No fundo da solidão
Eclode sem perdão
A sombra do desconhecido
Banhando o sono perdido...
Na pintura triste do céu
Discorre incessante o véu
Envolto em disforme saudade
Grita a raiva da ténue vontade...
Rasgar o pranto dilacerante da cor
Sem perdão , aniquilar a dor
Que envolve os teus braços perdidos
Na clausura de dois destinos.
Duas asas que acariciam um amor
Tatuagem melancólica enigmática
Uivo irradiando o opaco odor
Como alma... feiticeira apática...
E se tentas alcançar as suas mãos...
Verás na sombra dos seus olhos escuros
Escapar os ténues gemidos sãos...
Não se ouvem... São mudos...
Se tentas saciar a tua fome
Na beleza do seu rosto
Verás que o brilho te come
Transformando-te num monstro...
Será o enigma a chave do divino ?
A porta para o outro destino ?
Aquele que se oculta na prerrogativa
De te sentires nativa...
Presas na imensidão do Todo
Rasgando a pequenez do Nada
Banhando o rio de lodo
São as lágrimas de uma fada...
Por um destino que corrompe
Por uma mentira que se esconde
No silêncio de duas essências
Na tristeza de algumas crenças...
Fada...
Entoa a melodia de um conto
Enfeitiça o monstro.
Transforma a feiticeira
Numa monstruosidade.
Para que sempre
Se possam amar.