agosto 27, 2003

Deserto - Parte I

Soltam-se gritos gélidos de dor
Abraçando o ondular resplandecente do oásis
Num céu tatuado de estrelas orientais.
Com os seus olhos postos no caleidoscópio de sentidos
A criança corre o areal com os seus pés desnudados
Incessante, acaricia a atmosfera com a sua inocência
E contem na sua mão todo o foco de divindade.
Nas lágrimas que porventura beijarão a sua face
Estará a recordação de uma passagem com glória
Por todo um memorial intenso de fragrâncias.
Por toda uma verdade tão límpida e pura.
Doirado tom que beijas a minha face
Suspiros sussurrando ao vento agreste
E na alma a tatuagem de um amor invencível.
Ouço os seus passos, melódicos e simples
Percorrer as viagens de sonhos e de desejos
Anseio pelo seu toque, névoa de paixão.
Clamo pela sua chama, envolta em perdição.
Permaneço solto. Na aragem envolta em mistério.
Sobre os turbantes da incógnita viagem incessante.
Permaneço consciente. Nos uivos destilados ao vento...
Nos acordes sentidos e que sinto penetrar no meu ser...
Colares transcendentais envolvem os corpos perdidos
Acariciando uma visão que aquece com o calor do sol
E convida o corpo a moldar asas... tecidas a ouro.
Ouro de deserto. Grãos de Mundo. Crença num Todo.
Onde as mãos acolham a miragem eclipsal.
O destino impossível de negar. O destino que eu guio.
Que guiamos. Com o nosso corpo. Com as nossas mãos.
Dá-me as mãos. A sua face jorra alegria e brilho.
Entrega-me o seu dom. A sua divindade.
A criança encontrou-me nas areias do deserto.
Molda uma face. Um rosto. Uma perdição.
Entoa-me a frase do destino. De uma visão que guiará uma vida.
Nas areias quentes da Vida. Desenhou a tua voz.
O teu sorriso. O teu calor.
E disse-me... Será esta quem irás amar.
Será esta quem a tua vida quererá acolher.
Será esta a tua outra alma. Tua essência.
Fez-se noite. Fez-se luz cega e linda escuridão.
E voou ao vento. Deixando uma certeza.
A invocação. O soletrar de uma verdadeira aparição.
A areia tatuava-se de fogo ardente....
E nela espelhava-se no céu o calor e poder
De um amor.
O nosso.
A criança cresce dentro de mim.
Tenho-a comigo sempre na minha alma


Dedicado ao meu grande amor e vida, Márcia.

Publicado por Ray_Manzarek em agosto 27, 2003 01:35 AM
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agosto 27, 2003
Deserto - Parte I

Soltam-se gritos gélidos de dor
Abraçando o ondular resplandecente do oásis
Num céu tatuado de estrelas orientais.
Com os seus olhos postos no caleidoscópio de sentidos
A criança corre o areal com os seus pés desnudados
Incessante, acaricia a atmosfera com a sua inocência
E contem na sua mão todo o foco de divindade.
Nas lágrimas que porventura beijarão a sua face
Estará a recordação de uma passagem com glória
Por todo um memorial intenso de fragrâncias.
Por toda uma verdade tão límpida e pura.
Doirado tom que beijas a minha face
Suspiros sussurrando ao vento agreste
E na alma a tatuagem de um amor invencível.
Ouço os seus passos, melódicos e simples
Percorrer as viagens de sonhos e de desejos
Anseio pelo seu toque, névoa de paixão.
Clamo pela sua chama, envolta em perdição.
Permaneço solto. Na aragem envolta em mistério.
Sobre os turbantes da incógnita viagem incessante.
Permaneço consciente. Nos uivos destilados ao vento...
Nos acordes sentidos e que sinto penetrar no meu ser...
Colares transcendentais envolvem os corpos perdidos
Acariciando uma visão que aquece com o calor do sol
E convida o corpo a moldar asas... tecidas a ouro.
Ouro de deserto. Grãos de Mundo. Crença num Todo.
Onde as mãos acolham a miragem eclipsal.
O destino impossível de negar. O destino que eu guio.
Que guiamos. Com o nosso corpo. Com as nossas mãos.
Dá-me as mãos. A sua face jorra alegria e brilho.
Entrega-me o seu dom. A sua divindade.
A criança encontrou-me nas areias do deserto.
Molda uma face. Um rosto. Uma perdição.
Entoa-me a frase do destino. De uma visão que guiará uma vida.
Nas areias quentes da Vida. Desenhou a tua voz.
O teu sorriso. O teu calor.
E disse-me... Será esta quem irás amar.
Será esta quem a tua vida quererá acolher.
Será esta a tua outra alma. Tua essência.
Fez-se noite. Fez-se luz cega e linda escuridão.
E voou ao vento. Deixando uma certeza.
A invocação. O soletrar de uma verdadeira aparição.
A areia tatuava-se de fogo ardente....
E nela espelhava-se no céu o calor e poder
De um amor.
O nosso.
A criança cresce dentro de mim.
Tenho-a comigo sempre na minha alma


Dedicado ao meu grande amor e vida, Márcia.

posted by Ray_Manzarek at 01:35 AM
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