agosto 26, 2003

Um novo ser - Parte II

É tão cruel a dor que beija e molda a nossa face , quando a lágrima salgada parece invocar um mar, anterior refúgio de um amor pretérito. Quando o sangue que escorre de uma ferida aberta recupera na mente a visão acolhedora de alguém que no passado nos curava as feridas.. E agora, olhamos para o lado.. o que vemos ? Ninguém.. Ninguém como essência , ninguém elevando a sua alma, mostrando o seu coração de mãos abertas. Apenas vejo mercenários correndo atrás de riquezas, saciando a sua fome de poder , nem que seja à custa de sangue alheio.. A crueldade humana ultrapassa os seus próprios limites... vertiginosamente.
Corro dilacerante atrás de uma solução. Que cure todas estas feridas abertas. Procuro a espada da Luz que corte a densa névoa de escuridão que colhe as faces que vejo perante mim. Só vejo pessoas mergulhadas na solidão. Estão envoltas em mantos densos de pessoas.. Mas as suas essências estão enterradas. No medo de sofrer, de se entregar a uma vida que não é finita.. E guardam-se por vezes até à morte, prisioneiras de um trabalho e de uma nota que nada significa, que não devia ter nenhum valor. Porque se colhem vidas sem a mínima preocupação , vidas essas que algumas vezes tinham acariciado o sonho de lágrimas sentidas , que tinham abraçado o amor e a esperança. Talvez tivessem tecido asas de sonho , e querendo ser anjos , colhessem outra essência e desferissem juntos um voo rumo ao amor eterno. Infeliz destino, rouba-lhes as vidas sem contemplações. E uma faca , ou uma bala trespassa toda essa realidade. Os sonhos são desmembrados, a essência esquartejada, queimada como algo inútil, ficando a nota apodrecida no chão. Correndo uma mão cruel para a agarrar imediatamente. E as sirenes tocam, as pessoas olham para o corpo abandonado num jazigo. Está lá uma fotografia, mas a sua essência? A sua vida ? Os seus sonhos ? A sua paixão ? Flores ambientam o ar, tentando aromatizar o odor da morte, e as lágrimas beijam a lápide, desferindo cânticos sentidos de dor e tristeza. Quando por vezes tal acontece somente por algo que é feito de papel...dói tanto.. penso nisto sempre que tenho oportunidade de o fazer.

Publicado por Ray_Manzarek em agosto 26, 2003 09:45 PM
Comentários

Sim, isso acontece com muita freqüência. O papel aprisiona, é o frio contrato com o qual aprisionamos almas. Lindo texto. Eu acho que não quero mais sair daqui!
Flávia

Afixado por: Prettybaby em setembro 13, 2003 06:59 PM
« Um novo ser - parte 1 | Main | O que fazer? »
agosto 26, 2003
Um novo ser - Parte II

É tão cruel a dor que beija e molda a nossa face , quando a lágrima salgada parece invocar um mar, anterior refúgio de um amor pretérito. Quando o sangue que escorre de uma ferida aberta recupera na mente a visão acolhedora de alguém que no passado nos curava as feridas.. E agora, olhamos para o lado.. o que vemos ? Ninguém.. Ninguém como essência , ninguém elevando a sua alma, mostrando o seu coração de mãos abertas. Apenas vejo mercenários correndo atrás de riquezas, saciando a sua fome de poder , nem que seja à custa de sangue alheio.. A crueldade humana ultrapassa os seus próprios limites... vertiginosamente.
Corro dilacerante atrás de uma solução. Que cure todas estas feridas abertas. Procuro a espada da Luz que corte a densa névoa de escuridão que colhe as faces que vejo perante mim. Só vejo pessoas mergulhadas na solidão. Estão envoltas em mantos densos de pessoas.. Mas as suas essências estão enterradas. No medo de sofrer, de se entregar a uma vida que não é finita.. E guardam-se por vezes até à morte, prisioneiras de um trabalho e de uma nota que nada significa, que não devia ter nenhum valor. Porque se colhem vidas sem a mínima preocupação , vidas essas que algumas vezes tinham acariciado o sonho de lágrimas sentidas , que tinham abraçado o amor e a esperança. Talvez tivessem tecido asas de sonho , e querendo ser anjos , colhessem outra essência e desferissem juntos um voo rumo ao amor eterno. Infeliz destino, rouba-lhes as vidas sem contemplações. E uma faca , ou uma bala trespassa toda essa realidade. Os sonhos são desmembrados, a essência esquartejada, queimada como algo inútil, ficando a nota apodrecida no chão. Correndo uma mão cruel para a agarrar imediatamente. E as sirenes tocam, as pessoas olham para o corpo abandonado num jazigo. Está lá uma fotografia, mas a sua essência? A sua vida ? Os seus sonhos ? A sua paixão ? Flores ambientam o ar, tentando aromatizar o odor da morte, e as lágrimas beijam a lápide, desferindo cânticos sentidos de dor e tristeza. Quando por vezes tal acontece somente por algo que é feito de papel...dói tanto.. penso nisto sempre que tenho oportunidade de o fazer.

posted by Ray_Manzarek at 09:45 PM
Comments

Sim, isso acontece com muita freqüência. O papel aprisiona, é o frio contrato com o qual aprisionamos almas. Lindo texto. Eu acho que não quero mais sair daqui!
Flávia

Posted by: Prettybaby on setembro 13, 2003 06:59 PM
Post a comment
Name:


Email Address:


URL:


Comments:


Remember info?