conhecedor do meu amor. Da minha liberdade.
Deserto. Areal denso de tanto por conhecer.
Areal de tesouros escondidos na descrença humana.
Não sobre rios de ouro ou especiarias.
Mas sob uma face cantando sem interregno.
Que é parte de nós.
O teu nome o escreve as estrelas.
Márcia. A tons doirado. Como o denso areal.
Para o meu amor, vida, futuro e alma, Márcia...